sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Novo processo da Moulinsart pode ser tiro no pé do Museu Hergé? Veja o resultado da ação

Publicado originalmente em 19.02.2016.

A Moulinsart S.A. entrou com uma ação judicial no último dia 3 de fevereiro para impedir a venda de um busto de madeira minimalista de Tintim. O objeto de decoração é baseado em uma obra do designer catalão Peret, que concedeu a licença de comercialização à SV Creations. Entenda como uma reviravolta no caso pode afetar diretamente a imagem do Museu Hergé.

Atualização 14.09.16: Confira o resultado da ação no final do post.


Segundo o L'Echo, a Moulinsart enviou uma notificação solicitando que a SV Creations pare com a venda, destrua o estoque e preserve duas peças. Na mesma carta, a empresa pede que a SV lhe pague (provisoriamente) mil euros de compensação. O advogado da SV considera que a autorização de Peret é suficiente para continuar comercializando as esculturas, e alega que a arte original seja uma paródia. A Moulinsart discorda, e o caso será julgado em maio no tribunal de comércio francófono de Bruxelas.

Tiro no pé?

Fabricadas na Bélgica em madeira de borracha aprovada pelo Greenpeace, as esculturas custam € 390,00, cada. De acordo com o site Heady-Art.com, que comercializa as peças desde outubro de 2015, a imagem que inspirou os bustos foi criada por Peret em 1984, como parte de uma exposição dedicada à obra de Hergé na Fundação Miró. O designer convidou 80 ilustradores de todo o mundo, e a mostra teve uma grande cobertura pela imprensa. Desde então, a criação nunca tinha sido contestada pelos herdeiros de Hergé. Logo, o que está em questão é o lucro que os fabricantes estariam obtendo com o uso da imagem, ainda que estilizada, de Tintim.

O curioso é que uma arte similar à de Peret é utilizada no logotipo do Museu Hergé. Por este motivo, o artista decidiu fazer uma intervenção voluntária no caso, e pretende impedir a Moulinsart de utilizar seu trabalho.

Compare: o cartaz de Peret, o busto da Heady-Art e o logo do Musée Hergé
:: Opinião: Creio que essa tentativa de "contra-ataque" do artista não vai levar a lugar nenhum. E nem tanto pela eficiência dos advogados dos herdeiros de Hergé. O fato é que o logotipo do museu não é igual à criação de Peret; está bem mais próximo do design antigo de Tintim, com a cabeça mais arredondada. Então, mesmo que a decisão do tribunal seja favorável à comercialização do busto, o que acho difícil, acredito que nem respingará na imagem do Museu Hergé.

O Resultado - Atualização de 14.09.16

De acordo com o L'Echo, a Moulinsart venceu mais essa. O tribunal considerou que a ação do artista espanhol foi totalmente desprovida de fundamento, ressaltando que a cabeça de Tintim reproduzida no logotipo nada tem a ver com o cartaz de Perret, o que pode ser visto na posição do nariz e no formato do topete. O Museu Hergé alegou que o logotipo foi inspirado em uma ilustração da página 30 de "Tintim no Congo". Via tt.info.
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2 comentários:

  1. Mais uma situação chata encolvendo a Moulinsart. Entendo que eles queiram preservar o legado de Hergé, mas restringir tanto acaba por, de certa forma, minar a disseminação da obra. Lamentável.

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    1. Pois é, mais um pouco e a obra só será lembrada pelos fãs antigos.

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