terça-feira, 19 de julho de 2016

Por que você deve ler "January Jones: Corrida Contra a Morte"

"A sucessora de Tintim", "a versão feminina de Indiana Jones"... só se fala nisso quando o assunto é January Jones, o novo lançamento da Avec Editora. Mas, como tintinófilo convicto e fã do arqueólogo, pude tirar a prova e ver que a criação de Martin Lodewijk e Eric Heuvel vai além de uma simples mudança de gênero de figuras icônicas da BD franco-belga e do cinema hollywoodiano. Ela tem potencial de sobra para dividir as prateleiras com qualquer herói e, de quebra, representar uma parcela de público que vem ganhando cada vez mais espaço, o feminino.

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Corrida contra a Morte é o título do primeiro álbum publicado no Brasil - já são 6 editados lá fora, e há mais por vir. Assim como em uma história de Tintim, a aventura não perde tempo para começar. Não temos grandes apresentações, então, é no decorrer das páginas que ficamos sabendo quem é January Jones: uma conhecida aviadora norte-americana, que faz mais do que simplesmente atravessar o Atlântico em tempo recorde.

Trabalhando contra os nazistas no período pré Segunda Guerra Mundial, ela tem uma missão e fará o possível para cumpri-la, com ou sem sua aeronave Havilland Comet, que acaba de ser misteriosamente abatida. Miss Jones embarca, então, no revolucionário carro Viragiro, e vai competir o Rali de Monte Carlo, prova que existe no mundo real desde 1911. Realidade, aliás, é o que não falta no quadrinho, que conta com inúmeras notas de rodapé para contextualizar o leitor - resultado da competente tradução de Paulo Henrique Tirre.

O enredo, porém, não é nada didático. Uma boa dose de humor dá o tom à jornada da aviadora, que passa por vários cenários hostis do velho continente, tentando escapar de espiões alemães, corredores trapaceiros... e do sono.  Só o final é um tanto corrido - talvez pelo número limitado de páginas, 48 -, porém, bem resolvido.

No princípio, fiquei em dúvida se essa seria uma história que valeria a pena. Jan - para os íntimos - trabalhando sozinha o tempo todo, com algumas ações questionáveis no início, não parecia a "sucessora de Tintim" que tanto falavam. Mas, à medida que alguns mistérios foram sendo esclarecidos e fui descobrindo sua personalidade e bom humor - ela é um tanto sarcástica e, por vezes, atrapalhada -, a personagem ganhou minha admiração. E a simpatia só aumentou com a inserção de Rik, seu parceiro mirim - quase uma versão do Short Round, de "Indiana Jones e o Templo da Perdição" (1984) -, e de alguns alívios cômicos na aventura. Ah, aqueles italianos...

Jan e seu novo parceiro, Rik.

Em um mundo completamente dominado pelos homens - estamos nos anos 30 - January Jones é um símbolo da engatinhante liberação feminina. Ao longo das páginas, a protagonista demonstra suas habilidades ao se livrar das mais provadoras situações, incluindo o machismo, que o roteiro expõe de forma sutil. Não é à toa que uma de suas maiores inspirações tenha sido a pioneira da aviação Amelia Earhart, grande defensora dos direitos da mulher.

Falando sobre a edição, o trabalho da Avec é impecável; só nos resta torcer por mais volumes da série no Brasil. O visual do álbum  - em formato ligeiramente menor que os volumes de Tintim pela Companhia das Letras - remete diretamente à criação de Hergé, que popularizou a Linha Clara. Eric Heuvel consegue dar sua própria marca ao famoso estilo de desenhar europeu, preenchendo cada quadrinho com um traço leve e fluido. Não sei se sou só um tintinófilo enxergando demais, mas percebi referências a personagens de Hergé, como o Capitão Haddock e a cantora Bianca Castafiore. Depois me contem se também notaram...

Temos que admitir: January Jones talvez não existisse se não fosse por Tintim, Indiana Jones e outras referências tão boas quanto. Mas, não é o traço inspirado na linha clara de Hergé ou a jaqueta e sobrenome do herói norte-americano que vão fazer dela apenas uma sombra. Jan bebe da mesma fonte de ambos, sim: uma fonte de aventuras cheias de perigos e bom-humor. Mas, tem força suficiente para dar título à sua própria série e ser heroína de sua própria história.

Book Trailer:
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