AS AVENTURAS DE TINTIM 2

Tudo o que sabemos sobre a continuação do filme de Tintim

TINTIM TERÁ NOVO FILME COM ATORES

As Joias da Castafiore será adaptado para o cinema, afirma diretor

TPT ENTREVISTA ISAAC BARDAVID

O dublador do Capitão Haddock soltou o verbo em bate-papo com o blog

TPT ENTREVISTA O PRIMEIRO TINTIM DO CINEMA

Jean-Pierre Talbot falou tudo sobre os dois filmes de Tintim com atores reais

TINTIM GANHA NOVO JOGO

Game para smartphones ainda não está disponível em todos os países

TPT ENTREVISTA O DUBLADOR DE TINTIM

Oberdan Jr conversou com o blog em vídeo de duas partes. Confira!

01 junho, 2021

Clube do Livro Tintinófilo - Vol. 1: Tintim no País dos Sovietes

Primeira edição do Clube do Livro Tintinófilo, um evento mensal que reúne fãs Tintim para debater sobre os álbuns de Hergé. No encontro virtual realizado em 23 de maio de 2021, o tema do mês é a aventura de Tintim "No País dos Sovietes", publicada em 1929 no jornal Le Petit Vingtiéme. 

O encontro é uma iniciativa do tintinófilo Bruno Rodrigues com o apoio do Tintim por Tintim. O convidado Bruno Porto introduz a transmissão com um panorama sobre a obra de Georges Remi, o Hergé, e na sequência os participantes trocam ideias sobre os destaques, pontos altos e baixos desta que foi a primeira viagem internacional de Tintim.

Assista e aproveite para se inscrever no Canal TPT:


A ideia do Clube do Livro é que, mensalmente, nos reuniremos via Zoom para um bate-papo sobre cada um dos 24 álbuns de Hergé. Com base nos votos do público, decidimos por iniciar a leitura em ordem cronológica, sendo assim, começamos por "No País dos Sovietes" e seguiremos até "Tintim e a Alfa-Arte". A inscrição é realizada através de email ou mensagem privada nas redes do TPT e do organizados Bruno Rodrigues.

Em junho, nos reuniremos novamente, desta vez para discutir sobre o polêmico segundo álbum de Hergé, "Tintim no Congo". Vá se preparando!
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27 maio, 2021

Entrevista com Nick Rodwell revela outra face do chefão da Moulinsart


Nick Rodwell sabe que é odiado por alguns jornalistas e que há um cheiro de hostilidade em relação a ele no ar. Pronto para enviar seus advogados ao front quando a imagem de Tintim está sujeita a ser arranhada, o chefe da Moulinsart atraiu a ira de todo o planeta, que viu, em suas ações, apenas uma abordagem mercantil, brutal, propensa a distanciar as crianças da magnífica, única e sublime obra de Georges Remi, ou Hergé.

Com essas palavras a revista La Libre Belgique introduz uma matéria de quatro páginas de entrevista com o administrador da Moulinsart S.A., empresa que gere os direitos universais  da obra de Hergé. Mas, a mesma matéria parece tentar mostrar o outro lado do "homem mais odiado da Bélgica", ao apresentar uma biografia do marido da viúva de Hergé e revelar aspectos de sua vida pessoal, desde a abstinência ao álcool até o vegetarianismo, passando por suas preferências musicais e artísticas. Curiosamente, aliás, Rodwell não tem Hergé como seu artista favorito, mas sim o pintor Modigliani. 

Nick Rodwell casou-se com Fanny Remi, viúva de Hergé, em 1993. A partir dali, assumiu para si o dever de "proteger e promover a obra de Hergé", como ele faz questão de repetir em toda e qualquer entrevista. Como a reportagem destaca, ao longo de quase trinta anos Rodwell empregou toda sua energia para que a imagem de Tintim permanecesse intacta, mesmo que a sua própria fosse danificada. Por conta de tantas críticas da mídia e das redes sociais, 'recusa a maioria das entrevistas'. Nesta, porém, ele revela sua trajetória desde a infância até a vida escolar, e seus planos para o futuro de Tintim.

Um pouco do passado


Como você descobriu Tintim?

