COLEÇÃO DE FIGURAS DE TINTIM FINALMENTE NO BRASIL

Todos os detalhes do lançamento da Planeta DeAgostini

ÁLBUNS DE TINTIM EM PRETO-E-BRANCO CHEGAM AO BRASIL

Globo Livros lança réplicas das versões originais de Tintim

ESCUTE AQUI!

Série inédita baseada em "O Lótus Azul" é transmitida no rádio

PELA PRIMEIRA VEZ EM CORES

Veja a capa da nova edição de "No País dos Sovietes"

AS ATADURAS DE TINTIN

Infográfico reúne todas as pancadas que Tintim já levou

TPT ENTREVISTA ISAAC BARDAVID

Assista o bate-papo com o dublador do Capitão Haddock

TPT ENTREVISTA O PRIMEIRO TINTIM DO CINEMA

Jean-Pierre Talbot fala tudo sobre os únicos filmes de Tintim com atores reais

70 ANOS DO JOURNAL TINTIN

Publicações e eventos marcam o aniversário da revista

TPT ENTREVISTA O DUBLADOR DE TINTIM

Oberdan Jr conversa com o blog em vídeo de duas partes. Confira!

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Tintim: A amizade como arma e escudo - Parte 3

Continuando a série de artigos assinados pela leitora Carmem Toledo (confira a parte 1 e a parte 2), desta vez vamos mergulhar um pouco mais nos papéis dos melhores amigos de Tintim como complemento de sua personalidade.

Milu - o fiel companheiro de aventuras

          Milu é um simpático cãozinho da raça Fox Terrier, branco e aparentemente jovem. Adestrado, obedece aos comandos de Tintim e o socorre sempre que está em apuros. Nos quadrinhos, seus “pensamentos” podem ser lidos, demonstrando seu ponto de vista canino sobre as situações em que seu dono se envolve. Seguem alguns exemplos desses momentos:


          Na animação seriada canadense e no longa-metragem norte-americano, ele apenas late e resmunga, como um cão normal. Entretanto, possui expressões faciais que deixam claros seus sentimentos e suas “opiniões” sobre certos acontecimentos e diálogos.
          O cãozinho de Tintim é o protótipo do companheiro inseparável do herói, que sempre está por perto, não importando as consequências. Podemos compará-lo ao Capeto (lobo companheiro do Fantasma) e ao Lobo (fiel escudeiro do Vigilante Rodoviário). Milu, Capeto e Lobo são os amigos verdadeiros, de todas as horas, que sempre estão ao lado de seus parceiros, mesmo que seja em silêncio.

Capitão Haddock – a energia dos raios e trovões

          Capitão Haddock pode ser considerado o contraponto de Tintim: bruto, sempre com os nervos à flor da pele, alcoólatra, atrapalhado, ectoplasma, troglodita, emplastro (desculpem-me... foi a empolgação influenciada pelo personagem), representa toda a vazão emocional de Tintim, que se mostra sempre muito racional e comedido.

          A brincadeira feita no parágrafo acima foi um exemplo dos gritos de raiva do personagem, que inicia as exclamações com xingamentos, como “mercenários”, “pamonhas”, “flibusteiros”¹ e “piratas” e acaba por incluir palavras com significados que nada têm a ver com ofensas, como “cornamusas”², “anacoluto”³ e “escolopendra”. Um grande número de exemplos disso pode ser visto nos álbuns “O caranguejo das pinças de ouro” e “O segredo do Licorne”.

          Capitão Haddock, ao contrário de Tintim, mostra-se ignorante em diversas situações, como quando se recusa a levar a sério a empreitada organizada pelo Professor Girassol em “Rumo à Lua”, o que, inclusive, faz com que este se ofenda terrivelmente. Seu aspecto físico também contrasta bastante com o de Tintim: grande e barbudo, aparentando ser mais velho que o repórter, Capitão Haddock parece desleixado e rude. No entanto, ao invés desses traços de sua personalidade atrapalharem as missões de Tintim, acabam ajudando-o – ainda que levem a um maior número de confusões que o esperado – , sem contar os momentos cômicos proporcionados pelas explosões de humor do Capitão.

