quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Desenhando o mundo de Tintim

Steven Spielberg e Peter Jackson compartilham não só a imaginação fértil, mas também o ímpeto para explorar novas fronteiras. De extraterrestres à Terra Média, ambos forjaram personagens inesquecíveis em mundos originais e deslumbrantes que jamais conheceríamos fora de uma sala de cinema. Mesmo assim, até hoje, nenhum dos dois tinha investido seu talento artístico num longa-metragem de animação 3D.

               Spielberg e Jackson estavam determinados a serem fiéis ao legado de Tintim, e a paixão de ambos pelo estilo dos desenhos cheios de movimento de Hergé determinou o desenho visual, desde o primeiro dia, na forma de um filme de animação digital. Ainda em sua gênese, enquanto o roteiro ainda estava sendo escrito, montou-se o departamento de arte, e uma equipe de animação e colaboradores em ambas as costas do Pacífico começaram a trocar ideias para os personagens singulares e cenários exóticos de Tintim. Uma das suas primeiras decisões cruciais, e que influenciaria tudo o que se seguiu, foi manter o período e a textura da história vagos no tempo, como se estivessem suspensos numa espécie de universo noir, com sombras negras à espreita em todos os cantos.

“Essas histórias poderiam ter transcorrido nos anos 1930, 50, 80, ou hoje”, observa Spielberg, “e essa é uma parte da beleza que queríamos preservar. Não queríamos no nosso filme celulares, aparelhos de TV nem automóveis modernos. Nossas referências quanto ao desenho de produção provinham em primeiro lugar do próprio Hergé, e não de nenhuma época nem lugar presumíveis”.



Jackson acrescenta: “Queríamos que o filme transmitisse uma sensação um pouco retrô e a tensão de um drama policial. Não nos referimos ao Tintim, mas o mundo em que ele vive. Havia tanto suspense na história que vimos que podíamos incorporar pessoas de trench coat e chapéu sob a chuva, a iluminação urbana projetando sombras no pavimento molhado – esse é o mundo que nós criamos e em que vive o nosso Tintim”.

Depois, os artistas, designers e animadores começaram a visualizar como seria a arte de Hergé se ela existisse no espaço tridimensional. Apesar de terem sido desenhadas há décadas, as ilustrações se prestavam, organicamente, à técnica”, afirma Richard Taylor, coproprietário da Weta Workshop e supervisor de desenho de produção e efeitos do filme. “Quando você olha os desenhos de Hergé numa folha de papel, com o traçado em caneta preta preenchido em aquarela fluída, você só precisa fechar os olhos para começar a imaginar o mundo das aventuras de Tintim. É inevitável vê-lo em 3D”, reflete ele.



Funcionou tão bem, em parte, porque, primeiramente, Hergé já deixara claras as regras de que, nas aventuras de Tintim, a realidade se encontrava em estado puro. "As linhas do que Hergé desenhou não são necessariamente precisas", afirma o supervisor de efeitos visuais, Joe Letteri. "Ele não procurava desenhar exatamente o que via; e nós procuramos manter essas qualidades da mesma forma que ele. Uma grande parte do trabalho do estúdio que o desenhou consistiu em examinar o que ele havia feito para, então, imaginar tudo aquilo de diferentes pontos de vista. Isso nos permitiu começar a construir um vocabulário de como queríamos criar aquele mundo em um ambiente inteiramente animado em 3D".

Para dar vida ao mundo de Hergé e para que os espectadores possam sentir o vento soprando através do espaço virtual, o departamento de arte pesquisou imagens e locações que representariam os vários ambientes pelos quais circulam Tintim, Milu e Haddock, desde as águas revoltas de um oceano durante uma tormenta às areias rosadas do Deserto do Saara. Uma das locações favoritas dos designers foi a cidade imaginária criada por Hergé, Bagghar, no Marrocos, um reino sedutor de intriga no Extremo Oriente.



