AS AVENTURAS DE TINTIM 2

Tudo o que sabemos sobre a continuação do filme de Tintim

TINTIM TERÁ NOVO FILME COM ATORES

As Joias da Castafiore será adaptado para o cinema, afirma diretor

TPT ENTREVISTA ISAAC BARDAVID

O dublador do Capitão Haddock soltou o verbo em bate-papo com o blog

TPT ENTREVISTA O PRIMEIRO TINTIM DO CINEMA

Jean-Pierre Talbot falou tudo sobre os dois filmes de Tintim com atores reais

TINTIM GANHA NOVO JOGO

Game para smartphones ainda não está disponível em todos os países

TPT ENTREVISTA O DUBLADOR DE TINTIM

Oberdan Jr conversou com o blog em vídeo de duas partes. Confira!

25 setembro, 2021

Fatos em fotos: Jacques Martin, 100 anos de um mestre da linha clara

Jacques Martin foi um desenhista e roteirista de quadrinhos francês nascido em 25 de Setembro de 1921. Além de colaborar com os Studios Hergé por 19 anos, ganhou fama internacional com suas séries de quadrinhos Alix e Le Franc.

Sua história com a BD (bande dessinée) começou em 1942. Após a Segunda Guerra Mundial, em 1946, Martin viajou para a Bélgica em busca de um editor. Foi nessa época que conheceu Hergé e criou "Alix", sua principal obra, que estreou na revista Tintin. A série narra as aventuras de um jovem gaulês no Egito, adotado por um romano nos tempos de Júlio César. Foi traduzida para cerca de 15 línguas e já teve mais de 12 milhões de álbuns vendidos.

O interessante nessa história é que Hergé, pelo menos no começo, não gostou tanto do trabalho do colega: "Você tem muito progresso a fazer", teria dito ao jovem artista. Mas, em fevereiro 1954, Martin acabou entrando para o time dos Studios Hergé, sendo responsável por redesenhar o álbum “O Vale das Cobras” da série “Jo, Zette et Jocko”, iniciado antes da guerra. Isso abriu portas para uma colaboração intensa nos álbuns de Tintim, como "Tintim no Tibete" e "Perdidos no Mar", e criado algumas cenas cômicas em diversas aventuras do repórter.

Além de Hergé, Martin trabalhou ao lado de Edgar P. Jacobs, Bob de Moor e Willy Vandersteen. Juntos, eles são considerados os cinco grandes mestres da Linha Clara.

Depois de Alix, que teve dezenas de volumes mas só 19 desenhados por ele, Martin também criou Guy Lefranc, um jornalista aventureiro que teve sua primeira história publicada em 1954, também na revista Tintin. Martin não tinha a intenção de transformar "Lefranc" em série, tanto que desenhou apenas 3 edições. Mas, o sucesso do personagem motivou o editor a encomendar novos volumes, então ele seguiu como roteirista por alguns números.

Apaixonado por História, Jacques Martin registrou diversas épocas com cuidado e precisão ao longo de suas criações: a Antiguidade Clássica com Alix, Kéos Orion; a Idade Média, com Jhen, o "Século das Luzes", em Loïs, a Era Napoleónica em Arno, e finalmente seus próprios dias, com Lefranc.


Jacques Martin foi bastante premiado ao longo da carreira. Ele se dedicou por muito tempo aos roteiros, em especial quando passou a ter problemas na visão, chegando à quase cegueira. O quadrinista escreveu sozinho os roteiros de Alix até 2005 e com outros autores até 2009.

Diferente de Hergé,  ele queria que sua obra continuasse, e deixou alguns aprendizes e sucessores, garantindo a publicação da obra por outras mãos tão talentosas quanto.

 Jacques Martin faleceu em 2010, aos 88 anos de idade, deixando cerca de 120 álbuns publicados.

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01 setembro, 2021

Clube do Livro Tintinófilo - Volume 3: Tintim na América


Na terceira edição do Clube do Livro Tintinófilo, o álbum da vez foi "Tintim na América", em que Tintim viaja para os Estados Unidos para lutar contra gangsters e defender os nativos norte-americanos. A aventura foi publicada originalmente a partir de 1931 no Le Petit Vingtième, e ganhou sua primeira edição em álbum em 1932.

Aqui debatemos sobre as inspirações do autor, o contexto histórico dos EUA nos anos 1930, as modificações sofridas pelo álbum em suas diferentes edições, além de um comparativo entre os quadrinhos e a adaptação para a TV, produzida pela Nelvana nos anos 1990.

