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Globo Livros lança réplicas das versões originais de Tintim

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Série inédita baseada em "O Lótus Azul" é transmitida no rádio

PELA PRIMEIRA VEZ EM CORES

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AS ATADURAS DE TINTIN

Infográfico reúne todas as pancadas que Tintim já levou

TPT ENTREVISTA ISAAC BARDAVID

Assista o bate-papo com o dublador do Capitão Haddock

TPT ENTREVISTA O PRIMEIRO TINTIM DO CINEMA

Jean-Pierre Talbot fala tudo sobre os únicos filmes de Tintim com atores reais

70 ANOS DO JOURNAL TINTIN

Publicações e eventos marcam o aniversário da revista

TPT ENTREVISTA O DUBLADOR DE TINTIM

Oberdan Jr conversa com o blog em vídeo de duas partes. Confira!

domingo, 31 de janeiro de 2016

Os esquecidos: 2 (+ 1) Criações de Hergé que fazem aniversário em janeiro

Eu não disse que janeiro era um mês de festa? Além de Tintim e Milu, que completaram 87 anos no dia 10 de janeiro, do Capitão Haddock, que fez 75 anos no dia 2, e de Bianca Castafiore que, embora não pareça, teve suas 77 primaveras comemoradas no dia 5, há outras criações de Hergé fazendo aniversário no primeiro mês do ano. Infelizmente, os donos da obra não prepararam nenhum evento para marcar as datas, mas o TPT não esqueceu, e relembra aqui algumas datas marcantes para os fãs de Hergé:

11 de janeiro de 1947: Nesta data, o primeiro longa-metragem baseado na obra de Hergé fez sua estreia na Bélgica. O Caranguejo das Tenazes de Ouro foi uma adaptação bastante fiel ao álbum. Realizada em stop-motion, com bonecos representando os personagens, teve apenas duas exibições ao público, graças à falência do produtor. Infelizmente, o resultado do longa não agradou a Hergé, que demorou para aprovar uma nova animação de Tintim para os cinemas. Seria este um motivo para o filme ser esquecido?! Conheça detalhes e curiosidades sobre a animação aqui.

19 de janeiro de 1936: Depois de criar Tintim, Hergé recebeu uma encomenda inusitada de um periódico católico francês. A revista Cœurs Vaillants pediu que o autor criasse uma versão do repórter mais próximo da realidade dos leitores, entenda-se: com uma família. Foi assim que nasceram Jo, Zette e Jocko (conhecidos em português como Joana, João e o macaco Simão), que agora completam 80 anos sem nenhuma comemoração. A saga do casal de irmãos e seu chimpanzé de estimação rendeu cinco aventuras, mas acabou porque Hergé estava descontente com a situação constrangedora que se repetia: os pais dos meninos viviam preocupados com os perigos em que eles se metiam. Por essas e outras, Hergé afirmou que Tintim tinha sorte de ser órfão.


O TPT já falou sobre a origem e a trajetória de Jo, Zette e Jocko. Saiba mais.

23 de janeiro de 1930: Um ano depois de enviar seu repórter à Rússia Soviética, o Le Petit Vingtième apresentou aos jovens belgas uma dupla de garotos travessos de Bruxelas: Quick e Flupke (também conhecidos como Quim e Filipe). Com mais de 300 episódios em páginas duplas, as desventuras dos dois moleques giravam em torno de situações do cotidiano, bem familiares às crianças da época. As historinhas sempre tinham a participação do Agente 15, um policial muito parecido com os Dupondt, em todos os sentidos. Quick e Flupke chegaram a fazer pequenas aparições em álbuns de Tintim, como  em "Tintim no Congo", e ganharam até animação nos anos 1980. No Brasil, o lançamento de dois álbuns caprichados ocorreu em 2013, pela Globo Livros.


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sábado, 30 de janeiro de 2016

Dia do Quadrinho Nacional: Tintim no Curumim

30 de janeiro é considerado no Brasil como o Dia do Quadrinho Nacional. A origem da comemoração está na data de publicação da primeira história em quadrinhos brasileira: "As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Côrte", do cartunista Angelo Agostini. Publicada em 1869 no jornal Vida Fluminense, a HQ - ou BD - foi apenas a primeira de uma série de títulos em arte sequencial lançados desde então no país.