“Estudamos diferentes estilos de edificações, padrões e arcos no norte da África”, afirma a designer conceitual, Rebekah Tisch, “e pudemos empregar cores e formas fascinantes na criação de Bagghar. Me deu uma grande vontade de ir conhecer aquele mundo – e eu espero que o público assistindo a Tintim sinta o mesmo com essa combinação de excitação e cores”.

A convite de Fanny e Nick Rodwell da Fundação Hergé, o principal designer conceitual, Chris Guise, viajou a Bruxelas para investigar de perto a vida no país natal de Tintim, absorvendo toda a atmosfera que levou à criação do seu apartamento na Rua Labrador, 26, e da fachada do Castelo de Moulinsart, a casa de campo dos Haddock. “Chris fez uma imersão total no mundo de Hergé atrás dos cenários que o haviam inspirado e voltou cheio de ideias e com uma compreensão completa do lugar”, comenta Richard Taylor.


O supervisor de modelos digitais, Marco Revelant, enriqueceu ainda mais a produção, com sua paixão por réplicas de navios, um dos elementos-chave da aventura. Revelant viajou ao Museu da Marinha, em Paris, para dissecar visualmente os galeões nos quais Hergé se baseou, O Brilhante e O Licorne. “Os desenhos de Hergé eram bastante elaborados para as suas dimensões reduzidas”, afirma Revelant. “E nós aplicamos os mesmos ajustes aos nossos modelos digitais”.

O diretor de arte dos efeitos visuais, Kim Sinclair, procurou exaustivamente veículos autênticos, como o Ford 1937 visto nas edições ilustradas, que foram escaneadas para dentro do computador para serem recriadas digitalmente. “Hergé realizou uma investigação meticulosa acerca dos automóveis, como o Ford, e dos hidroaviões, e, por isso, sabíamos o modelo e ano, e até conseguimos encontrar a cartela de cores original do fabricante”, explica ele.



Entretanto, o elemento mais crítico do desenho de produção, desde o princípio, sempre foram os próprios personagens. Das poses cômicas de Haddock à textura do topete armado de Tintim, das formas diferentes dos bigodes dos detetives Dupond e Dupont às emoções transmitidas através do focinho de Milu, todos os matizes foram debatidos, imaginados, repensados e ajustados ao longo de reuniões intensas.

“Nós analisamos cada um dos personagens, de todos os ângulos, para nos assegurarmos de que eram uma reprodução exata do original de Hergé”, conta Spielberg. “Nunca hesitamos em dizer: ‘Olha, esse modelo do rosto do Capitão Haddock não parece estar em sintonia com a arte do Hergé’”.
 
Texto: Sony Pictures
Imagens conceituais: The Art of The Adventures of Tintin
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5 comentários:

  1. ´CAPITÃO!! Meu preferidoooo!!!
    Ratos!!

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  2. Sou de Nova Venécia-ES, e infelizmente não temos cinema em nossa cidade. Gostaria muito de assistir mais esta obra-prima do genial Spilberg. As imagens são lindíssimas. Parabéns pelo blog dedicado a esta obra de arte. É uma pena que os americanos ainda não dão o valor que Spilberg merece. Filmes como o ET, A cor púrpura e o Resgate do Soldado Ryan não ter ganhado como melhor filme é no mínimo absurdo. Sou fã do Steven Spilberg, ele é o melhor cineasta de todos os tempos.

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  3. Fantástico sou fã incondicional do Tim Tim tenho todas as sua aventuras em revistas, quero comprar o CD do filme quando sair, não quero assistir em cinemas pela qualidade inferior e pobre do publico, que vai ao cinema como favelados ruminando pipocas com refrigerantes, sem os malditos celulares ligados.Prefiro assistir este clássico em casa longe desta imundice de gente.

    Reinaldo- Pirituba

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  4. Reinaldo, não tive como não rir de seu comentário, e até concordo em alguns aspectos. Mas não tem vontade de ver o filme na tela grande, ou em 3D?

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  5. É só ir na primeira sessão do filme, às 11 da manhã e numa quinta ou terça feira, quando esse pessoal não dá as caras no cinema.
    O maior problema são às 16 horas da quarta-feira, quando é dia de cinema mais barato.

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