Como bônus, conhecemos ainda alguns itens da coleção do tintinófilo brasileiro Manoel Marques. A edição está mesmo imperdível!

O encontro aconteceu em 18 de julho de 2021. A cada mês o clube se reúne, sempre para um bate-papo a respeito dos álbuns de Hergé, em ordem cronológica. Se você também é fã de Tintim, inscreva-se através de mensagem direta nas redes sociais do TPT e participe.


Links relacionados:

Bruno Rodrigues (organizador do clube)
Britto (fundador do TPT) no Twitter
TPT no Instagram
TPT no Facebook

E não perca a próxima edição (em duas partes): Os Charutos do Faraó!

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27 agosto, 2021

Asterix enfrenta o Coronavírus em álbum inédito lançado pela Record

A Editora Record surpreendeu os fãs brasileiros de quadrinhos europeus com o lançamento inédito de um álbum de Asterix, após cinco anos sem publicações no Brasil.

Asterix e a Transitálica é o 37° número da coleção protagonizada pelos irredutíveis gauleses, que já venderam mais de 355 milhões de exemplares pelo mundo. O álbum é assinado pelos talentosos Jean-Yves Ferri e Didier Conrad, responsáveis pelas histórias dos gauleses desde o número 35, "Asterix entre os Pictos".

O volume que está sendo lançado agora  chamou a atenção do público BDéfilo no início da pandemia, quando bombaram posts nas redes sobre um personagem com nome bem peculiar: Coronavírus. Vale destacar, porém, que o nome não tem nada a ver com a covid-19, já que a a aventura foi publicada originalmente em 2017.

Em contato com a editora, apurei que um novo volume já está confirmado para 2022. Os álbuns lançados até o momento também estão disponíveis para a venda. Então, pode se animar para concluir ou começar sua coleção! 



Sinopse:
Apesar do que Obelix possa pensar, os itálicos, habitantes de Itália, não são todos romanos, pelo contrário! Assim como os irredutíveis gauleses, os itálicos pretendem preservar a sua autonomia e veem com maus olhos as veleidades de conquista de Júlio César e das suas legiões. Para acalmar os ânimos, César decide promover uma corrida de bigas com representantes de todo o Império. Mas, como não podia deixar de ser, o monarca quer que um romano vença. É uma tarefa fácil para quem tem o senado no bolso. Com a ajuda de um senador inescrupulos, César tenta forçar a vitória do corredor mascarado, Coronavírus Mas nossos heróis têm outras ideias. Famosos pelas suas numerosas viagens através do Mundo Conhecido, Asterix e Obelix embarcam, desta vez, em uma aventura emocionante à descoberta de uma Itália surpreendente e antiga!

Sobre a série: Embora já tenha rivalizado com Tintim, Asterix e Obelix têm todo mérito pelo seu sucesso estrondoso ao redor do mundo. Criada pela dupla Albert Uderzo e René Goscinny, a primeira história das Aventuras de Asterix, O Gaulês foi publicada na página da 20 da revista Pilote em 1959. A história dos Irredutíveis Gauleses foi um sucesso imediato e a revista vendeu mais de 300 mil exemplares. Tamanha popularidade rendeu, em 1961, a publicação do primeiro álbum solo: Asterix, o Gaulês. Desde então, Asterix não para de crescer: são mais de 30 álbuns traduzidos para 107 idiomas, mais de 10 filmes e um parque temático!

No Brasil, as aventuras de Asterix são publicadas pela Editora Record (que também já foi responsável pela distribuição de Tintim) desde 1980. Em 2015 foi publicado o último álbum antes deste,  "O Papiro de César", e a partir de então começou um hiato provocado pela disputa pelos direitos aqui no país. A Panini entrou em jogo e segurou os direitos por alguns anos, até que agora, finalmente, a obra volta às mãos da Record que, diga-se de passagem, fez um bom trabalho nas edições anteriores.

Atualização: de acordo acordo o UHQ, o plano da editora brasileira é lançar um álbum a cada seis meses por aqui, bem como relançar os números anteriores à medida que forem esgotando.




Sobre os autores:

Didier Conrad nasceu em 6 de maio de 1959 na cidade de Marselha. Tornou-se conhecido por sua série Les Innommables, nos anos 1980. Em 2012, foi anunciado como sucessor de Albert Uderzo para assumir a publicação de Asterix juntamente com o escritor Jean-Yves Ferri.