Em terra de Turma da Mônica, Menino Maluquinho, Turma do Pererê e do Xaxado, As Aventuras de Tintim também tiveram seu espaço, especialmente nos anos 1970, quando os álbuns de Hergé fizeram muito sucesso por aqui. De lá pra cá, muitos quadrinistas brasileiros se inspiraram no jovem repórter, ou prestaram homenagem nas páginas de seus quadrinhos - como Mauricio de Sousa, em uma edição de Cascão - saiba mais.


Tintim também ganhou homenagem nas páginas do "Curumim", suplemento infantil do jornal amazonense Em Tempo.  Quem dá nome ao jornalzinho é um pequeno índio criado pelo cartunista Mário Adolfo há 30 anos. Conhecido como "o último herói da Amazônia", o Curumim dedicou a capa da edição de maio de 2015 a Tintim. Além de trazer várias curiosidades sobre a obra máxima de Hergé, o jornal traz uma entrevista comigo, falando sobre o blog Tintim por Tintim. Confira abaixo a versão online.

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Roteirista de 'Tintim 2' não sabe o status do filme

Recentemente, o The Guardian realizou uma sessão de perguntas e respostas com o escritor Anthony Horowitz. Responsável por trabalhos como a série de livros Alex Rider e dois romances oficiais de Sherlock Holmes, Horowitz foi anunciado como roteirista da sequência do filme "As Aventuras de Tintim" (2011). "O Templo do Sol" chegou a ser anunciado como álbum que serviria de base para o roteiro, mas a informação foi negada tempos depois. Agora, pouco se ouve falar no segundo filme.


Com o atraso do início da produção, fica a dúvida se o segundo longa da prometida trilogia realmente acontecerá. Foi baseado nisso que um leitor questionou se o filme será feito, quando, em quais álbuns se basearia, se o Prof. Girassol seria realmente apresentado e se seria mais fiel ao primeiro. Apesar da enxurrada de perguntas, Horowitz não tinha muito o que responder:

"Não faço a menor ideia. De qualquer forma, como eu estava trabalhando no filme, eu não estaria autorizado a dizer alguma coisa. Mas, para ser sincero, não vejo Peter Jackson há um ano, e não tenho ideia se o próximo filme de Tintim ainda está sendo feito".

Vale mencionar que, em meados de 2015, o roteirista afirmou via Twitter que podia estar fora do projeto. Saiba mais.

Respondendo a outro leitor, Horowitz voltou a afirmar que Tintim foi sua inspiração para se tornar escritor. "Eu sonhei em ter aventuras como as dele, e fazer amigos bizarros ao redor do mundo", disse ele. "Livros tornaram-se extremamente importantes para mim na minha adolescência, e quando eu estava na escola ... que não é um lugar muito agradável ... os livros definitivamente uma tábua de salvação". Além da obra de Hergé, o escritor citou Willard Price, Roald Dahl e Ian Fleming - criador de James Bond, que ganhou um novo livro assinado por Horowitz.

Será que ainda veremos o roteiro de Anthony Horowitz transformado em filme?
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Nova animação de Tintim é adiada - e mais notícias...

O site oficial de Tintim encerrou o ano prometendo novidades para 2016. No artigo, a Moulinsart anuncia um ano "cheio de projetos" e "grandes eventos culturais sem precedentes". Além da exposição em Londres, que termina em 31 de janeiro, a empresa que administra o espólio de Hergé começa a divulgar essas novidades. Porém, para quem está aguardando a nova animação de Tintim para TV, a notícia não é tão boa... Confira a seguir.


:: O Grand Palais de Paris, em parceria com o Museu Hergé, vai dedicar uma grande exposição a Hergé entre 28 de setembro de 2015 e 15 de janeiro de 2016. A mostra reunirá desenhos originais, fotografias, pinturas e outros itens relacionados ao criador de Tintim.

