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domingo, 27 de setembro de 2015

Tintim, o eclipse e a Lua

Acontece neste domingo, 27 de setembro de 2015, um eclipse lunar total, que poderá ser visto do Brasil por volta das 23 horas. O fenômeno coincide com a superlua, momento em que o satélite natural da Terra se encontra em seu ponto mais próximo da do planeta, o Perigeu, ficando com um tamanho e brilho incomuns. Segundo os astrônomos, a coincidência só deve ocorrer novamente em 2033.

Quem acompanha as aventuras de Tintim sabe como o repórter é interessado em astronomia. Selecionei aqui três momentos que comprovam isso.

O primeiro deles acontece em "A Estrela Misteriosa", álbum publicado em 1942. A história já começa com um evento incomum: Tintim visualiza uma estrela cadente e, em seguida, percebe uma estrela a mais na constelação Ursa Maior. Intrigado, resolve entrar em contato com o Observatório, que realmente existe na cidade de Uccle, Bélgica. A seguir, fenômenos estranhos acontecem, como o aumento da suposta estrela e um calor de derreter asfalto. Tudo leva a crer que o fim do mundo está próximo, até que o misterioso astro cai no Ártico e Tintim, Milu e o Capitão Haddock passam a integrar uma expedição científica para encontrá-lo.

© Casterman/Moulisnart
Será que Tintim vive uma aventura mais astronômica do que essa? Claro que sim! Anos depois, nos álbuns "Rumo à Lua" (1953) e "Explorando a Lua" (1954), Tintim está envolvido na primeira viagem do homem ao satélite natural da Terra. No primeiro álbum, o Professor Girassol constrói um foguete atômico que é vítima de várias tentativas de sabotagem de uma organização inimiga. Na continuação, Tintim embarca ao lado de Milu, Haddock e do Professor e, mesmo com a interferência dos Dupondt e as trapalhadas da tripulação, consegue pisar em solo lunar. O enredo impressiona por acertar tantos detalhes que o homem só confirmaria anos depois, como a reação à gravidade zero e a presença de gelo na Lua.

© Casterman/Moulinsart

Vale mencionar também a ocasião em que Tintim presencia um eclipse. Prisioneiro dos Incas em "O Templo do Sol" (1949), o repórter procura uma saída para a execução até que encontra, por acaso, um recorte de jornal que fala sobre um eclipse solar que ocorreria exatamente no dia fatal. Usando a mesma tática de Cristóvão Colombo, que teria se aproveitado de um eclipse lunar para escapar dos nativos americanos que aprisionaram sua tripulação na época do Descobrimento, Tintim ameaça apagar o Sol caso ele e seus companheiros não sejam poupados. Adoradores de Pachacamac, o deus sol, os Incas se veem obrigados a libertar o rapaz, o Professor e o Capitão, que seriam queimados por ousarem invadir o Templo do Sol.
© Casterman/Moulinsart
Isso é o bastante para mostrar o quanto Tintim, ou melhor, Hergé, se interessava por astronomia. E as aventuras de Tintim estão cheias de outras curiosidades para todos os gostos. Vale a pena ler.

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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Veja trechos da peça musical "As Jóias da Castafiore"

Estreou no dia 17 de setembro, na Bélgica, a peça teatral baseada no álbum "As Jóias da Castafiore" (1963). Organizado pela associação Ópera pour Tous (Ópera para Todos), o musical teve um público de aproximadamente 1.800 pessoas, que tiveram que se agasalhar para evitar o frio da noite de Bruxelas. O espetáculo é apresentado ao ar livre no Castelo de la Hulpe, e deve passar uma temporada em outras cidades belgas e francesas.


O canal Mega TV realizou uma reportagem sobre a ópera inspirada nos quadrinhos de Hergé. Confira no vídeo abaixo e, a seguir, veja trechos e cenas dos bastidores do musical estrelado por Amani Picci (Tintim), Hélène Bernardy (Bianca Castafiore) e Michel de Warzée (Capitão Haddock).




Saiba mais sobre a organização do espetáculo clicando aqui.


Fotos: AFP

Leia também: Álbuns de Tintim serão adaptados para o rádio.
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Porque Tintim merece um projeto nível Graphic MSP

Chegaram às livrarias nos últimos meses os novos volumes da coleção Graphic MSP, Turma da Mônica: Lições e Turma da Mata: Muralha. O selo, criado pela Mauricio de Sousa Produções e publicado pela Panini Comics, traz uma série de graphic novels estreladas por personagens clássicos do quadrinista brasileiro, só que no traço (e roteiro) de outros artistas do país.