Jean-Yves Ferri nasceu em 20 de abril de 1959 na cidade de Argel. É roteirista de histórias em quadrinhos e escritor, tendo publicado mais de 10 obras e recebido o Grand Prix de L'Humour Noir (2005) e o Prix Jacques Lob (2008). Em 2012, foi anunciado para assumir a publicação de Asterix juntamente com o desenhista Didier Conrad.
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04 julho, 2021

Clube do Livro Tintinófilo - Vol. 2: Tintim no Congo


A segunda edição do Clube do Livro Tintinófilo, já está no ar! Depois do bate papo sobre Tintim no País dos Sovietes, o grupo que compõe o primeiro clube virtual de leitura de álbuns de Hergé se reuniu para falar sobre "Tintim no Congo".

O encontro aconteceu no dia 20 de junho de 2021, e contou com a presença do tradutor e tintinólogo Pedro Bouça, que deu uma aula sobre a História do Congo. Recebemos também a convidada Mariana Pacheco, que escreveu uma tese de mestrado sobre os três primeiros álbuns de Tintim em preto-e-branco, e contribuiu muito com a discussão, ao lado de diversos tintinófilos.

Assista e aproveite para se inscrever no Canal TPT,, que em breve tem mais:


O Clube do Livro é uma iniciativa de Bruno Rodrigues, com o apoio do Tintim por Tintim. Todo mês nos reuniremos via Zoom para um debate sobre cada um dos 24 álbuns de Hergé, em ordem cronológica. Para participar, é necessário informar seu e-mail através de mensagem privada nas redes do TPT e do organizador Bruno Rodrigues.

No dia 18 de julho, nos reuniremos novamente, desta vez para discutir sobre o terceiro álbum de Hergé, que finalmente realizou o desejo do cartunista de levar seu herói aos EUA. Então, comece a ler (e assistir!) "Tintim na América" e prepare-se para embarcar nesta aventura com a gente!



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01 junho, 2021

Clube do Livro Tintinófilo - Vol. 1: Tintim no País dos Sovietes


Primeira edição do Clube do Livro Tintinófilo, um evento mensal que reúne fãs Tintim para debater sobre os álbuns de Hergé. No encontro virtual realizado em 23 de maio de 2021, o tema do mês é a aventura de Tintim "No País dos Sovietes", publicada em 1929 no jornal Le Petit Vingtiéme. 

O encontro é uma iniciativa do tintinófilo Bruno Rodrigues com o apoio do Tintim por Tintim. O convidado Bruno Porto introduz a transmissão com um panorama sobre a obra de Georges Remi, o Hergé, e na sequência os participantes trocam ideias sobre os destaques, pontos altos e baixos desta que foi a primeira viagem internacional de Tintim.

Assista e aproveite para se inscrever no Canal TPT:


A ideia do Clube do Livro é que, mensalmente, nos reuniremos via Zoom para um bate-papo sobre cada um dos 24 álbuns de Hergé. Com base nos votos do público, decidimos por iniciar a leitura em ordem cronológica, sendo assim, começamos por "No País dos Sovietes" e seguiremos até "Tintim e a Alfa-Arte". A inscrição é realizada através de email ou mensagem privada nas redes do TPT e do organizador Bruno Rodrigues.

Em junho, nos reuniremos novamente, desta vez para discutir sobre o polêmico segundo álbum de Hergé, "Tintim no Congo". Vá se preparando!

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27 maio, 2021

Entrevista com Nick Rodwell revela outra face do chefão da Moulinsart


Nick Rodwell sabe que é odiado por alguns jornalistas e que há um cheiro de hostilidade em relação a ele no ar. Pronto para enviar seus advogados ao front quando a imagem de Tintim está sujeita a ser arranhada, o chefe da Moulinsart atraiu a ira de todo o planeta, que viu, em suas ações, apenas uma abordagem mercantil, brutal, propensa a distanciar as crianças da magnífica, única e sublime obra de Georges Remi, ou Hergé.