Como uma retrospectiva da vida de Hergé, a exposição será uma jornada através de temas como a família do cartunista, artistas que embalaram sua infância e marcaram seu desenvolvimento artístico, o nascimento de Tintim, além de descobertas tecnológicas que pontuam as aventuras do jovem repórter. Fonte.


:: A Radio France Culture, a Comédie-Française e a Moulinsart anunciaram a adaptação radiofônica de mais 5 álbuns de Tintim. Depois de "Os Charutos do Faraó", foram confirmados episódios para o rádio baseados em "O Lótus Azul", "As 7 Bolas de Cristal", "O Templo do Sol", "As Jóias da Castafiore" e "O Caso Girassol".

A primeira "rádio-novela" de Tintim, em 5 episódios, será transmitida de 8 a 12 de fevereiro, às 20:30, horário de Paris. A sequência, com o mesmo número de episódios, está confirmada para o outono europeu deste ano. Mais detalhes aqui.

Eric Ruf (Comédie Française), Mathieu Gallet (Radio France), Nick Rodwell (Moulinsart); Foto: AFP


:: No dia 10 de janeiro, aniversário de Tintim, o Museu Hergé anunciou sua nova diretora, Anne Eyberg (foto abaixo). Funcionária da Moulinsart há quase 20 anos, Eyberg é formada em artes plásticas e design gráfico, e entrou para a empresa como designer gráfico do departamento de objetos. Nos últimos 10 anos, foi a responsável pela coordenação de parcerias. Segundo o site oficial de Tintim, "é com paixão que ela aceita este novo desafio".


Vale mencionar que o Museu Hergé, inaugurado há quase 7 anos, atraiu bem menos visitantes do que o esperado. Como estratégias para atrair o público, o museu tem entrada franca no primeiro domingo de cada mês, e vem realizando parcerias com outros museus na Europa, como as citadas acima.

Leia mais sobre o insucesso do Museu Hergé

:: A Moulinsart inicia o ano com uma nova coleção: "Lizez Tintin". Trata-se de uma série de estatuetas em chumbo com base em um belo cartaz criado por Hergé em 1946 para promover o lançamento do jornal Tintin, que completa 70 anos em setembro.

Ao longo do ano, réplicas do Capitão Haddock, Dupond e Dupont, o Professor Girassol e Milu também se juntarão à coleção. Cada item da série será limitado a uma tiragem de 2.000 unidades, acompanhadas de um certificado de autenticidade. A primeira peça tem 12,5 cm e custa 115 euros.


:: Em entrevista ao SudOuest, o diretor do estúdio francês Normaal informou que a nova animação para TV de Tintim não será mais realizada este ano. As mudanças na direção de duas emissoras essenciais para transmissão do conteúdo do estúdio (France Télévisions e Canal+) atrasaram o início de dois projetos, contou Alexis Lavillat. Um deles foi a série de "três ficções animadas e documentais" sobre a vida e obra de Hergé. "Não vai acontecer em 2016", confessou, garantindo que o projeto "não será afetado" pelo imbróglio jurídico em torno do legado de Hergé. 

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domingo, 10 de janeiro de 2016

87 anos: não faltam motivos para amar Tintim

Em 10 de janeiro de 1929, chegava às bancas a primeira aventura de Tintim e Milu, as mais famosas criações de Hergé. De lá pra cá, foram 23 álbuns em quadrinhos completos e um com esboços de seu criador, dois filmes de cinema com atores reais e dois em animação tradicional, um longa em 3D, várias animações para televisão, incontáveis produtos de vestimentas a objetos de arte... Enfim, Tintim e Milu têm quase um século de história, e a data de sua criação não deve passar em branco. Vida longa!


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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Bianca Castafiore, o Rouxinol Milanês

Bianca Castafiore apareceu pela primeira vez em 05 de janeiro de 1939, nas páginas do Le Petit Vingtième. Seu début aconteceu na página 12 de "O Cetro de Ottokar", então publicado semanalmente como "Tintin en Syldavie". Logo em sua estreia, a personagem já demonstra seu principal atributo, cantando um trecho da Ária das Jóias, da ópera Fausto, de Charles Gounod.