          O personagem parece ser um complemento ao perfil pacífico e racional do herói. Poderíamos pensar que Tintim seria “Yin”: a energia feminina, passiva e ligada à terra; Capitão Haddock, “Yang”: o princípio masculino, ativo e ligado ao céu, resultando no equilíbrio da trama – e que curioso: o céu é justamente aquilo que orienta os navegantes!

Notas
1. Trapaceiro
2. Gaita de foles
3. Figura de linguagem que significa a quebra na organização gramatical de uma frase.
4. Segundo o dicionário Aulete digital, “s. f. || (bot.) gênero de fetos, do grupo das polipodiáceas; língua-cervina. || (Zool.) Articulado, da classe dos miriápodes. [Tem vinte e um ou vinte e três pares de patas, e o corpo dividido em igual número de segmentos; tem quatro pares de olhos.] F. lat. Scolopendra
5. Creio que se deve ler esta palavra com cuidado, pois penso que, no caso de Tintim, a passividade não deve ser interpretada literalmente como ausência de atuação ou reação, mas como ponderação.


Continua na próxima postagem...
Compartilhe:

quinta-feira, 25 de junho de 2015

TPT anuncia entrevista com Isaac Bardavid, a voz do Capitão Haddock


O Tintim por Tintim tem a honra de anunciar a realização de um sonho: uma entrevista exclusiva com Isaac Bardavid, ninguém menos que o dublador brasileiro do Capitão Haddock... do Wolverine, do Tigrão, do Esqueleto, dentre tantos outros! Se liga no recado do nosso querido marujo...

 

Em julho, nas comemorações de 7 anos do blog!
Compartilhe:

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Fã cria abaixo-assinado pelo retorno de Tintim à TV

Quem estava acostumado a assistir "As Aventuras de Tintim" todo domingo à tarde na TV Cultura foi pego de surpresa há algumas semanas quando ligou no canal e não encontrou mais a série. Sem aviso prévio, a emissora cancelou a exibição do desenho animado produzido pela Nelvana, o que gerou indignação em muitos fãs.


Motivada a reverter a situação, uma fã decidiu criar um abaixo-assinado pela volta do seriado à programação da TV Cultura. Janaina Daher, de Campos dos Goytacazes, RJ, costumava acompanhar o desenho pelo canal, mas há pouco mais de um mês percebeu que as exibições deixaram de ser regulares. "Eu só tive certeza que parou de passar quando em um certo domingo a série foi substituída por um desenho chamado Inami", contou ela ao TPT. "Já tentei entrar em contato com a TV Cultura, mas não tive sucesso".

Foi aí que Janaina decidiu utilizar o site Change.org para 'pressionar a TV Cultura' a voltar com "As Aventuras de Tintim". Na descrição do apelo, ela lembra que o canal era o único a transmitir a série no Brasil, e pede o apoio dos fãs para chegar à meta de 100 assinaturas. Um e-mail com as assinaturas será enviado para a TV Cultura, caso o abaixo-assinado validado pelo site. "Se não for possível eu vou lutar para que o abaixo-assinado seja reconhecido e que a série volte ao ar", afirmou Janaina.

Até a conclusão deste post, o abaixo-assinado contava com pouco mais de 20 assinaturas, bem distante da modesta meta. O TPT demonstra seu apoio ao desejo dos fãs por divulgar o link para a manifestação. Clique aqui para assinar; é grátis e não solicita dados pessoais além do nome completo, e-mail e cidade.

No site da TV Cultura, continua presente a informação de que Tintim é exibido de segunda a sexta-feira, 14h30, no "Quintal da Cultura", e aos domingos, 13h50.



"As Aventuras de Tintim" começou a ser exibida no Brasil pela TV Cultura em 1994, e de lá pra cá passou por emissoras como PlayTV, Canal Futura e HBO Family. A série tinha voltado ao canal em 2012, depois de 7 anos fora do ar. Saiba mais aqui.
Compartilhe:

quarta-feira, 17 de junho de 2015

'As Aventuras de Tintim 2' pode ser filmado em 2016

De acordo com o ator Jamie Bell, que viveu Tintim no primeiro filme de Steven Spielberg e Peter Jackson, a sequência de "As Aventuras de Tintim" (2011) poderia finalmente começar a ser rodada no ano que vem.

