domingo, 3 de março de 2013

30 anos sem Hergé

No dia 3 de março de 1983 falecia em Bruxelas, Bélgica, o artista Georges Remi. Mais conhecido como o criador de Tintim, ou simplesmente Hergé, o cartunista belga foi vítima de leucemia. Sua obra máxima, que teve início em 1929, pode até não ter continuidade pelas mãos de outros artistas - a pedido do próprio autor -, mas não resta dúvida de que ele deixou sua contribuição para a posteridade.

Hergé foi o criador da "linha clara", estilo que deu origem à Escola de Bruxelas de banda desenhada - como são chamados os quadrinhos na Europa. O traço simples de espessura regular, sem sombras, é uma característica do estilo que inspirou gerações de artistas europeus, gerando uma identidade particular para a produção no continente. Mas o talento de Hergé ia além do desenho, já que ele também foi autor de cada aventura. Com diálogos e roteiros inteligentes, as histórias imaginadas pelo pai de Tintim até hoje levam os leitores a diversos países e cenários, desde o fundo do mar até a Lua.

Com a criação dos Estúdios Hergé, no início dos anos 1950, o cartunista deu um salto para o futuro: levou Tintim e seus companheiros ao satélite natural da Terra, com os álbuns "Rumo à Lua" e "Explorando a Lua". O trabalho exigiu muito esforço e pesquisa, mas Hergé já estava acostumado, pois desde que conheceu o chinês Chang Chong-Chen (inspiração para o personagem Tchang, de "O Lótus Azul"), passou a ser mais cuidadoso na construção de suas histórias, criando um banco de dados sobre os países e culturas que pretendia visitar através das páginas da série.

Contrariando a imagem de nazista, que cultivou após trabalhar em um jornal considerado colaboracionista durante a Segunda Guerra Mundial, Hergé usou seus álbuns para criticar as ditaduras de Hitler e Mussolini. Em "O Caso Girassol", por exemplo, o autor fez referências ao militarismo através da fictícia Bordúria, que tinha no poder o desprezível Musstler. E não para por aí, já que as aventuras de Tintim na América do Sul ("O Ídolo Roubado" e "Tintim e os Tímpanos") também fazem alusão aos malefícios de governos comandados por líderes vaidosos e autoritários.

Mesmo durante a "fase branca", época de uma das suas muitas crises depressivas, Hergé foi produtivo. Nesse período lançou uma de suas obras mais aclamadas, "Tintim no Tibete", que retoma a amizade do repórter com o garoto chinês que conhecera na China anos antes. As páginas são marcadas por cenários amplos e vazios, brancos, refletindo a triste situação que o desenhista passava. Paralelo à criação do álbum, Hergé já se interessava por arte moderna, que inspiraria seu inacabado último álbum, "Tintim e a Alfa-Arte". Este, aliás, deixaria para sempre a questão: pretendia Hergé dar fim à sua principal obra?

Hergé, já debilitado pela doença, reencontra Chang dois anos antes de seu falecimento

Ainda hoje, Hergé é considerado uma das principais personalidades da Bélgica, se não a mais importante. Estátuas, bustos, fotos e imagens do autor e sua criação ilustram murais e ambientes turísticos da capital, Bruxelas. Um museu em sua homenagem foi fundado há alguns anos, atraindo cada vez mais turistas e fãs ao país. Todos os anos, milhões de euros são gastos em leilões de raridades relacionadas ao artista, como esculturas, álbuns antigos e ilustrações originais. Até um planeta do nosso Sistema Solar foi batizado com o nome de Hergé. Tudo isso só serviu para firmar o autor no rol de estrelas do século vinte. E o "renascimento" de Tintim no século vinte e um pode ser a prova de que este legado está longe de ser esquecido.
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2 comentários:

  1. Muito bom! eu nem sabia que tintin era tao antigo...adorei saber sobre o autor!:-)

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  2. adoro o tintin. ja assisti todos os episodeos em desenho e assisti o filme "o segredo do licorne". gostaria muito de um dia ler tintin em quadrinho!!!!

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