quarta-feira, 27 de maio de 2015

Tintim: A amizade como arma e escudo - Parte 1

Texto da leitora Carmem Toledo.

“Adeus, caro Tintim, e que em seu país do Ocidente
outras amizades acompanhem a longa caminhada
que você vai empreender...” - O Lótus Azul, pg. 62.


          Com esta fala, senhor Wang parece “abençoar” as aventuras seguintes de Tintim, que acabara de chorar, pela primeira vez, no momento da despedida de Chang, um grande amigo conhecido ao acaso, durante a saga “O Lótus Azul”. Quatro histórias depois, em “O caranguejo das pinças de ouro”, ele conhece Capitão Haddock, companheiro que faz ressaltar ainda mais a importância da amizade na vida do herói principal. Citando esta verdadeira bênção de senhor Wang, inicio este texto.

Tintim e eu

          Conheci Tintim através da animação seriada produzida em 1991 pela Nelvana, que foi ao ar, no Brasil, a partir de 1994, pela TV Cultura. Logo no primeiro episódio - “O caranguejo das tenazes de ouro”, tornei-me fã do rapaz de topete e de seu cãozinho branco. Na época, com nove anos de idade, passei até mesmo a desejar um “Fox Terrier branco, macho, com pêlo duro”, que se chamaria, como o companheiro de meu herói, Milu.

          O tempo passou e não tive aquele cãozinho branco que eu tanto desejava. Ganhei meu primeiro cão com quase dezoito anos. Ele não era da raça Fox Terrier, nem branco; era um “vira-lata” preto, pequeno e barrigudo. Seu nome, diferente daquele que eu queria tanto lhe dar, é Luni.

          Hoje, Luni tem onze anos (já é um “jovem senhor”), mas tem a personalidade bastante parecida com a de Milu: é meu melhor amigo, companheiro de todas as horas, surpreendentemente inteligente e percebe sempre que preciso de ajuda ou de consolo. Foi ele quem me ensinou o que é a amizade verdadeira.

          Inspirada nessa amizade, decidi escrever este texto, no qual tento mesclar a obra de Hergé com um pouco de Filosofia. Quero dedicá-lo aos meus amigos e “parceiros de aventuras”: minha mãe Irene, meu pai Edson, meu namorado Filino Neto e meu cãozinho Luni. O amor e a amizade de vocês são a arma e o escudo que me dão forças para, como Tintim, vestir meu casaco e correr para o mundo.

Autorretrato de Carmem e seu cãozinho Luni.
Tintim: um herói?

          Georges Remi, mais conhecido como Hergé, consagrou-se como um dos principais cartunistas europeus do século XX. Seu personagem mais conhecido é Tintim, um jovem repórter que, em busca de informações detalhadas sobre os acontecimentos, sempre acaba se envolvendo em aventuras nas diversas partes do mundo, ajudando a prender bandidos, traficantes e grupos inteiros de mafiosos. Ora explorando sarcófagos, congelando-se na neve do Tibete ou pisando na Lua (antes mesmo dos americanos), Tintim é, com justiça, um herói.

          Entretanto, quando se fala em heróis, é impossível não haver um certa comparação entre os mais conhecidos: seus poderes, seus traços de caráter, sua caracterização, etc. Não é preciso refletir muito para que o perfil de Tintim seja traçado: apenas conhecido por seu primeiro nome (ou apelido), trata-se de um rapaz nascido em Bruxelas, Bélgica; um jovem comum, louro, de baixa estatura, feições delicadas e porte físico frágil.

          Nota-se, portanto, que Tintim difere bastante da maioria dos heróis, que se distinguem dos demais indivíduos por sua força ou seus superpoderes. Fica bastante claro que todos que leram ou assistiram à animação já se questionaram sobre a possibilidade de um rapaz tão frágil ter sucesso em suas aventuras e na luta contra os perigosos sujeitos com os quais se vê face a face.

          Analisemos, então, o que faz de Tintim um herói vitorioso, que nunca perde a credibilidade.

Continua na próxima postagem...
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