quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Tintim é censurado na Suécia, mas pressão do público muda decisão

Autoridades de Estocolmo, Suécia, decidiram remover todos os livros da série "As Aventuras de Tintim" das prateleiras da biblioteca da Kulturhuset (Casa da Cultura), informou o jornal Dagens Nyheter. A decisão aconteceu porque as obras são consideradas racistas e refletem uma era de colonialismo na Europa.



"Os livros de Tintim dão uma imagem afro-fóbica dos africanos. Eles são representados como estúpidos, assim como os árabes sentados sobre tapetes voadores ou turcos envoltos pela fumaça do narguilé", afirmou Behrang Miri, diretor artístico de atividades infanto-juvenis da Kulturhuset. "Não é o bastante as novas versões terem uma introdução que explica que os quadrinhos foram projetados em outra época".

Ainda de acordo com a matéria, Tintim é só o começo da caçada dos "benfeitores". Outros álbuns de outros autores serão censurados pela biblioteca da Kulturhuset, a fim de proteger as crianças e adultos de racismo ou homofobia, segundo eles dizem.

ATUALIZAÇÃO: Depois pesquisa pública realizada pelo site do jornal Dagens Nyheter, onde 85% dos 20 mil leitores votaram (quase que instantaneamente) discordando da censura, a direção do Casa da Cultura da Suécia voltou atrás da decisão de retirar os livros das prateleiras da biblioteca. "A decisão aconteceu muito rápido", disse a Kulturhuset em comunicado à imprensa, onde Behrang Miri reconheceu que "é errado proibir livros". Mas o fato foi aplaudido pela Kulturhuset, que através de seu representante, Eric Sjöström, concluiu: "As questões de discriminação, igualdade e normas continuam a ser debatidas e discutidas".


Livros de Tintim voltam às prateleiras na Suécia.

Enquanto isso, no Brasil... 

Mais uma obra de Monteiro Lobato está na mira da censura. Depois de pedir o banimento do livro "Caçadas de Pedrinho" - da série Sítio do Picapau Amarelo - das escolas públicas, o Instituto de Advocacia Racial (Iara) questionou na Controladoria Geral da União a distribuição nas escolas públicas do clássico "Negrinha", do mesmo autor.

Lançado em 1920 e narrado em 3ª pessoa, o conto Negrinha, um dos 22  que compõem o livro homônimo, é um dos mais elogiados do autor, mas segundo o Iara, contém elementos racistas, como na passagem "Negrinha era uma pobre órfã de sete anos. Preta? Não; fusca, mulatinha escura, de cabelos ruços e olhos assustados". O objetivo da ação é que a "Negrinha" tenha uma nota explicativa reconhecendo que possui termos preconceituosos.

O impasse já se arrasta há dois anos, e sofre resistência por parte do MEC, que teve mais uma audiência realizada no último dia 25 de setembro, sem acordo. O Iara, por sua vez, está disposto a levar o tema à Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Veja.
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