sábado, 7 de dezembro de 2013

#Tintin2054: Nick Rodwell em debate sobre novo álbum de Tintim

Nas últimas semanas virou assunto entre tintinófilos do mundo todo o "anúncio" de um possível novo álbum de Tintim até 2052, quando a obra de Hergé entra em domínio público. O assunto divide opiniões, por isso foi escolhido como um dos temas do programa de debates "Ce soir (ou jamais)" (Esta noite ou nunca), apresentado pela TV France 2 no último dia 06 de dezembro. Estavam presentes, entre jornalistas e especialistas em direito, o diretor do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême (FIBD), Franck Bondoux, e o administrador da Moulinsart S.A., Nick Rodwell, que falou sobre sua polêmica declaração.


O debate girou em torno da possibilidade de uma obra, seja ela do cinema ou da literatura, continuar após a morte de seu criador. James Bond e Spirou estiveram entre os assuntos da conversa, com destaque para "Asterix e os Pictos", novo álbum do gaulês que vem fazendo sucesso mesmo sem seus criadores originais. Seria esta uma evidência a favor do novo álbum de Tintim?

"Por que não?", disse Rodwell. "Mas eu não sou nem o editor, que é a Casterman, nem o detentor dos direitos autorais, que é minha esposa Fanny [Rodwell, viúva de Hergé]". Esquivando-se da responsabilidade de uma decisão tão importante, ele reafirmou seu interesse em proteger e promover a obra de Hergé, explicando que este é o objetivo de estender o direitos autorais. "Tenho protegido e promovido Tintim por vinte e cinco anos, e estou sendo criticado por isso", declarou.

Ao falar sobre a adaptação cinematográfica de Steven Spielberg, que também dividiu opiniões, Rodwell defendeu: "Se eu sentir que é bom para a proteção da obra, eu faço. Foi por isso que fizemos o filme. Tivemos uma escolha de ficar no gueto franco-belga ou ir para Hollywood para ser mais global". Falando nisso, a sequência a ser dirigida por Peter Jackson foi apenas mencionada, e Rodwell destacou o efeito positivo dos filmes sobre as vendas de Tintim.

Em resumo, não tivemos uma resposta definitiva à questão principal, afinal, "foi o desejo de Hergé: nada de novos álbuns após sua morte", como explicou Nick RodwelSe haverá realmente um novo álbum até 2052? "Meu papel é proteger e promover", repetiu (mais uma vez).

O programa (em francês) pode ser visto na íntegra neste link.

O debate continua

Franck Bondoux convidou o público a continuar o debate durante o 41º FIBD, que acontecerá entre 30 de janeiro e 2 de fevereiro de 2014. "Em Angoulême, notamos uma mudança muito profunda nos padrões de consumo dos quadrinhos", afirmou Bondoux. "Sabemos que Hergé reformulou e modernizou alguns de seus álbuns com seu estúdio. [...] Uma obra não vive sozinha", concluiu.

Para esquentar o debate, a organização do Festival de Angoulême criou um site dedicado à possível continuação das histórias de Tintim (Tintin: La suite?), com espaço para comentários dos leitores. Duas enquetes mostram que o público está bem dividido (até o momento desta postagem), porém há uma pequena margem favorável a uma nova aventura antes de 2054 (mas não era 2052?). Também foi criada a hashtag para quem quiser comentar sobre o assunto nas redes sociais. Para sua mensagem do Twitter aparecer no site, é só acrescentar #Tintin2054.

O Twitter oficial da Moulinsart postou a sugestiva frase de Jean Jaurès: "A história humana é um esforço incessante de invenção, e a perpétua evolução é uma perpétua criação".

Tudo isso cheira a uma forte ação de marketing, às vésperas dos 85 anos de Tintim. Nick Rodwell desconversa, mas não se espante se, muito em breve, formos surpreendidos com o anúncio deste esperado e controverso novo álbum.
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