Assista a um clipe da Ária das Jóias abaixo

De origem italiana, como sugere seu nome, a diva da ópera tem 45 anos de idade, segundo com Hergé. O título "Rouxinol Milanês" vem de sua ligação com a casa de ópera La Scala, em Milão. O nome Bianca Castafiore significa, literalmente "branca casta-flor". É em sua homenagem que o Prof. Girassol batiza uma nova categoria de rosas brancas, no álbum que também leva seu nome.

Bianca está sempre acompanhada de sua camareira Irma e do pianista Igor Wagner. Irma faz sua estreia em "O Caso Girassol". Wagner aparece pela primeira vez no mesmo quadrinho de estreia da Castafiore, sem dar uma palavra. Ambos terão participação recorrente em outros álbuns, sendo o de maior destaque "As Jóias da Castafiore".



Inspirações

A primeira referência de Hergé para a criação da Castafiore foi sua tia Ninie, que embalou sua infância com um canto estridente acompanhado de piano. A performance não contribuiu para o gosto do jovem Georges Remi pela a música clássica. Na verdade, ela talvez o tenha levado ao total desinteresse pela ópera, que Hergé considerava uma forma de expressão artística bastante ridícula e além de credibilidade. "Ópera me aborrece, confesso, para minha grande vergonha", admitiu, em entrevista a Numa Sadoul. "Além do mais, me faz rir". A partir desse estereótipo, Hergé criou um arquétipo de cantora que faz rir.

Castafiore também teve forte inspiração na cantora lírica Maria Callas (1923-1977), conhecida como La Divina. Nos anos 1950, a renomada soprano norte-americana era presença certa nas páginas da Paris-Match, uma das fontes favoritas de Hergé. Apesar de não ter influenciado diretamente na criação de Castafiore - afinal, em 1939, ela ainda não tinha aparecido na mídia - Callas serviu de referência para Hergé no desenvolvimento da personagem para os álbuns posteriores. Por exemplo, o papel de Castafiore em "Perdidos no Mar", onde ela é convidada de honra no iate do Marquês de Gorgonzola, pode ser comparado ao romance de Maria Callas com o magnata grego Aristóteles Onassis, que também possuía uma famosa embarcação.

Outras cantoras da época são citadas como possíveis referências à criação da Castafiore, porém, as evidências são insuficientes. Renata Tebaldia (1922-2004), por exemplo, era muito jovem quando a personagem apareceu, enquanto Clara Clairbert (1899-1970) nunca cantou Marguerite em Fausto.

Maria Callas e Aino Ackté
Contudo, há um nome que pode, sim, ter servido de inspiração inicial para Hergé. Aino Ackté, soprano finlandesa (1876-1944), estreou em 1987 na Grand Ópera de Paris - que inspirou o visual do teatro de "As 7 Bolas de Cristal" - no papel de Marguerite. Ela venceu uma competição de ópera com Fausto, que gravou várias vezes, e ganhou fama internacional. Quando cantou  no Metropolitan, de Nova York, o fotógrafo oficial da ópera era um belga de nome Dupont, como um dos detetives de Hergé seria chamado pela primeira vez "O Cetro de Ottokar" - antes, a dupla era conhecida como X33 e X33-Bis.

Em 1912, Ackté lançou o festival de ópera  do castelo de Savonlinna (Olavinlinna), construção na Finlândia Oriental que foi uma das inspirações para a criação do castelo de Kropow, na Sildávia, e aparece no álbum de estreia de Castafiore. Não se sabe se Hergé realmente conheceu Ackté, seja pelas páginas das revistas e jornais, ou se assistiu a alguma de suas apresentações, o que não é improvável. Mas o fato é que a teoria é bastante convincente, e pode ser reforçada com mais uma possível coincidência: o nome da irmã de Aino era Irma.