A turma da Mônica, Chico Bento, Astronauta e o mundo pré-histórico do Piteco já foram retratados nos primeiros volumes, todos de qualidade impecável, dignos de um espaço na estante de qualquer fã da nona arte.

Mas onde entra Tintim nessa história? Bem, a maior justificativa para não publicarem um álbum inédito de Tintim é o respeito ao desejo expresso de Hergé, de que o repórter não deveria ser desenhado por outro artista. Mas uma coleção no estilo da Graphic MSP seria não menos que uma homenagem ao pai de Tintim, ideia que é compartilhada por outros fãs ao redor do mundo.

Sem dúvidas, Mauricio de Sousa não deve achar que uma das novas versões de seus personagens seja uma ameaça, muito menos um desrespeito, aos originais. Pelo contrário, o selo tem dado ainda mais visibilidade à obra do artista, pois despertou a atenção de um público mais adulto, que em sua maioria já tinha deixado de lado os gibis da Turma da Mônica - como este que vos fala.

Tudo bem, talvez não seja certo passar por cima da vontade do autor, mas continuo dizendo: a iniciativa valeria como uma bela homenagem ao legado de Hergé. Enquanto isso não acontece, se é que tem chances de acontecer, veja porque vale a pena ler os álbuns da Graphic MSP (que estão disponíveis capa dura e cartonada).

:: Astronauta: Magnetar. Eu não havia me interessado pelo álbum porque nunca fui um grande fã do personagem, apesar de curtir o clima das historinhas. O título também não chamou minha atenção, afinal, quem sabe o que é um Magnetar? Mesmo assim, comprei a edição em capa dura - para minha sorte, a única que encontrei - só para completar a coleção, e me surpreendi com a qualidade. Magnetar traz uma história de aventura e solidão, um drama psicológico com ilustrações belíssimas. O segundo volume desenhado por Danilo Beyruth, Astronauta: Singularidade, tem mais ação e romance, mas não deve nada ao primeiro. Vale mencionar que o protagonista que lembra o Tintim no uniforme lunar, com direito ao topete.

:: Turma da Mônica: Laços. A HQ dos irmãos Vitor e Lu Cafaggi é uma ode à amizade. Com um clima que remete aos filmes infantis dos anos 80, a história mostra a turma da rua do Limoeiro indo em busca de Floquinho, o cachorrinho do Cebolinha, que desapareceu. O grande destaque da obra são os desenhos dos irmãos Cafaggi, belíssimos e inovadores. Os flashbacks ilustrados por Lu são uma atração à parte, um toque de 'fofura' que faz da obra uma das favoritas da coleção. A sequência Turma da Mônica: Lições, foi lançada recentemente, mas ainda não tive o prazer de ler.

:: Chico Bento: Pavor Espaciar. Gustavo Duarte assina uma aventura muito "especiar" estrelada por Chico Bento e Zé Lelé, com as participações ilustres do porquinho Chovinista e da galinha Giserda. Regado de referências à cultura pop (até Michael Jackson tem direito à sua homenagem), a HQ acompanha Chico e seu primo quando os dois são abduzidos por uma nave alienígena! Duarte usa um humor visual para contar uma história engraçada e bem no clima dos gibis originais do personagem. As sequências dão um movimento quase cinematográfico à aventura rural.

:: Piteco: Ingá. Assinado pelo paraibano Shiko, é uma das adaptações mais surpreendentes da série. O enredo aprofunda a (pré) história do carismático homem das cavernas criado por Mauricio, com desenhos e cores de deixar qualquer um boquiaberto. Mesmo com o rumo meio místico que a aventura acaba tomando, é um deleite acompanhar o resgate a Thuga, que passa a ter um papel bem mais relevante que uma boba apaixonada (e muito divertida). Se tem um ponto negativo que esta HQ revela sobre a coleção é que o número de páginas poderia ser maior.

:: Bidu: Caminhos. Se eu usei o termo 'fofura' ao falar de Laços, não sei como ser mais constrangedor falando dessa emotiva historinha do cachorrinho do Franjinha (pronto, acho que o excesso de diminutivos superou). A HQ de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho se propõe a dar uma origem ao primeiro personagem de Mauricio de Sousa, e faz isso com louvor. A arte é divertida, sensível (e onomatopeica) e não falha na apresentação de alguns companheiros clássicos dos quadrinhos do esperto Schnauzer azul. Simplesmente mais um acerto.

Além dos mencionados, já foram lançados os títulos Penadinho: Vida e Turma da Mata: Muralha, que ainda não comprei, mas já têm sido muito elogiados. Para o futuro, estão confirmadas as adaptações de Papa-Capim e Louco - que já tem título, "Fuga", e será lançado na FIQ, em novembro. Se as novas edições seguirem a linha das anteriores, com certeza valerá a pena adicioná-las à coleção.