Com essas palavras a revista La Libre Belgique introduz uma matéria de quatro páginas de entrevista com o administrador da Moulinsart S.A., empresa que gere os direitos universais  da obra de Hergé. Mas, a mesma matéria parece tentar mostrar o outro lado do "homem mais odiado da Bélgica", ao apresentar uma biografia do marido da viúva de Hergé e revelar aspectos de sua vida pessoal, desde a abstinência ao álcool até o vegetarianismo, passando por suas preferências musicais e artísticas. Curiosamente, aliás, Rodwell não tem Hergé como seu artista favorito, mas sim o pintor Modigliani. 

Nick Rodwell casou-se com Fanny Remi, viúva de Hergé, em 1993. A partir dali, assumiu para si o dever de "proteger e promover a obra de Hergé", como ele faz questão de repetir em toda e qualquer entrevista. Como a reportagem destaca, ao longo de quase trinta anos Rodwell empregou toda sua energia para que a imagem de Tintim permanecesse intacta, mesmo que a sua própria fosse danificada. Por conta de tantas críticas da mídia e das redes sociais, 'recusa a maioria das entrevistas'. Nesta, porém, ele revela sua trajetória desde a infância até a vida escolar, e seus planos para o futuro de Tintim.

Um pouco do passado


Como você descobriu Tintim?

"Quando eu tinha 29 anos, fui a Paris para aprender francês. Minha antiga namorada estava de férias em Portugal. Ela me enviou um cartão-postal explicando que ela tinha uma camiseta com Milu. Comprei um álbum de Tintim, descobri o nome da Casterman, fui para a sede deles na rue Bonaparte em Paris, de onde fui enviado para Tournai, onde conheci Pierre Servais, o homem que mudou minha vida. Conheci Alain Baran, secretário do Hergé, e Viviane Rousie, da Éditions du Lombard, que cuidava do merchandising. E tudo começou assim ... Eu me ofereci para ser o agente deles na Inglaterra. Todos acharam a ideia muito boa. E abrimos uma loja em Londres. Vendíamos cartões-postais e cartões de felicitações, depois camisetas... Não havia livro sobre Hergé em inglês. Traduzi o escrito por Philippe Godin e Jean-Manuel Duvivier. Eu digitei e editei este livro em 5.000 cópias. E vendemos tudo."

Você lia os álbuns de Tintim?

"Não, eu sou da geração da televisão. Descobri Tintim aos 7 anos, graças à série de animação Belvision...Mas eu não tinha lido os álbuns. Eu os li quando tinha 30 anos."

Qual é o seu álbum favorito? 
Não tenho preferência. O álbum favorito de Fanny é Tintim no Tibete porque sua relação com Hergé, ou melhor, com Georges Remi, começou quando ele estava no processo de produção.

Como você conheceu Fanny, a segunda esposa de Georges Remi?
"A partir de 1983, fiz muitas viagens entre Bruxelas e Londres, tornei-me bastante amigo de Alain Baran e de Jean-Manuel Duvivier. Havia passado seis meses após a morte de Hergé. Eu não conhecia Fanny. Em 1986, o pavilhão belga da Expo universal em Vancouver foi uma representação de 'Explorando a Lua'. Tudo foi organizado por Bob de Moor, que trabalhou 35 anos com Hergé. Bob foi para lá com Alain Baran e Fanny. Então Alain Baran me pediu para ir com ele até Los Angeles, onde ele tinha ido com Fanny para encontrar Steven Spielberg, que havia contatado Hergé em 1982... Eu estava com amigos, cheguei de camisa branca, jeans, tênis. Alain Baran e Fanny estavam em trajes de gala. Foi a primeira vez que encontrei Fanny. Para mim foi um grande momento. Nossa história foi formada gradualmente. E em 1 ° de janeiro de 1990, me mudei para Bruxelas para morar com Fanny."

E, muito rapidamente, você quis colocar alguma ordem... 
"Fiz uma auditoria da situação e entendi que não era tão boa, ainda que Tintim tivesse um enorme potencial. Percebi que o trabalho do Hergé não estava bem protegido. A revista Tintin havia se tornado um verdadeiro desastre. No ano seguinte, Alain Baran - que tinha um conflito de interesses... - e todos os outros foram embora. Eu me encontrei no escritório da Avenida Louise, sozinho com a recepcionista. Recomecei do zero."

Eles saíram ou você os despediu?
"Foi o auditor da empresa que pôs Alain Baran para fora. Alain sempre se manteve fiel ao trabalho de Hergé. A gestão era outra coisa. Ele tentou relançar a revista Tintin, mas não deu certo".

