terça-feira, 17 de março de 2015

Agora "Tintim na América" é acusado de racismo

Depois da longa novela envolvendo "Tintim no Congo", outro álbum de Hergé se torna alvo de polêmica. Desta vez, é a terceira aventura do repórter belga, "Tintim na América", sofre acusações de racismo. Publicado em 1932, o álbum retrata a viagem de Tintim aos Estados Unidos, onde ele interage com cowboys e índios norte-americanos. É justamente o segundo grupo que tem sido visto como alvo de discriminação racial.


Moradores de Winnipeg solicitaram a uma livraria local a retirada do álbum das prateleiras, considerando pejorativa a visão dos povos nativos, que são chamados de "peles-vermelhas". A livraria Chapter's retirou temporariamente o título do alcance do público, antes de colocá-lo novamente à venda. Segundo o RTBF, eles explicaram que um livro é removido "se incitar à violência, se contém pedofilia ou instruções sobre a fabricação de armas".

"Eu acho que isso alimenta estereótipos", declarou Leslie Spillett. "Os índios são retratados como criaturas selvagens e perigosas, seres que devemos temer... E o pequeno Tintim está ali, indefeso", continuou a advogada, que fez da defesa dos índios americanos a luta de uma vida, ao Le Figaro.


Para Benoît Peeters, biógrafo de Hergé e estudioso de Tintim, esta "é uma acusação grotesca". O escritor pede que lembremos do contexto, e ressalta que Tintim também aparece a favor dos índios no álbum, quando luta contra os exploradores de petróleo. "Esse tipo de acusação me entristece", continua.

Quando questionado sobre o motivo da "perseguição" a Tintim, Peeters responde: "Porque ele é conhecido, e porque não deixa de ser editado e republicado. Porque Spielberg o adaptou ontem, e ele certamente será adaptado amanhã. É tão fácil procurar defeitos nos outros ... mas isso não resolve em nada o verdadeiro problema que é o racismo."

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