"Quando eu tinha 29 anos, fui a Paris para aprender francês. Minha antiga namorada estava de férias em Portugal. Ela me enviou um cartão-postal explicando que ela tinha uma camiseta com Milu. Comprei um álbum de Tintim, descobri o nome da Casterman, fui para a sede deles na rue Bonaparte em Paris, de onde fui enviado para Tournai, onde conheci Pierre Servais, o homem que mudou minha vida. Conheci Alain Baran, secretário do Hergé, e Viviane Rousie, da Éditions du Lombard, que cuidava do merchandising. E tudo começou assim ... Eu me ofereci para ser o agente deles na Inglaterra. Todos acharam a ideia muito boa. E abrimos uma loja em Londres. Vendíamos cartões-postais e cartões de felicitações, depois camisetas... Não havia livro sobre Hergé em inglês. Traduzi o escrito por Philippe Godin e Jean-Manuel Duvivier. Eu digitei e editei este livro em 5.000 cópias. E vendemos tudo."

Você lia os álbuns de Tintim?

"Não, eu sou da geração da televisão. Descobri Tintim aos 7 anos, graças à série de animação Belvision...Mas eu não tinha lido os álbuns. Eu os li quando tinha 30 anos."

Qual é o seu álbum favorito? 
Não tenho preferência. O álbum favorito de Fanny é Tintim no Tibete porque sua relação com Hergé, ou melhor, com Georges Remi, começou quando ele estava no processo de produção.

Como você conheceu Fanny, a segunda esposa de Georges Remi?
"A partir de 1983, fiz muitas viagens entre Bruxelas e Londres, tornei-me bastante amigo de Alain Baran e de Jean-Manuel Duvivier. Havia passado seis meses após a morte de Hergé. Eu não conhecia Fanny. Em 1986, o pavilhão belga da Expo universal em Vancouver foi uma representação de 'Explorando a Lua'. Tudo foi organizado por Bob de Moor, que trabalhou 35 anos com Hergé. Bob foi para lá com Alain Baran e Fanny. Então Alain Baran me pediu para ir com ele até Los Angeles, onde ele tinha ido com Fanny para encontrar Steven Spielberg, que havia contatado Hergé em 1982... Eu estava com amigos, cheguei de camisa branca, jeans, tênis. Alain Baran e Fanny estavam em trajes de gala. Foi a primeira vez que encontrei Fanny. Para mim foi um grande momento. Nossa história foi formada gradualmente. E em 1 ° de janeiro de 1990, me mudei para Bruxelas para morar com Fanny."

E, muito rapidamente, você quis colocar alguma ordem... 
"Fiz uma auditoria da situação e entendi que não era tão boa, ainda que Tintim tivesse um enorme potencial. Percebi que o trabalho do Hergé não estava bem protegido. A revista Tintin havia se tornado um verdadeiro desastre. No ano seguinte, Alain Baran - que tinha um conflito de interesses... - e todos os outros foram embora. Eu me encontrei no escritório da Avenida Louise, sozinho com a recepcionista. Recomecei do zero."

Eles saíram ou você os despediu?
"Foi o auditor da empresa que pôs Alain Baran para fora. Alain sempre se manteve fiel ao trabalho de Hergé. A gestão era outra coisa. Ele tentou relançar a revista Tintin, mas não deu certo".

Alain Baran, então secretário de Hergé, e Fanny, viúva do artista

Polêmicas do presente


Sua chegada e sua obsessão, no sentido de proteger a obra de Hergé, têm sido muitas vezes duramente criticadas...
"Eu estava ali para defender os interesses de Fanny. Quando Hergé morreu, deixou todo seu legado para Fanny. Se ele legou tudo a ela, não cabia a mim permitir que outros roubassem coisas que não lhes pertenciam. Tentei recuperar tudo para ela porque era ela quem representava Hergé e a sua obra. Eu sou um homem como qualquer outro, eu trabalho pela minha esposa..."

Neste ponto, Rodwell comenta sobre os problemas com as autoridades fiscais da Bélgica, que segundo ele exigiam enormes taxas pela herança de Fanny, o que motivou a partida do casal para a Suíça. 

