quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

"As Aventuras de Tintim" por Daniel Rocha

Pode conter spoilers!
Aventura nova, personagens clássicos

Spielberg e Jackson conseguiram levar o público do presente às aventuras do passado


Tintim chegar às telas de cinema do mundo todo, através de um dos maiores nomes de Hollywood, já era esperado por fãs e, até mesmo, pelo próprio Hergé, que afirmou Steven Spielberg ser o único capaz de trazer justiça à Tintim, depois de várias tentativas frustradas de levar o personagem para o cinema. Por ser um filme muito esperado, foi um projeto audacioso, na opinião dos milhares de fãs veteranos espalhados pelo mundo... mas foi bem-sucedido.

Já nos primeiros minutos, é possível ver o “pai” de Tintim desenhando seu próprio personagem, e vários retratos de outros personagens que marcaram a série. O público também se depara com algumas reportagens de jornais na parede do apartamento do protagonista sobre aventuras passadas, como “O Cetro de Ottokar” e “O Ídolo Roubado” , para complementar o espírito de nostalgia. Iniciar o filme dessa forma já mostra respeito e boas-vindas aos fãs veteranos da série, ou seja, já começa com um "pé direito", ao contrário das adaptações modernas de outras peças de entretenimento ao cinema que tem a tendência de estragar o espírito original e “modernizar” o personagem. Essa base para o filme foi consolidada. A essência do Tintim de Hergé mostrava-se presente.

O filme foi do começo ao fim mistério e ação, o que poderia ter sido evitado se Spielberg procurasse analisar mais cada personagem e dar mais ênfase à investigação, ou seja, quem esperava menos ação e mais investigação não saiu ganhando. Para alguns, foi um exagero o número de cenas de ação. Para aqueles que não estão familiarizados com a série, o filme pode ter parecido mais fraco. 

A verdade é que se tem uma impressão diferente ao ler os quadrinhos e ver o filme. A rapidez da introdução e a vasta sequência de cenas de ação foram leais ao estilo do Hergé e bem dirigidas., com humor adaptado ao público e ao filme. Ainda mais, a maior emoção do filme só vem para aqueles que conhecem e tem lembranças relacionadas à série de Hergé. A fusão de dois álbuns que não tinham muito a ver (“O Caranguejo das Tenazes de Ouro” e “O Segredo do Licorne”) foi muito bem feita, porque foi tão discreta que um telespectador não familiarizado nem imaginaria ter sido uma mescla. No final das contas, foi uma nova aventura, mas com o mesmo estilo. As cenas adicionais, em relação aos álbuns, realmente fizeram o telespectador entrar mais na história e lembrar das aventuras épicas de Indiana Jones. A ausência de alguns eventos presentes nos quadrinhos não foi um obstáculo ao entendimento da história e ao divertimento. Algumas cenas baseadas nos quadrinhos serão sempre lembradas no cinema, como o combate entre Sir Francis Haddock e Rackham, o Terrível, e a morte de Barnabé quando foi alertar Tintim sobre o perigo que estava correndo. A Weta Digital fez um ótimo trabalho no que diz respeito aos efeitos e às artes visuais, assim como John Williams fez na trilha sonora, que caiu muito bem no filme, especialmente na abertura, mesmo que a famosa música de abertura da série de TV não tenha aparecido.

A série em que Steven Spielberg e Peter Jackson estão se baseando, para fazer grandes filmes nos próximos anos, tem uma grande e longa história por trás. Sem contrariar o conservadorismo de fãs, “As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne” surpreendeu com uma nova aventura e conseguiu trazer o que os fãs de todas as idades queriam: uma nova experiência com Tintim, enquanto leal à obra prima de Hergé.

Texto do leitor Daniel Favoretto Rocha.
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6 comentários:

  1. Não era muito fã de Tintim, porém comecei a gostar dessa série. Por ainda não ter visto o filme e saber vagamente sobre a história desse garoto, compro algumas ideias do texto apresentado para minha própria crítica interna.

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  2. Amei a crítica. Muito bem analisada e com area de profissional do jornalismo. Vc tem futuro, Daniel! Belo jornalista.

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  3. Crítica excelente!! Parece até o Tin Tin que escreveu!!! HAHAHAHAHAHA mas o filme se resume nisso mesmo =)

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  4. Alexandrina Aparecida Rocha30 de janeiro de 2012 09:43

    Daniel Parabéns!!! Estou orgulhosa em saber que alguém tão jovem como você já tem um senso crítico aprofundando sobre cimena/direção/efeitos especiais. Isso é uma resposta a sua dedicação e dom. Quem sabe um futuro jornalista ou um grande advogado. Conteúdo você tem. Grande beijo!!!!

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  5. Parabéns pela critica Daniel, achei o filme ótimo e concordo que foi um filme de ação do começo ao fim... Um pouco diferente do desenho que é mais um suspense. Beijos primo.

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  6. Dando continuidade às palavras elogiosas, só quero acrescentar que lhe falta mais perspicácia em analisar o ser humano, você chega a ser ingênuo (muitos são,você não é o único, senão "ele" ainda não estaria por aí), como alguém pode ser tudo, pense bem..... Deveria escolher melhor suas amizades especialmente com relação aos farsantes, falsários, indivíduos desprovidos de qualquer valor ético e moral. Não se iluda com a idade .... o mais velho é o pior.

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