Jamie Bell como Ben Grimm, o Coisa, antes da transformação.
Jamie Bell interpreta o Coisa, Ben Grimm, na nova versão cinematográfica do Quarteto Fantástico, que estreia em agosto. Na turnê de divulgação da adaptação dos quadrinhos da Marvel, o ator britânico falou sobre o segundo filme de Tintim, que até hoje não começou a ser produzido, apesar de já ter roteiro pronto. A declaração foi uma resposta ao questionamento do site francês Premiere, que se referiu ao filme como 'O Templo do Sol' (entenda o porquê aqui).

"O projeto ainda está de pé. Especialmente agora que Peter Jackson voltou da Terra Média, ele deve realizá-lo. Eu mal posso esperar para ver sua visão de Tintim", respondeu Bell, otimista. "Cruzo os dedos para que as filmagens comecem no final do ano que vem. Mas ainda não está 100% confirmado", concluiu.

Clique e veja tudo o que sabemos sobre o segundo filme de Tintim

Caso as expectativas de Jamie Bell se confirmem, o filme não deve estrear antes de 2017, se levarmos em consideração o período de pós-produção - que no primeiro demorou cerca de 18 meses. O site que publicou a notícia fala em dezembro de 2017, data que pode coincidir com a estreia de "Avatar 2", um concorrente muito forte. E se considerarmos que "Star Wars VIII" está programado para o mesmo período, a probabilidade de "Tintim 2" chegar nesta data é praticamente nula.

Independente de qualquer coisa, é bom ter alguma notícia sobre a sequência, que parecia esquecida. É possível que o ator volte a falar sobre o assunto, já que está participando da promoção de seu novo longa. Mas nada que ele disser no momento deve ser considerado como oficial.
Pôster do novo Quarteto Fantástico.
Jamie Bell volta a atuar em captura de movimentos para dar vida ao Coisa.

Compartilhe:

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Moulinsart perde processo sobre direitos de Tintim

Um acontecimento surpreendente virou o assunto mais comentado pela comunidade tintinófila internacional. A Moulinsart S.A., sociedade que gere os direitos sobre a obra de Hergé, perdeu um processo envolvendo os direitos dos álbuns de Tintim na corte holandesa. Um fã-clube local apresentou um documento comprovando que Hergé teria cedido os direitos de sua obra à editora Casterman. Logo, a Moulinsart não seria capaz de proibir, muito menos cobrar pela reprodução de quadrinhos dos álbuns do quadrinista belga.

Entenda tudo sobre o caso a seguir e, mais abaixo, saiba qual a posição da Moulinsart sobre o assunto.

O processo

Em 2012, a Moulinsart entrou com uma ação contra a Association Hergé Genootschap, um clube holandês com 680 fãs do criador de Tintim, fundado em 1999. O fã-clube publica uma revista sem fins lucrativos, a Duizend Boomen (Mil Raios, em livre adaptação), com artigos sobre a obra de Hergé e, naturalmente, reproduções de seus quadrinhos. O argumento da empresa liderada por Nick Rodwell, marido da viúva de Hergé, é que o clube não teria direito de reproduzir tiras dos álbuns de Tintim, a menos que pagasse uma significativa quantia - algo em torno de um milhão de euros.

Esta semana, a decisão do tribunal de recurso de Haia surpreendeu a todos. Diferentemente do que vem acontecendo há anos - mais precisamente desde 2009, quando a Moulinsart começou a cobrar por qualquer reprodução de cenas dos álbuns -, a sociedade perdeu a causa. O documento apresentado pela defesa do fã-clube holandês foi assinado por Hergé em 1942, e deixa claro que os direitos sobre os trabalhos do autor pertencem à editora Casterman, que tem publicado os álbuns de Tintim desde a década de 1930. A veracidade do contrato, que foi entregue por um perito na obra que prefere manter-se anônimo, jamais foi questionada pelas partes, dando a entender que a informação realmente procede.

A Moulinsart já se pronunciou sobre o assunto, como pode ser visto no final do artigo.

A opinião de quem entende

Numa Sadoul, autor do livro Tintin et moi. Entretiens avec Hergé (1975), falou sobre as consequências do caso ao francês Le Figaro: "Isto significa que agora é Casterman que irá gerir os direitos de Tintim. Isso vai mudar completamente o jogo e melhorar significativamente as relações dos jornais, fanzines e editoras com Tintim", acredita ele. "Mas não podemos esperar liberdade absoluta e fazer o que quisermos com os personagens", explica o escritor.