"Eu percebi que os direitos de Fanny estavam sendo violados... Eu não estou aqui para ganhar dinheiro. Estava lá para proteger Fanny e a obra de Hergé. E para promovê-lo. Seremos julgados cinquenta anos após sua morte. Hoje não. Veremos então se fiz um bom trabalho para proteger a obra de Hergé. Ou não. Quando você tem poder e dinheiro, você é sempre criticado. Você tem que conviver com isso... Às vezes, para chegar lá, você tem que limpar ou atacar. É o que eu faço."

Mesmo que isso signifique atacar simples pesquisadores que querem apenas estudar a obra de Hergé?

"Você pode escrever o que quiser sobre Tintim e Hergé. Tudo. Mas, se quiser usar os desenhos, é obrigado a passar por nós. Nós respeitamos as leis. Para usar os desenhos de Hergé, você precisa de permissão. Aceitamos todos os pedidos se forem bons projetos..."

A reportagem relembra que nem todos os processos tiveram um final feliz para a Rodwell, a exemplo do caso de Xavier Marabout, que teve o direito de parodiar Hergé em suas obras reconhecido pela corte de Rennes. A Moulinsart foi condenada a pagar dez mil euros de indenização por difamação, já que as artes foram enquadradas na exceção de paródia. Sobre o caso, o empresário afirmou que está considerando se deve recorrer, conforme nota divulgada no site oficial Tintin.com.

Uma das artes de Xavier Marabout inspiradas no estilo de Edwar Hopper.
Artista venceu processo movido pela Moulinsart S.A.

Quando o assunto é o valor artístico e comercial de Tintim, Rodwell é enfático: "O trabalho de Hergé não é só de Tintim", e destaca a exposição do Grand Palais, em Paris, que alçou a obra de Hergé ao nível de Hopper ou Picasso. "A exposição do Grand Palais foi para Quebec, Dinamarca, Seul. Em breve estará em Xangai e depois em Lisboa."


Respondendo sobre vendas recordes das pranchas de Hergé em leilões, Rodwell desabafa: "Não era isso que procurávamos. Buscamos posicionar a obra Hergé entre a banda desenhada belga e a arte contemporânea". Para ele, isso não afasta Tintim das crianças, já que os álbuns são "a alma da obra" e continuam sendo vendidos "em todo o mundo em qualquer supermercado ou livraria, podendo ser emprestados em bibliotecas".

Acha que as pranchas deveriam voltar ao Museu Hergé?
"Temos um pequeno problema, não com a Casterman, mas com alguns membros da família Casterman que vendem regularmente as pranchas que lhes foram dadas. Quando fizemos o desenho animado de Quick e Flupke, Fanny e Alain Baran ofereceram duas pranchas de Quick e Flupke aos Castermans para agradecê-los. Uma delas agora está pregada na casa do meu vizinho na Suíça: ele a comprou durante um leilão! ... Guy Dessicy, amigo de Hergé, havia recebido quatro pranchas de Hergé, para suas filhas: cada uma dessas pranchas foi vendida e permitiu que cada criança comprasse uma casa! ... Então, sim, nos magoamos com essas práticas, às vezes ficamos irritados, até agressivos. Um exemplo? A capa do Lótus Azul nunca pertenceu à família Casterman, e isso está provado. Deveria ter sido exibida no Museu Hergé ou emprestada ao museu para sempre. Mas essa capa foi vendida por 2,6 milhões de euros no início deste ano. A família Casterman vende o que foi presenteado e também o que foi roubado. Este é o principal problema. Nós conhecemos o culpado. Para nós, é como um estupro intelectual, uma desonestidade absoluta. Está completamente além de mim."


O que esperar do futuro


Milhões de pessoas, com idades entre 7 e 77 anos, adorariam ler as novas aventuras de Tintim. Por que não confiar a um talentoso roteirista a tarefa de imaginar um novo álbum?
"Porque Hergé disse que não queria que isso continuasse depois dele. Respeitamos seus desejos."

Haverá algum novo filme de Spielberg?
"Não é fácil negociar com os estúdios americanos. Eles têm os direitos e são obrigados a fazer um filme a cada cinco anos e podem renovar a opção a cada dois anos. O segundo filme será dirigido por Peter Jackon... Ele fará o próximo filme. Mas não sabemos quando..."