Curiosidades

:: Bianca Castafiore aparece nos álbuns "O Cetro de Ottokar", "As 7 Bolas de Cristal", "O Caso Girassol", "Perdidos no Mar", "As Jóias da Castafiore", "Tintim e os Pícaros" e nos esboços de "Tintim e a Alfa-Arte". Sua voz pode ser "ouvida" no rádio em "O Ídolo Roubado", "Tintim no País do Ouro Negro" e "Tintim no Tibete", o Capitão Haddock imagina seu canto em "Voo 714 para Sydney" e menciona sua famosa ária em "Rumo à Lua".


:: Não é só uma rosa que leva o nome da cantora. Um asteroide descoberto pelo astrônomo belga Sylvain Arend em 1950 foi batizado como 1683 Castafiore.

:: A esmeralda que vira o centro das atenções no álbum "As Jóias da Castafiore" é um presente do Marajá de Gopal. O personagem, tido como um dos supostos pretendentes da cantora, não aparece nas aventuras de Tintim, mas tem grande participação em um dos álbuns de Jo, Zette e Jocko, "O Vale das Cobras".

:: Spoilers à frente: Apesar de conseguir quebrar um vidro à prova de balas no filme de Spielberg, nos álbuns Castafiore não vai tão longe. Hergé reconheceu a "limitação" da voz humana, mesmo a mais estridente, demonstrando isso na estreia da personagem, quando os vidros blindados do carro em que ela se encontra permanecem intactos, para alívio de Tintim.

"O Cetro de Ottokar", © Casterman/Hergé/Moulinsart
:: Bianca Castafiore já apareceu algumas vezes no cinema. Foi interpretada pela atriz Jenny Orléans no longa "Tintim e as Laranjas Azuis" (1964); teve uma participação no longa "O Lago dos Tubarões" (1972); no filme "As Aventuras de Tintim" (2011), a atriz Kim Stengel interpretou a personagem em captura de movimentos, e a soprano Renée Fleming gravou a canção de Castafiore no palácio de Omar Ben Salaad.

Jenny Orléans no filme de 1964 e a Castafiore de Steven Spielberg.
:: Curiosamente, no filme de 2011, a música cantada por Castafiore não é a Ária das Jóias, que está presente em todos os álbuns em que ela aparece. A personagem apresenta uma mescla de duas árias, entoando "Je jeux vivre", da ópera Romeu e Julieta, de Gounod, junto com a introdução de "Una voce poco fa", do Barbeiro de Sevilha, de Rossini.

:: No Brasil, a personagem foi dublada por Geisa Vidal na série da Nelvana e no longa de animação "O Lago dos Tubarões". No filme de 2011, ganhou a voz de Márcia Coutinho.

Evolução

Castafiore surgiu como uma mera personagem secundária, mas, parece que Hergé viu algum potencial na excêntrica cantora, cujas notas intimidam qualquer um. Não devemos julgar que Bianca cante mal - apesar dela passar por um momento obscuro em sua carreira, no segundo álbum em que aparece ("As 7 Bolas de Cristal"), quando canta em um show de variedades onde também se apresentam um ilusionista e um atirador de facas... Castafiore tem seu talento reconhecido ao redor do mundo, então, é possível afirmar que são apenas determinados personagens, como Milu, Haddock e o próprio Tintim, que não suportam seu estilo musical, refletindo o gosto de seu criador. O Capitão, desde a primeira vez que a escuta, 'lembra de um ciclone que se abateu sobre seu navio quando navegava pelo mar das Antilhas'...

Em "O Caso Girassol", Bianca Castafiore é descrita como "a mais célebre cantora", "sublime no papel de Marguerite", e tem como admiradores autoridades como o coronel Sponsz. É aqui que ela mostra sua coragem e lealdade, ao se arriscar para proteger os amigos do perigoso coronel, que é citado como um de seus possíveis affairs em "As Jóias da Castafiore". No álbum que leva seu nome, fica visível o afeto não correspondido do Prof. Girassol, que até nomeia uma de suas flores em homenagem à diva, e a cada vez mais forte aversão do Capitão Haddock à cantora, que nunca acerta seu nome. Ironicamente, os casal será envolvido em uma fofoca sobre um suposto romance - e casamento!