Didier Pasamonik, chefe de redação do site especializado ActuaBD, disse ao mesmo jornal: “No que se refere esta decisão, é sobre citações de imagens de Hergé numa revista de fãs. Na França, o direito de citar uma imagem não existe. No entanto, na Holanda, há”. E sugeriu: "que tal uma harmonização europeia?"

Bob Garcia, autor de Hergé, las sources de l'oeuvre (2008), declarou: "O que me surpreendeu no julgamento é que o documento não foi contrariado pela Moulinsart. Se é legítimo, é uma coisa boa, porque é mais fácil falar com o pessoal da Casterman do que da Moulinsart". Garcia, que já perdeu um processo contra a empresa (saiba mais), duvida que a decisão do tribunal encorajará alguém a lutar contra a Moulinsart nos tribunais."Não sei se vai mudar grande coisa para a publicação de livros", disse. E concluiu: É uma boa notícia. Pelo menos para a Holanda".

Benoit Peeters, autor de Monde d'Hergé (2004), acredita que "devemos aproveitar essa decisão para recobrar o bom senso". Segundo ele, é perfeitamente normal que os detentores da obra a protejam do uso comercial, mas reconhece que a citação em publicações impressas é diferente. "O julgamento em Haia poderia ser uma oportunidade de uma posição mais flexível e aberta [da Moulinsart]. Eu buscaria uma solução equilibrada entre os interesses da defesa e da imagem de Hergé e a necessidade de liberdade de informar, comemorar ou criticar".

É claro que a decisão do tribunal holandês não se estende a outros países, mas pode abrir o precedente para que outras associações de fãs reivindiquem o que já foi pago à Moulinsart e, daqui para a frente, questionem se precisam mesmo pagar algo à sociedade administradora de Tintim pelo uso da imagem dos álbuns.

A minha opinião, não que eu entenda de direito, é que isso não deve mudar muita coisa. Digo isso porque a relação entre a Casterman e a Moulinsart já foi ruim, mas melhorou desde que a editora foi comprada pelo grupo Gallimard. Ou seja, mesmo que a Casterman tenha direito sobre a obra de Hergé, as empresas são parceiras, e devem cooperar uma com a outra. Prova disso é o comunicado divulgado nesta quarta, 10 de junho (leia mais abaixo), onde fica claro que os interesses são os mesmos.

Nick Rodwell (Moulinsart) e Charlotte Gallimard (Casterman).

A Moulinsart se defende

Não foi preciso aguardar muito. A sociedade liderada por Nick Rodwell divulgou um comunicado à imprensa emitido em conjunto com a Casterman. "A Moulisart S.A. pretende buscar todos os recursos que a lei holandesa abre", diz o comunicado. "O tribunal parece ter feito uma confusão total entre os direitos de Tintim, detidos, respectivamente, pela Moulinsart S.A. e Editions Casterman", alegam as empresas. "Hergé concedeu à Casterman os direitos de publicação em todos os idiomas e para o mundo inteiro dos álbuns de papel de 'As Aventuras de Tintim'", reconhece o comunicado. Mas, acrescenta, "todos os outros direitos de propriedade permaneceram com Hergé, incluindo os quadrinhos e outros desenhos dos álbuns explorados separadamente. Em consequência (...), somente a Moulinsart S.A. pode explorar ou autorizar a reprodução dos desenhos e quadrinhos mostrando Tintim e todos os personagens do mundo de Hergé".

Alain Berenboom, advogado da Moulinsart, declarou que a empresa buscará o Supremo Tribunal dos Países Baixos para recorrer da decisão.

Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos.

Referências:

Compartilhe:

domingo, 7 de junho de 2015

Tintim: A amizade como arma e escudo - Parte 2

Na primeira parte, a leitora Carmem Toledo apresentou o início de sua paixão por Tintim, a influência do repórter em sua vida e o questionamento: Tintim é um herói? Neste segunda parte, Carmem se propõe a discutir alguns aspectos da personalidade de Tintim em sua jornada pelos álbuns de Hergé. Convidamos você a desfrutar desta interessante leitura.