Patrice Leconte vai dirigir “As Jóias da Castafiore?"
"Ele tem dois produtores charmosos e dinâmicos, mas atualmente todos os direitos estão bloqueados. Talvez eu tente encontrar uma maneira de realizar uma série."


Como está Fanny, sua esposa?
"Ela tem a doença de Alzheimer há vários anos". Rodwell revela que, seguindo um conselho da ex-ministra da saúde da França, Fanny decidiu interromper o uso de medicamentos ineficazes e utilizou o dinheiro recuperado para financiar o apoio a pessoas com Alzheimer. "A única coisa a fazer é acompanhar essas pessoas. É o que faço com Fanny, o tempo todo, todos os dias. Ela vive em casa... você tem que se proteger quando acompanha uma pessoa que sofre desta doença."


Embora seja alvo de duras críticas ao longo de décadas, durante toda a entrevista Rodwell demonstra um grande zelo pela esposa e continua defendendo sua forma de atuação à frente da Moulinsart: "A obra de Hergé jamais foi tão conhecida e bem protegida: tem um museu, as exposições, os filmes. Eu fico chateado porque as pessoas nos criticam o tempo todo". Neste ponto, ele faz uma analogia ao príncipe Phillip, da Inglaterra, que ganhou uma nova imagem diante do público depois da série "The Crown". Ele não acredita que será visto de forma diferente mesmo depois que morrer, mas desabafa: "Me pergunto o papel da mídia na construção de uma imagem".

Nick Rodwell está escrevendo um livro em resposta às críticas sobre seu trabalho. "Trust but verify" (confie, mas verifique) é o título, além de sua frase favorita.
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16 janeiro, 2021

Nick Rodwell anuncia livro em resposta às críticas sobre seu trabalho à frente da Moulinsart


Todo mundo que conhece um pouco mais sobre os bastidores de Tintim já deve ter escutado este nome. Nick Rodwell é o administrador da Moulinsart S.A., antiga Fundação Hergé, empresa que gere os direitos da obra do artista belga desde 1987. Casado com a viúva e legatária universal de Hergé, Fanny Vlamynck, o empresário britânico geralmente aparece nos noticiários quando o assunto envolve alguma polêmica, como a proibição de paródias ou a caça a qualquer trabalho (com ou sem fins comerciais) que traga alguma referência retirada dos originais do autor belga.

Agora com 68 anos, Rodwell ressurge na mídia para anunciar o lançamento de um livro sobre sua história no comando da gestão dos direitos de Hergé. Em entrevista à revista Paris Match, o diretor da Moulinsart revelou o título do livro: "Trust but verify" ("Confie, mas verifique"), em inglês mesmo (dizem as más línguas que seu francês ainda é ruim). Ele pretende contar a verdade por trás das polêmicas envolvendo seu nome e assim responder a todos aqueles que o criticam. O artigo revela que continua fora dos planos do empresário lançar um novo Tintim, pelo contrário, no livro, ele vai "contar como fazemos um herói viver durante décadas sem a menor novidade".

Na foto, Nick Rodwell aparece ao lado da filha de Zhang Chongren, amigo de Hergé que inspirou a criação do personagem Tchang. Paris Match, 14/01/2021.

No final do ano passado, Fanny Rodwell, que tem 86 anos, foi diagnosticada com Mal de Alzheimer. Com isso, anunciou sua aposentadoria e renunciou ao posto de presidente do conselho da Moulinsart, passando todo o comando para o marido a partir de 18 de setembro de 2020. A diferença já começou a ser percebida em outubro, quando evidentemente houve uma mudança no comando das mídias sociais da marca Tintin, que deixou de seguir qualquer perfil nas redes e passou a ter mais atividade no site oficial, tintin.com

Um pouco de História

O empresário britânico foi proprietário da primeira Tintin Shop do Reino Unido, e casou-se com a sra. Fanny dez anos após a morte de Hergé, em 1993. Convencido de que Tintim era o equivalente ao "Rolls Royce dos quadrinhos", Rodwell sempre declarou que seu único interesse seria "promover e proteger" o legado de Hergé. Assim, eliminou o excesso de licenciamentos, que na gestão de Alain Baran (secretário do então Studios Hergé, considerado um filho adotivo do artista) fez Tintim estampar brinquedos, roupas e produtos alimentícios, para reorientar o uso da imagem do repórter como algo mais artístico, elevando a obra ao nível de marca de grife... inclusive nos preços.