Alain Baran, então secretário de Hergé, e Fanny, viúva do artista

Polêmicas do presente


Sua chegada e sua obsessão, no sentido de proteger a obra de Hergé, têm sido muitas vezes duramente criticadas...
"Eu estava ali para defender os interesses de Fanny. Quando Hergé morreu, deixou todo seu legado para Fanny. Se ele legou tudo a ela, não cabia a mim permitir que outros roubassem coisas que não lhes pertenciam. Tentei recuperar tudo para ela porque era ela quem representava Hergé e a sua obra. Eu sou um homem como qualquer outro, eu trabalho pela minha esposa..."

Neste ponto, Rodwell comenta sobre os problemas com as autoridades fiscais da Bélgica, que segundo ele exigiam enormes taxas pela herança de Fanny, o que motivou a partida do casal para a Suíça. 

"Eu percebi que os direitos de Fanny estavam sendo violados... Eu não estou aqui para ganhar dinheiro. Estava lá para proteger Fanny e a obra de Hergé. E para promovê-lo. Seremos julgados cinquenta anos após sua morte. Hoje não. Veremos então se fiz um bom trabalho para proteger a obra de Hergé. Ou não. Quando você tem poder e dinheiro, você é sempre criticado. Você tem que conviver com isso... Às vezes, para chegar lá, você tem que limpar ou atacar. É o que eu faço."

Mesmo que isso signifique atacar simples pesquisadores que querem apenas estudar a obra de Hergé?

"Você pode escrever o que quiser sobre Tintim e Hergé. Tudo. Mas, se quiser usar os desenhos, é obrigado a passar por nós. Nós respeitamos as leis. Para usar os desenhos de Hergé, você precisa de permissão. Aceitamos todos os pedidos se forem bons projetos..."

A reportagem relembra que nem todos os processos tiveram um final feliz para a Rodwell, a exemplo do caso de Xavier Marabout, que teve o direito de parodiar Hergé em suas obras reconhecido pela corte de Rennes. A Moulinsart foi condenada a pagar dez mil euros de indenização por difamação, já que as artes foram enquadradas na exceção de paródia. Sobre o caso, o empresário afirmou que está considerando se deve recorrer, conforme nota divulgada no site oficial Tintin.com.

Uma das artes de Xavier Marabout inspiradas no estilo de Edwar Hopper.
Artista venceu processo movido pela Moulinsart S.A.

Quando o assunto é o valor artístico e comercial de Tintim, Rodwell é enfático: "O trabalho de Hergé não é só de Tintim", e destaca a exposição do Grand Palais, em Paris, que alçou a obra de Hergé ao nível de Hopper ou Picasso. "A exposição do Grand Palais foi para Quebec, Dinamarca, Seul. Em breve estará em Xangai e depois em Lisboa."


Respondendo sobre vendas recordes das pranchas de Hergé em leilões, Rodwell desabafa: "Não era isso que procurávamos. Buscamos posicionar a obra Hergé entre a banda desenhada belga e a arte contemporânea". Para ele, isso não afasta Tintim das crianças, já que os álbuns são "a alma da obra" e continuam sendo vendidos "em todo o mundo em qualquer supermercado ou livraria, podendo ser emprestados em bibliotecas".

Acha que as pranchas deveriam voltar ao Museu Hergé?
"Temos um pequeno problema, não com a Casterman, mas com alguns membros da família Casterman que vendem regularmente as pranchas que lhes foram dadas. Quando fizemos o desenho animado de Quick e Flupke, Fanny e Alain Baran ofereceram duas pranchas de Quick e Flupke aos Castermans para agradecê-los. Uma delas agora está pregada na casa do meu vizinho na Suíça: ele a comprou durante um leilão! ... Guy Dessicy, amigo de Hergé, havia recebido quatro pranchas de Hergé, para suas filhas: cada uma dessas pranchas foi vendida e permitiu que cada criança comprasse uma casa! ... Então, sim, nos magoamos com essas práticas, às vezes ficamos irritados, até agressivos. Um exemplo? A capa do Lótus Azul nunca pertenceu à família Casterman, e isso está provado. Deveria ter sido exibida no Museu Hergé ou emprestada ao museu para sempre. Mas essa capa foi vendida por 2,6 milhões de euros no início deste ano. A família Casterman vende o que foi presenteado e também o que foi roubado. Este é o principal problema. Nós conhecemos o culpado. Para nós, é como um estupro intelectual, uma desonestidade absoluta. Está completamente além de mim."