Dá pra ver que, se o selo tem virtudes, uma das maiores delas é permitir que os artistas deem uma abordagem diferente aos personagens que estamos acostumados, seja para um tom mais emocional, mais maduro, seja para um estilo de humor diferente. Imagina isso com Tintim...

Imaginou? Então vai gostar do artigo: Um pastiche oficial de Tintim.
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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Conheça o parque temático de Tintim

Você já ouviu falar no parque temático de Tintim? Eu aceito um não como resposta. Afinal, ele não existe mais, o que é uma pena, mas já foi um grande sucesso décadas atrás.

O parque Walibi abriu suas portas em 26 de julho de 1975. Seu nome deriva das primeiras letras de Wavre, Limal e Bièrges, três cidades da província belga de Brabant Wallon, onde o parque está situado. Ele foi, durante anos, considerado a Disneylândia dos tintinófilos. Você vai entender o porquê.

Clique nas imagens para ampliá-las.

Uma das atrações se chamava Le Temple du Soleil, evidentemente baseada no álbum "O Templo do Sol". Era um dark ride - passeio em que os visitantes encontravam diferentes cenas com os personagens e cenários da aventura de Tintim no Peru, todos de acordo com Hergé. A atração foi inaugurada em 25 de agosto de 1975, sendo a primeira de uma série de projetos de entretenimento oriundos de um contrato com a Editions du Lombard. Durante o inverno de 1979-1980, o parque teve que encerrar a atração baseada no álbum, pois a capacidade de público era menor que a garantida pelo fabricante, acarretando em imensas filas e problemas de segurança.


Com o encerramento do brinquedo, em 1980 o parque inaugurou uma atração maior e mais moderna, Le Secret de la Licorne. O lançamento contou com a presença da rainha Paola, da Bélgica, e fez um grande sucesso entre o público.


Com notável inspiração nos "Piratas do Caribe" dos parques Disney, o brinquedo proporcionava um passeio de barco através da história do antepassado do Capitão Haddock e seu rival, o pirata Rackham, o Terrível (dublado por Bob de Moor, colaborador e amigo de Hergé). Situada em um castelo, 85 animatrônicos e cenários baseados nos álbuns "O Segredo do Licorne" e "O Tesouro de Rackham, o Terrível" serviam de fundo para a atração, que contava com uma cena final, uma batalha naval, descrita como impressionante para a época.

Edição de "O Segredo do Licorne" disponível em 250 exemplares na inauguração da atração dedicada ao álbum.
Tintin dans la jungle (Tintim na floresta) era um passeio de barco ao ar livre inspirado em "O Ídolo Roubado". Inaugurado no final dos anos setenta, levava os visitantes em jangadas de madeira através de uma lagoa cercada de animais inanimados e personagens de Tintim. Comparado ao "Jungle Cruise", da Disneyland, o passeio foi substituído por outra atração, sem relação com Tintim, em 1987.


Outras atrações ao ar livre foram inauguradas em 1979. Pampa Ponies era um passeio em pôneis mecanizados com base em "Tintim na América". Nos Mini-Jeeps, passeio baseado em "A Estrela Misteriosa", os visitantes faziam uma trilha através dos cenários do álbum, incluindo uma aranha, maçãs e cogumelos gigantes.


Tintin Show foi uma experiência cinematográfica criada especialmente para o parque. Durou de 1984 a 1989, quando foi substituído por um cinema 3D. No verão de 1987, foi inaugurado o Aqualibi, um parque aquático coberto construído na entrada do Walibi. Apesar de não estar diretamente ligado a Tintim, vários elementos de design de "O Cetro de Ottokar" foram usados na entrada e na fila.

Em 1995, o parque virou cenário de um programa de TV exibido pela RTBF, "L'Énigme du Cristal", game show semanal de verão, com 13 episódios transmitidos nas noites de domingo. As perguntas quue faziam parte da competição entre famílias eram baseadas nos quadrinhos de Tintim, e as brincadeiras eram apresentadas no parque Walibi.


No final da temporada de 1995, a atração "O Segredo do Licorne" foi considerada datada pela direção do parque, o que levou ao encerramento do brinquedo. Depois de uma crise, o parque tentou renovar o contrato sobre os direitos de imagem de Tintim, em 1997. Porém, agora sob a administração da Moulinsart S.A., a negociação não avançou. O parque continua com novos administradores, mas todas as referências à obra de Hergé foram retiradas. Uma pena, pois este seria mais um destino curioso para os tintinófilos que visitam a Bélgica.

Com informações da Wikipedia e Tintinologist.
Agradecimento ao leitor Marcus Vinicius ~ @mvmotoca.
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