Ainda em "As Jóias da Castafiore", a dama da ópera é o centro das atenções, seja pela preocupação exagerada com suas preciosas jóias, seja pelo desfile de moda a cada cena, com direito a peças de estilistas famosos como Tristian Bior - uma referência ao francês Christian Dior. No álbum "Perdidos no Mar", ela se vê envolvida com o misterioso Marquês de Gorgonzola, um dos disfarces de Rastapopoulos, que deveria voltar a ter contato com ela em "Tintim e a Alfa-Arte", na pele do mago Endaddine Akass. Essa relação com figuras vilanescas termina em "Tintim e os Pícaros", sua última aparição oficial, quando Castafiore é feita de isca pelo general Tapioca e coronel Sponsz para atrair Tintim, Haddock e Girassol a San Theodoros.

O extenso e elegante guarda-roupas de Bianca Castafiore

Castafiore é a única mulher a ter algum destaque nas aventuras de Tintim. Hergé nunca focou em romances, nem se preocupou em incluir personagens femininas de grande relevância em suas histórias, o que até hoje gera acusações de misoginia. Mas, olhando para este único exemplar do "sexo frágil", vemos que Hergé criou uma uma mulher forte, à frente do seu tempo. Pode não ser bonita, mas de que importa a aparência, quando se é elegante, independente e competente no que faz?

Bianca Castafiore tem sentimentos, que são demonstrados desde o beijo de amizade no professor ("As Jóias da Castafiore"), até um abraço caloroso - rodeado de coraçõezinhos - quando é resgatada pelo Capitão ("Tintim e os Pícaros"). Mas, apesar dos muitos admiradores que coleciona, a cantora só tem olhos para uma pessoa, e sua ária favorita deixa isso bem claro: 'ah, eu rio ao me ver tão bela neste espelho...'

:: Escute agora a famosa "Ária das Jóias", da ópera Fausto, de Gounod, na voz de Bianca Castafiore:


Com informações da Wikipédia, Tintinologist.org, Tintin.com.
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sábado, 2 de janeiro de 2016

Capitão Haddock: 75 anos

No dia 02 de janeiro de 1941, nas páginas do Le Soir Jeunesse, surgia um dos mais queridos personagens das Aventuras de Tintim, o Capitão Haddock. A estreia do velho lobo do mar se deu na história "O Caranguejo das Tenazes de Ouro", que era publicada semanalmente em duas páginas no suplemento juvenil do jornal belga Le Soir.

"Encontro um desafortunado, nascido involuntariamente morto de bêbado, numa cabine do Karaboudjan. Acabei gostando dele e Tintim o reeducou", diria Hergé anos mais tarde. Archibald Haddock, que só teve seu primeiro nome revelado na última aventura de Tintim, teria sido batizado pela então esposa de Hergé, Germaine, que achava o hadoque (também conhecido como arinca) "um triste peixe inglês".


Hergé já tinha pensado no nome "Haddock" anos antes, como revelam anotações de 1938, mas o personagem ainda não tinha nascido naquela época. Seu verdadeiro começo foi mesmo há 75 anos atrás. No início Haddock é um "verdadeiro destroço", contou o criador em entrevista. Na última página, está convencido de que o álcool é o "inimigo mortal do marinheiro". Foi preciso um oceano, um deserto e um terrível pesadelo para levá-lo à redenção e ao posto de companheiro inseparável do herói da série.

Primeira aparição do Capitão Haddock, nas páginas do Le Soir Jeunesse.
Desde sua gênese, Haddock já mostrou a que veio. É na jornada pela "terra dos sedentos" que ele solta seus primeiros e famosos insultos, e é lá também que fica sóbrio pela primeira vez. A partir daí, o Capitão ganha uma dimensão que dificilmente se vê em qualquer personagem secundário de Tintim. O próprio Hergé admite que até Milu passou a ficar em terceiro plano."O Sancho Pança, que era Milu, foi transferido para o capitão Haddock", explicou várias vezes.

Com informações do site bellier,org e do livro "Hergé: Filho de Tintim" (Benoît Peeters, Verbo, 2007).
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