Tintim - o “bom moço”

          Tintim é um rapaz educado, responsável, cavalheiro, ético e, acima de tudo, de bom coração. Sempre tenta orientar os amigos e conhecidos, para que não cometam erros. Bons exemplos disso são os momentos em que o repórter pede que Capitão Haddock não ingira bebidas alcoólicas – o que acontece desde que ambos se conheceram, quando o jovem repórter fez seu novo amigo prometer que não beberá mais. Tintim é o exemplo de “bom rapaz”: humilde, simples, pacífico e ponderado, que nada deseja além da justiça e de ver seus amigos sãos e salvos.

O Caranguejo das Tenazes de Ouro, páginas 16 e 33. Record, 1970.
          Apesar de ser bastante racional, Tintim demonstra seus sentimentos e não hesita em chorar quando se sente triste ou positivamente emocionado. Em “O Lótus Azul” e “Tintim no Tibete”, isso é visto em vários quadrinhos, nos momentos em que o herói precisa se despedir de seu amigo Chang e quando recebe a notícia sobre a queda do avião em que seu jovem amigo chinês viajava.

          Em nenhum momento é mencionada qualquer informação sobre sua família. Nem mesmo seu sobrenome é conhecido. Em princípio, Tintim parece ser um jovem solitário, que vive apenas com seu cão de estimação, Milu.

          Aparentemente, a solidão do herói não é algo importante na trama, mas poderíamos pensar a respeito de um possível efeito emocional disso na vida do rapaz, se recorrermos a alguns quadrinhos em que este demonstra sofrimento ao precisar se despedir de um amigo. Por outro lado, esses momentos de tristeza poderiam ser pensados como provas de sua humanidade – principalmente se refletirmos mais um pouco sobre o perigo de atribuirmos, em um breve e simples estudo como este, problemas ocultos no perfil psicológico dos personagens. É importante que fique claro que a intenção deste texto não é descobrir as intenções de Hergé por trás de sua criação, mas, ao contrário, analisá-la e aplicá-la, na medida do possível, aos valores da vida real.

          A humanidade do personagem, portanto, pode ser considerada uma via para que se questione o efeito da solidão em sua vida. As duas últimas obras supracitadas, inclusive, exploram bastante esse tema, não somente do ponto de vista dos laços existentes o protagonista e o menino chinês, mas em todas as vezes em que Capitão Haddock, prestes a abandonar a missão de busca a Chang, arrepende-se e retorna para ajudar seu amigo Tintim, chegando até mesmo a tentar cortar a corda e se sacrificar quando ambos correm perigo, pendurados na montanha.

Não se pode esquecer também da compaixão de Chang pelo Iéti, que se apegara ao garoto oriental, ao resgatá-lo entre os destroços do avião. A última fala do menino é deveras importante:
“Quer saber? Espero que nunca o encontrem, porque o tratariam como uma fera. E posso garantir, Tintim: ele agiu comigo de tal maneira, que às vezes eu me perguntava se não era um ser humano...” - Tintim no Tibete, pp. 62.
          Chang pode ser interpretado, ao meu ver, como a exposição filosófica da conduta de Tintim. Ele traduz os valores de amizade, fidelidade e compaixão em palavras. O menino parece ser a inspiração moral do repórter.

          De fato, analisando a vida de seu criador, constatamos que o personagem chinês foi inspirado em um amigo real de Hergé, chamado Zhang Chongren, que lhe apresentou aos ideogramas chineses e lhe ensinou a prestar mais atenção à natureza, valorizando a história de uma árvore, por exemplo. Foi Zhang que fez de Hergé um criador de histórias em quadrinhos, ao invés de um mero ilustrador. Portanto, Chang pode ser considerada a consciência de Tintim, a parte de sua racionalidade transformada em poesia.
Desenho de Carmem Toledo, em homenagem a Tintim e Mafalda.
Que dizer dos companheiros de aventuras de Tintim? Milu, o Capitão Haddock, o Prof. Girassol... como eles completam o universo do repórter? Na próxima postagem, nossa leitora (e escritora) continua sua análise da amizade de Tintim como arma e escudo.
Compartilhe:

Translate

Veja também

Veja também
Site oficial de Tintim

Arquivo TPT