terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Hergé, Steven Spielberg e Peter Jackson

“Desde que li meu primeiro livro da série, Tintim nunca mais saiu dos meus pensamentos
e do meu coração. Percebi que Tintim e eu estávamos destinados a algum tipo de parceria...
e a uma viagem de descoberta”. - Steven Spielberg, diretor


Com uma série de aventuras emocionantes ao redor do mundo, Tintim se tornou uma sensação planetária. O intrépido repórter com o topete engraçado e a coragem de fazer sempre a coisa certa em todas as situações se transformou num herói mundial dos jovens leitores e numa verdadeira inspiração para os artistas. As graphic novels de Tintim, escritas e ilustradas por Georges Remi sob o pseudônimo de Hergé, cruzaram diferentes culturas, inúmeras gerações e até fronteiras devastadas pela guerra. Um fenômeno cultural pop duradouro, a série foi traduzida em mais de 100 idiomas; e sua vendagem já ultrapassou 250 milhões de cópias... e o número continua subindo.

“Tintim é um repórter ávido que está à caça de fragmentos de pista, que adquirem magnitude e se transformam em aventuras fantásticas ao redor do mundo”, descreve Spielberg. “O que o torna tão interessante é a sua busca inesgotável da verdade, ainda que isso sempre o leve por caminhos traiçoeiros. Com frequência, ele se vê envolvido em grandes enrascadas, mas de alguma maneira, encontra a saída. Já na minha primeira leitura, percebi que Tintim e eu estávamos destinados a algum tipo de parceria”.

 Peter Jackson cresceu com Tintim, e suas aventuras exerceram uma grande influência sobre ele. Desde garoto na Nova Zelândia, muito antes de começar sua carreira cinematográfica – que inclui a trilogia de fantasia mais aplaudida da história do cinema: a saga O Senhor dos Anéis (The Lord of the Rings) – Jackson devorava todos os livros de Tintim que conseguia, apesar do esforço para tentar entender as edições em francês. “Quando é você jovem, pode facilmente se imaginar vivendo as aventuras nas quais Tintim se envolve”, observa Jackson. “Elas apelam a um instinto primitivo de aventura que todos nós temos”.


Ambos viram o potencial cinematográfico do DNA de Tintim. “Ficamos impressionados com o fato de que Hergé contava suas histórias através daqueles belos storyboards, digamos, mas que eram muito simples, claros e de grande força narrativa”, afirma Kathleen Kennedy, a parceira de Spielberg de longa data e, agora, produtora de Jackson.

Spielberg contatou Hergé pela primeira vez há muito tempo, em 1983 – e descobriu que o artista belga estava verdadeiramente entusiasmado com a ideia de pôr seu astuto personagem nas mãos do cineasta. Porém, lamentavelmente, Hergé faleceu antes que eles pudessem se encontrar. Mais tarde, a viúva, Fanny Rodwell, realizou o desejo dele, negociando os direitos com Spielberg. "Hergé escolheu Steven como o único diretor que, segundo ele, poderia fazer um filme baseado no seu trabalho”, afirma o produtor executivo, Stephane Sperry, que está envolvido com a propriedade Tintim há décadas e é fã do personagem há ainda mais tempo. “E o Steven sempre foi muito respeitoso com relação a isso”.


Os cineastas trabalharam lado a lado com Nick e Fanny Rodwell, consultando os dois guardiães do espólio de Hergé e especialistas em tudo relacionado a Tintim. “A coisa mais importante era honrar Hergé e chegar o mais perto possível da sua palheta única de cores e do seu estilo de retrato. Cada uma das suas pranchas ilustrativas conta uma história em termos cinematográficos”, observa o diretor. “Havia uma grande energia cinética em cada pose e ação, parecia que ele tinha tentado comprimir 24 fotogramas em um único quadro, e conseguiu. Eu creio que essa seja a genialidade de Hergé. Cada uma das suas histórias tinha a essência de um filme – e agora nós podemos ser fiéis a isso”.

Spielberg percebeu, na hora, que Jackson era o parceiro ideal. “O Peter me disse: ‘Se você estivesse aqui comigo agora, poderia ver atrás de mim a coleção completa dos livros do Hergé. Eu adoraria fazer parte disso’”, relembra Spielberg. “E assim começou o nosso processo de tentar encontrar uma forma de capturar o estilo artístico tão característico do Hergé e de Tintim, e levá-lo às telas”.

Jackson estava ansioso para começar a tarefa. “Eu vibrei quando o Steven me convidou para fazer parte do projeto”, afirma. “O Steven se parece muito com o personagem Tintim”, comenta Jackson. “Ele é jovem de espírito. É muito curioso. Ele ama aventuras e o seu senso de humor é semelhante ao de Hergé nas Aventuras de Tintim. É a combinação perfeita”.


Além de ser o produtor do primeiro filme da série, Spielberg perguntou a Jackson se ele dirigiria o segundo filme da saga. Jackson concordou e com a aprovação e cooperação de Fanny e Nick Rodwell e da Fundação Hergé, a aventura começou. Fanny, que agora é presidente dos Estúdios Hergé, em Bruxelas, explica: “Foi, para nós, uma verdadeira honra nos associarmos a esses cineastas e criadores excepcionais que, com certeza, levarão Tintim às suas maiores aventuras nas telas dos cinemas. O próprio Hergé já tinha afirmado, certa vez: ‘Eu encaro as minhas histórias como filmes’. Que profético!”

Depois de consultarem a Fundação Hergé, os cineastas convocaram os roteiristas Steven Moffat e a equipe de Edgar Wright & Joe Cornish para darem forma à adaptação cinematográfica. Para apresentar Tintim e seus vários aliados e inimigos ao maior público possível, os cineastas decidiram combinar seus três livros de Tintim preferidos -- O Caranguejo das Tenazes de Ouro, O Segredo do Licorne e O Tesouro de Rackham o Terrível – em um enredo singular que empolgasse os espectadores modernos
.
Os livros foram como uma estrela-guia para os roteiristas. “As histórias de Hergé te levam a um mundo de cores vibrantes e aventuras, mas são muito mais que isso: estão cheias de questões morais, de viagens e exotismo, enquanto nos apresentam a grandeza do mundo e ideias científicas. Creio que essa é uma das razões que as tornam tão importantes no imaginário de milhões de crianças e adolescentes, e queríamos incorporar tudo isso no roteiro”, resume Cornish.


Também os guiou o enfoque conceitual de Spielberg e Jackson, que identificaram elementos de film noir, suspense hitchcockiano e thrillers de efeitos especiais na arte de Hergé e os trouxeram para o primeiro plano. O resultado, afirma Spielberg, é “parte mistério, parte história de detetive, e ainda, uma emocionante aventura, e tudo isso girando em torno da grande história de amizade, lealdade e confiança entre o Capitão Haddock e Tintim”.

Texto: Sony Pictures
Imagens conceituais: The Art of the Adventures of Tintin
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4 comentários:

  1. Britto voce ja conseguiu o livro?

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  2. Infelizmente ainda não consegui meu livro, Anônimo.

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  3. Um belo resumo de tudo o que aconteceu! Gostei :)

    P.S- Se alguem estiver curioso em ver alguma imagem do livro "The Art Of The Adventures Of Tintim" que me digam para eu fazer scan e colocar no fórum (se não estão no fórum registem-se!) :P

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  4. Henrique Tintinofilo21 de dezembro de 2011 12:33

    Puxa estou querendo comprar mas esta dificil estou no dilema se compro uma litografia ou o livro pois ambos tem uma tiragem de 1000 esxxemplares

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Fique à vontade para soltar o verbo, marujo!

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