O que esperar do futuro


Milhões de pessoas, com idades entre 7 e 77 anos, adorariam ler as novas aventuras de Tintim. Por que não confiar a um talentoso roteirista a tarefa de imaginar um novo álbum?
"Porque Hergé disse que não queria que isso continuasse depois dele. Respeitamos seus desejos."

Haverá algum novo filme de Spielberg?
"Não é fácil negociar com os estúdios americanos. Eles têm os direitos e são obrigados a fazer um filme a cada cinco anos e podem renovar a opção a cada dois anos. O segundo filme será dirigido por Peter Jackon... Ele fará o próximo filme. Mas não sabemos quando..."

Patrice Leconte vai dirigir “As Jóias da Castafiore?"
"Ele tem dois produtores charmosos e dinâmicos, mas atualmente todos os direitos estão bloqueados. Talvez eu tente encontrar uma maneira de realizar uma série."


Como está Fanny, sua esposa?
"Ela tem a doença de Alzheimer há vários anos". Rodwell revela que, seguindo um conselho da ex-ministra da saúde da França, Fanny decidiu interromper o uso de medicamentos ineficazes e utilizou o dinheiro recuperado para financiar o apoio a pessoas com Alzheimer. "A única coisa a fazer é acompanhar essas pessoas. É o que faço com Fanny, o tempo todo, todos os dias. Ela vive em casa... você tem que se proteger quando acompanha uma pessoa que sofre desta doença."


Embora seja alvo de duras críticas ao longo de décadas, durante toda a entrevista Rodwell demonstra um grande zelo pela esposa e continua defendendo sua forma de atuação à frente da Moulinsart: "A obra de Hergé jamais foi tão conhecida e bem protegida: tem um museu, as exposições, os filmes. Eu fico chateado porque as pessoas nos criticam o tempo todo". Neste ponto, ele faz uma analogia ao príncipe Phillip, da Inglaterra, que ganhou uma nova imagem diante do público depois da série "The Crown". Ele não acredita que será visto de forma diferente mesmo depois que morrer, mas desabafa: "Me pergunto o papel da mídia na construção de uma imagem".

Nick Rodwell está escrevendo um livro em resposta às críticas sobre seu trabalho. "Trust but verify" (confie, mas verifique) é o título, além de sua frase favorita.
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16 janeiro, 2021

Nick Rodwell anuncia livro em resposta às críticas sobre seu trabalho à frente da Moulinsart


Todo mundo que conhece um pouco mais sobre os bastidores de Tintim já deve ter escutado este nome. Nick Rodwell é o administrador da Moulinsart S.A., antiga Fundação Hergé, empresa que gere os direitos da obra do artista belga desde 1987. Casado com a viúva e legatária universal de Hergé, Fanny Vlamynck, o empresário britânico geralmente aparece nos noticiários quando o assunto envolve alguma polêmica, como a proibição de paródias ou a caça a qualquer trabalho (com ou sem fins comerciais) que traga alguma referência retirada dos originais do autor belga.

Agora com 68 anos, Rodwell ressurge na mídia para anunciar o lançamento de um livro sobre sua história no comando da gestão dos direitos de Hergé. Em entrevista à revista Paris Match, o diretor da Moulinsart revelou o título do livro: "Trust but verify" ("Confie, mas verifique"), em inglês mesmo (dizem as más línguas que seu francês ainda é ruim). Ele pretende contar a verdade por trás das polêmicas envolvendo seu nome e assim responder a todos aqueles que o criticam. O artigo revela que continua fora dos planos do empresário lançar um novo Tintim, pelo contrário, no livro, ele vai "contar como fazemos um herói viver durante décadas sem a menor novidade".

Na foto, Nick Rodwell aparece ao lado da filha de Zhang Chongren, amigo de Hergé que inspirou a criação do personagem Tchang. Paris Match, 14/01/2021.