Foi Rodwell, por exemplo, quem tornou real o desejo de sua esposa de inaugurar um museu totalmente dedicado a Hergé, em 2007. Também foi ele quem retomou o contato com Steven Spielberg por volta dos anos 2000, para finalmente renovar os direitos de adaptação para o cinema - e o empresário promete contar detalhes sobre os bastidores dessas negociações em seu livro. Aliás, vale mencionar que Rodwell não teria feito nenhuma grande exigência para a versão hollywoodiana de Tintim, mas deu liberdade total a Spielberg, como o próprio cineasta deixou claro em 2011: "eles não nos forçaram a fazer uma adaptação literal".

Fanny Rodwel, viúva de Hergé, e seu marido Nick, atual CEO da Moulinsart S.A.

Ao longo dos anos, Rodwell teve alguns embates com artistas, escritores, lojas, museus e jornalistas que criticaram seu método de trabalho. Houve um desgaste até mesmo a Casterman, editora de Tintim há quase 90 anos. Em 1997, durante o Festival de Angoulême, um grupo de tintinólogos, incluindo o comediante Albert Algoud, o crítico de arte Pierre Sterckx e o biógrafo Benoît Peeters, denunciaram publicamente o que chamaram de "abuso de poder". Foi o bastante para entrarem na "lista negra" da Moulinsart, sendo impedidos de acessar os arquivos de Hergé e até de grandes exposições.

Em 2009, o britânico abriu um blog no site oficial de Tintin, com o único propósito de se defender de seus críticos. Mas, foram tantos insultos e ofensas pessoais que a própria Moulinsart o aconselhou a excluir o blog, o que fez com que ele rompesse com parte da imprensa e passasse anos sem dar uma entrevista. Na ocasião do encerramento do blog, meses depois, foi prometido um livro com a mesma temática: a defesa de Nick Rodwell contra seus detratores. Embora o clima ruim tenha amenizado por um tempo, em 2020 ele voltou a o usar o site para se defender, mais uma vez fazendo ataques pessoais, agora ao biógrafo Pierre Assouline, que havia feito duras críticas à sua gestão.

Sobre ser visto como "inimigo público", Rodwell se defende: "A maior parte desse tipo de conversa é vil. Claro que me toca. Ninguém gosta de ser criticado. Aprendi a levar isso muito filosoficamente. Eu ignoro esses ataques. Caso contrário, ainda valeria a pena acordar de manhã? Assim que somos ativos e conquistamos coisas, somos criticados! É inevitável. O importante é o trabalho do Hergé, não eu!"

Nick, como é chamado pelos mais próximos, conta que decidiu "tirar um ano sabático para se dedicar a este projeto". O livro, que está sendo escrito desde 2009, tem lançamento previsto para 2022.

Links recomendados:

Telerama: L'héritage Hergé, c'est Tintin dans le lac aux requins - longa matéria de 2011 sobre as polêmicas envolvendo jornalistas, escritores e tintinólogos ao longo de décadas. A arte que ilustra o início do artigo vem desta matéria.

BD Paradiso: Contrôle de l'oeuvre ou abus de pouvoir? - página de arquivos da conferência de 1997, abordando o que foi chamado de "abuso de poder" sobre a obra de Hergé.

ActuaBD: Nick Rodwell : « Spielberg m’a dit droit dans les yeux : je veux le faire ce film » - uma entrevista com Nick Rodwell na época do lançamento do filme de 2011.

ActuaBD: Moulinsart ferme le blog de Nick Rodwell -em  2000, a Moulinsart anuncia fim do "Nick's blog" e projeto de livro.

Wikipedia: Nick Rodwell - verbete em francês sobre a trajetória do empresário

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03 janeiro, 2021

Novo álbum de Asterix presta homenagem a Tintim no Tibete

Um novo álbum de Asterix e Obelix foi anunciado para este ano, e fará homenagem a cena icônica de Tintim no Tibete.

