terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Falando sobre os personagens...


Os personagens do filme mantiveram boa parte das características de suas versões originais, porém com mais profundidade. Fisicamente, Tintim (Jamie Bell) é o menos parecido, mas isso se justifica pela versão original, cujo rosto não passa de pontos e traços curvilíneos. Em alguns momentos, os closes no rosto do personagem não são lá muito simpáticos, mas ele até que apresenta um visual interessante (as meninas poderão falar melhor sobre isso, rs). A personalidade do protagonista ganhou mais força, o que fica evidente, por exemplo, num momento em que ele perde a paciência com o capitão. O Tintim de Spielberg é destemido, mas não tão determinado como o de Hergé (você vai entender o que eu digo perto do final do filme). Ele é um tanto diferente, mas continua sendo o mesmo.


Assim como nos álbuns, Milu tem grande importância no desenrolar da história. Aqui ele não fala, mas sua expressividade e suas ações sempre ajudam Tintim a sair de enrascadas ou encontrar a solução para os seus problemas. Totalmente gerado por computador, o fox-terrier tem movimentos perfeitos, e nunca fica parado, mesmo que não esteja em destaque na cena. Eu, particularmente, achei o "rosto" do cachorro um pouco estranho (desde o começo, aliás), talvez pelos olhos juntos demais, ou os pêlos acima do focinho. Mas este Milu não deixa de ser uma graça! Uma das crianças na sala de projeção mais de uma vez falou: "eu quero um cachorro desse" - e realmente deve ser o sonho de muitos...

O Capitão Haddock continua um bêbado atrapalhado de bom coração. Mas, nesta versão, a bebedeira do velho lobo do mar é acentuada, tornando-se um elemento fundamental para a história, além de garantir momentos muito engraçados - um ou outro, porém, desnecessário. Andy Serkis mais uma vez fez um excelente trabalho, retratando Haddock como um homem sem perspectivas, frustrado por causa da trajetória de seus antepassados, às vezes ingênuo, outras revoltado; mas, no fim, surpreendente.

Dupond e Dupont, interpretados por Nick Frost e Simon Pegg, ganharam peso, mas perderam espaço no filme. A dupla de atrapalhados detetives ficou limitada a um caso paralelo, o do batedor de carteiras (Toby Jones), que ao meu ver poderia ter sido melhor explorado. Mesmo assim, a essência dos policiais foi mantida (incluindo uma aparição dos dois disfarçados!), o que garantiu parte do alívio cômico do longa. Ainda bem que eles terão mais espaço na sequência!

O grande vilão do filme é apenas um estranho personagem no álbum original. Ivan Ivanovitch Sakharin, interpretado por Daniel Craig, foi um grande acerto dos cineastas. É como se o próprio Hergé tivesse imaginado a relação do estranho colecionador de antiguidades com o pirata Rackham, o Terrível, mas por algum motivo preferisse deixar de fora da história publicada. Sakharin é um vilão que tem suas motivações, não age por apenas querer ser mau, e vai até as últimas consequências para conseguir o que quer. Em contraposição ao fox-terrier de Tintim, o vilão também tem um mascote: um falcão mais competente do que qualquer capanga. Daniel Craig mandou bem em seu primeiro trabalho em captura de movimentos; este com certeza é um vilão para ficar marcado na história do cinema.


Barnabé (Joe Starr) virou Barnabé Dawes, pegando emprestado o sobrenome do marinheiro do Karaboudjan, Herbert Dawes, que foi assassinado pelos bandidos em "O Caranguejo das Tenazes de Ouro" após passar informações para a polícia. O visual ficou idêntico ao dos quadrinhos, e a origem do personagem, que início soou estranho (em especial para quem conhecia a história), fez muito sentido dentro do contexto.

Bianca Castafiore (Kim Stengel) virou um "pitel" em sua versão 3D. O Rouxinol Milanês manteve a forma e o vestido que usava em "As Jóias da Castafiore", e sua voz ficou ainda mais poderosa. Apesar de não aparecer em nenhum dos álbuns adaptados, a personagem é uma das peças-chave da história, o que é surpreendentemente "explicado" quase na metade do longa. Só senti falta de uma coisa: a "Ária das Jóias", que a cantora tanto recita nos álbuns, não está lá!

Nestor (Enn Reitel), o mordomo do castelo de Moulinsart, ficou muito próximo do original. A relação do personagem com Moulinsart foi até mais bem-explicada do que nos álbuns, assim como sua inocência, já que nas duas versões ele trabalhava para os bandidos. Esta com certeza foi uma das inovações mais apreciadas pelos fãs - pelo menos comigo foi assim.


Outros personagens menores, como a Sra. Pinson (Sonje Fortag), o Tenente Delcourt (Tony Curran) e os capangas do Karaboudjan ganharam versões parecidíssimas com seus originais, mas infelizmente alguns tiveram pouquíssimas falas - ou nenhuma. Omar Ben Salaad também teve uma participação limitada, apesar de relevante, assim como Allan Thompson (Daniel Mays), que se tornou apenas um capanga ao nível de Tom (Mackenzie Crook), este com mais espaço.





Há uma participação especial que vai emocionar os verdadeiros fãs de Tintim. É o personagem que abre o filme. Como uma bênção ao filho que está saindo de casa em busca de novos horizontes, aquele personagem especial é uma homenagem digna feita por Spielberg, o pai adotivo do novo Tintim, ao gênio que criou esta magnífica obra.
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8 comentários:

  1. Mesmo no album as semelhanças entre Rackham e Ivan Ivanovitch Sakharin são evidentes!
    Alguém reparou no caraganguejo da fonte de água, acho que foi uma referência ao livro «O Caranguejo das Tenazes de Ouro»

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  2. Achei muito bom, mesmo preferindo os livros!
    Só senti falta do Girassol.

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  3. Girassol já vem no segundo filme.

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  4. eu preferia o vilão do filme os irmãos passarinhos

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  5. o estranho é q no desenho o sakharin não é do mal e os irmãos passarinhos são bem melhores só tem eles no jogo.

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  6. visual super interessante devo admitir ( ͡° ͜ʖ ͡°)

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Fique à vontade para soltar o verbo, marujo!

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