No final do ano passado, Fanny Rodwell, que tem 86 anos, foi diagnosticada com Mal de Alzheimer. Com isso, anunciou sua aposentadoria e renunciou ao posto de presidente do conselho da Moulinsart, passando todo o comando para o marido a partir de 18 de setembro de 2020. A diferença já começou a ser percebida em outubro, quando evidentemente houve uma mudança no comando das mídias sociais da marca Tintin, que deixou de seguir qualquer perfil nas redes e passou a ter mais atividade no site oficial, tintin.com

Um pouco de História

O empresário britânico foi proprietário da primeira Tintin Shop do Reino Unido, e casou-se com a sra. Fanny dez anos após a morte de Hergé, em 1993. Convencido de que Tintim era o equivalente ao "Rolls Royce dos quadrinhos", Rodwell sempre declarou que seu único interesse seria "promover e proteger" o legado de Hergé. Assim, eliminou o excesso de licenciamentos, que na gestão de Alain Baran (secretário do então Studios Hergé, considerado um filho adotivo do artista) fez Tintim estampar brinquedos, roupas e produtos alimentícios, para reorientar o uso da imagem do repórter como algo mais artístico, elevando a obra ao nível de marca de grife... inclusive nos preços.

Foi Rodwell, por exemplo, quem tornou real o desejo de sua esposa de inaugurar um museu totalmente dedicado a Hergé, em 2007. Também foi ele quem retomou o contato com Steven Spielberg por volta dos anos 2000, para finalmente renovar os direitos de adaptação para o cinema - e o empresário promete contar detalhes sobre os bastidores dessas negociações em seu livro. Aliás, vale mencionar que Rodwell não teria feito nenhuma grande exigência para a versão hollywoodiana de Tintim, mas deu liberdade total a Spielberg, como o próprio cineasta deixou claro em 2011: "eles não nos forçaram a fazer uma adaptação literal".

Fanny Rodwel, viúva de Hergé, e seu marido Nick, atual CEO da Moulinsart S.A.

Ao longo dos anos, Rodwell teve alguns embates com artistas, escritores, lojas, museus e jornalistas que criticaram seu método de trabalho. Houve um desgaste até mesmo a Casterman, editora de Tintim há quase 90 anos. Em 1997, durante o Festival de Angoulême, um grupo de tintinólogos, incluindo o comediante Albert Algoud, o crítico de arte Pierre Sterckx e o biógrafo Benoît Peeters, denunciaram publicamente o que chamaram de "abuso de poder". Foi o bastante para entrarem na "lista negra" da Moulinsart, sendo impedidos de acessar os arquivos de Hergé e até de grandes exposições.

Em 2009, o britânico abriu um blog no site oficial de Tintin, com o único propósito de se defender de seus críticos. Mas, foram tantos insultos e ofensas pessoais que a própria Moulinsart o aconselhou a excluir o blog, o que fez com que ele rompesse com parte da imprensa e passasse anos sem dar uma entrevista. Na ocasião do encerramento do blog, meses depois, foi prometido um livro com a mesma temática: a defesa de Nick Rodwell contra seus detratores. Embora o clima ruim tenha amenizado por um tempo, em 2020 ele voltou a o usar o site para se defender, mais uma vez fazendo ataques pessoais, agora ao biógrafo Pierre Assouline, que havia feito duras críticas à sua gestão.

Sobre ser visto como "inimigo público", Rodwell se defende: "A maior parte desse tipo de conversa é vil. Claro que me toca. Ninguém gosta de ser criticado. Aprendi a levar isso muito filosoficamente. Eu ignoro esses ataques. Caso contrário, ainda valeria a pena acordar de manhã? Assim que somos ativos e conquistamos coisas, somos criticados! É inevitável. O importante é o trabalho do Hergé, não eu!"

Nick, como é chamado pelos mais próximos, conta que decidiu "tirar um ano sabático para se dedicar a este projeto". O livro, que está sendo escrito desde 2009, tem lançamento previsto para 2022.

Links recomendados:

Telerama: L'héritage Hergé, c'est Tintin dans le lac aux requins - longa matéria de 2011 sobre as polêmicas envolvendo jornalistas, escritores e tintinólogos ao longo de décadas. A arte que ilustra o início do artigo vem desta matéria.

BD Paradiso: Contrôle de l'oeuvre ou abus de pouvoir? - página de arquivos da conferência de 1997, abordando o que foi chamado de "abuso de poder" sobre a obra de Hergé.

ActuaBD: Nick Rodwell : « Spielberg m’a dit droit dans les yeux : je veux le faire ce film » - uma entrevista com Nick Rodwell na época do lançamento do filme de 2011.

ActuaBD: Moulinsart ferme le blog de Nick Rodwell -em  2000, a Moulinsart anuncia fim do "Nick's blog" e projeto de livro.

Wikipedia: Nick Rodwell - verbete em francês sobre a trajetória do empresário

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Site oficial de Tintim

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