Foi divulgada a primeira página do 39° episódio da série dos irredutíveis gauleses traz uma bela referência a um dos álbuns mais aclamados de Hergé, reproduzindo a cena de Tintim acordando de um sonho e gritando por Tchang.


“Este é um álbum de viagem”, garante o roteirista Jean-Yves Ferri, já que a última aventura de passou na Gália. "Asterix e Obelix vão partir para um destino sem precedentes, para um país não existe hoje como tal ”, garantiu.

O último álbum lançado por Ferri em parceria com Didier Conrad, que assina os desenhos, foi "La fille de Vercingétorix", que se tornou o livro mais vendido da França em 2019.

O novo álbum chega às lojas em 29 de outubro. Pelo que o roteirista declarou ao 20 minutes, Albert Uderzo, falecido ano passado, “aprovou a história" e encorajou a dupla a seguir em frente. Para Ferri, “cada álbum é um pequeno passo para trazer algo novo” para a série.

:: Em tempo: vale lembrar que esta não é a primeira homenagem dos gauleses à obra de Hergé. Na aventura "Asterix entre os Belgas", há uma participação de ninguém menos que Dupond e Dupont. Confira abaixo: 


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02 janeiro, 2021

Capitão Haddock: 80 anos

Já faz 80 anos!

No dia 02 de janeiro de 1941 acontecia a estreia do Capitão Haddock, personagem que nasceu secundário, mas se tornou um dos protagonistas mais queridos das Aventuras de Tintim.


Embora tenha surgido no dia 02, o primeiro encontro entre Tintim e Haddock só aconteceu uma semana depois, no dia 09 de janeiro de 1941. A aventura em questão foi "O Caranguejo das Tenazes de Ouro", publicada no suplemento infantil Le Soir Jeunesse.

Dali em diante, o Capitão Archibald Haddock apareceu em todas as aventuras de Tintim. E em uma série de adaptações dos personagens para outras mídias... 

Assista no vídeo a seguir o próprio Hergé explicando, em entrevista de 1964, a origem dos insultos do Capitão Haddock, marca registrada do personagem:


A Moulinsart criou um logo comemorativo para marcar a importante data, e colocou o comediante francês Albert Algoud à frente das celebrações. Algoud já escreveu alguns livros sobre o universo de Tintim, sendo um dos mais conhecidos o compêndio "Haddock Illustré", que reúne os 220 "palavrões" do capitão que aparecem nos álbuns de Hergé. 


Relembre aqui a história do velho lobo do mar. E vida longa ao Capitão, com um milhão de raios!!!
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24 outubro, 2020

O mistério do Lótus Azul: entenda polêmica envolvendo os direitos da arte de Hergé

Uma arte original de Hergé, datada de 1936, que seria leiloada em novembro de 2020,  vai à venda no dia 14 de janeiro em Paris. Mesmo contra a vontade da Moulinsart.

Feita em nanquim, aquarela e guache sobre papel, uma pintura de 34cm x 34cm retratando da capa de "O Lótus Azul" teve sua venda anunciada pela Artcurial, com estimativa de arremate em torno de 2 a 3 milhões de euros. A casa de leilões parisiense espera superar o recorde alcançado por outra arte de Hergé, um desenho em nanquim arrematado em 2014 por 2,6 milhões de euros, tornando-se a obra de quadrinhos mais cara da história. Após ter sua venda anunciada, em julho, a peça foi exibida ao público por alguns meses em Mônaco, Bruxelas e Paris.

Lenda?

A Artcurial conta que o projeto de capa foi recusado pela editora Casterman devido ao alto custo de produção, já que as cores eram muito intensas para a técnica utilizada na época. "Esta obra-prima, que estava perdida de vista há mais de 80 anos", segundo a diretora da Artcurial, "foi oferecida pessoalmente por Hergé ao filho do editor Louis Casterman [Jean-Paul Casterman (falecido em 2009)], que o guardou numa gaveta depois de dobrá-la cuidadosamente em seis" - o que seria evidenciado pelas marcas no papel.

A Moulinsart refuta esta versão, alegando que não há provas da doação. De acordo com o Le Soir, em 12 de fevereiro de 1936, o criador de Tintim enviou uma carta para Charles Lesne, seu editor na Casterman, e, junto com ela, um projeto de capa de seu quinto álbum. Os peritos da Moulinsart perceberam que os furos de grampo presentes na pintura correspondem aos furos que aparecem na carta de Hergé, que escreveu que o desenho deveria ser "devolvido a ele por acordo".

A verdade?

Especialistas na obra de Hergé concordam que a história da Artcurial não convence. Segundo Philippe Goddin, "este desenho é um esboço de trabalho que não era para ser publicado". Autor de vários livros sobre Tintim, ele deu sua opinião ao Le Monde: "foi o próprio Hergé quem o dobrou e enviou ao seu editor, anexado a uma carta", já que era costume do artista enviar cartas e ilustrações aos editores para discutir seus projetos.

Benoît Peeters, biógrafo de Hergé, concorda, acrescentando que, "quando Hergé dava esquetes ou desenhos, ele sempre escrevia uma dedicatória", então imagine se não faria o mesmo para o filho de um editor. "O mais plausível é que Hergé não tenha reivindicado o desenho e que ele tenha sido dado ao filho do Casterman", deduz, já que "na época, os originais não tinham valor".

Segundo o ActuaLitté, Nick Rodwell, que atualmente comanda sozinho a administração da Moulinsart S.A. e dos Studios Hergé, após renúncia de Fanny, reclama que 'está farto' depois que "tantas páginas e desenhos foram mantidos e vendidos por pessoas ligadas à Casterman". Sem afirmar que foi roubado, ele reivindica a devolução do desenho à família do artista, para que seja exposto ao público no Museu Hergé. Mas, quando sugerido que participe do leilão, Rodwell fica indignado e jura nunca mais comprar de volta peças "roubadas". 

A Casterman, por meio de comunicado à imprensa, esclarece que "não tem qualquer relação com a venda deste original de coleção particular", já que o leilão beneficiaria a família do fundador da editora, hoje administrada pelo grupo Madrigall. Com isso, sugere um acordo entre os vendedores e os beneficiários de Hergé, para que a peça não se perca e possa finalmente ser exposta no museu dedicado ao artista, do qual é patrocinadora.

Ainda não se sabe qual será o desfecho desta novela, mas uma coisa é certa: a repercussão do caso tem trazido ainda mais visibilidade à obra, que, de tão disputada, deve acabar sendo ainda mais valorizada. Com isso Tintim, segue seu destino de virar peça de museu... ou da sala secreta de algum excêntrico bilionário.

Foto: BELGA.

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Conheça a coleção de "carrões" de Tintim

A Hachette-Collections, em parceria com a Moulinsart, lançou no ano passado uma nova coleção de carros baseados nos veículos presentes nos álbuns de Hergé. A diferença, dessa vez, é o tamanho das réplicas, agora apresentadas em escala 1/24, maiores que a antiga coleção da Atlas, que tinha escala 1/43.

O que chama atenção, além da qualidade das peças, é que, para cada número lançado na Bélgica (20 até o momento desta publicação), foi divulgado um vídeo animado retratando a cena do álbum de onde o veículo foi retratado. Todos estão disponíveis no site oficial da Moulinsart. Já no site da Hachette, é possível realizar a compra dos carros, que custam 39,99 euros.

Separei abaixo alguns dos vídeos de divulgação mais criativos da coleção. Já fiquei imaginando uma série de micro episódios com esse estilo... :D

O Ford T de Tintim no Congo:

O jipe azul de "Rumo à Lua":

O jipe vermelho de "Tintim no País do Ouro Negro":

O Torpedo do Dr. Fiinney de "Os Charutos do Faraó":

A Kombi do açougue Sanzot de "O Caso Girassol":

O Aurelia do italiano de "O Caso Girassol":

A limusine da parada de "Tintim na América":

O Ami6 do médico de "As Joias da Castafiore:


Infelizmente não há previsão para venda ou assinatura da coleção no Brasil.
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Veja também

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Site oficial de Tintim

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