quarta-feira, 28 de abril de 2010

Proibição de "Tintim no Congo" pode sair em uma semana

No dia 5 de maio finalmente deve chegar ao fim a polêmica envolvendo Bienvenu Mbutu Mondondo e a obra Tintim no Congo, de Hergé. A decisão do tribunal belga era esperada para hoje, mas acabou sendo adiada em uma semana. Residente na Bélgica, o estudante universitário congolês aguarda a decisão da Justiça, que pode ou não acatar seu pedido de proibição do álbum no país.

A guerra judicial começou em 2007, quando Mondondo apresentou queixa pela primeira vez, por considerar, entre outras coisas, que o ajudante de Tintim em sua visita ao país africano, Coco (Coquinho, no Brasil), é visto como "estúpido e sem qualidades". Apesar de o álbum continuar à venda na Bélgica e nos países onde foi publicado, há três anos Mondondo 'venceu' uma batalha.

A Comissão para a Igualdade Racial da Grã-Bretanha chegou a pedir a proibição do álbum, alegando que o mesmo continha imagens e "palavras de preconceito racial hediondo, onde 'nativos' africanos são retratados como macacos e falam como imbecis". A edição britânica não deixou de ser vendida, mas agora só pode ser encontrada ao lado de livros para um público mais adulto, e são vendidas com um faixa de papel advertindo que o conteúdo pode ser ofensivo.

Mondondo disse à BBC que o livro "faz as pessoas pensarem que os negros não evoluíram". Ele também afirma que está pedindo a proibição das vendas do álbum no país, mas que, caso não consiga, ficará satisfeito em vê-lo nas prateleiras das livrarias com um aviso semelhante ao britânico.

Publicado em 1930, Tintim no Congo já sofreu duras críticas, por representar estereótipos raciais considerados grosseiros. Anos depois de sua publicação, Hergé afirmou que a concepção da história foi um pecado da juventude que refletia os preconceitos da época.

No Brasil, o álbum é vendido normalmente, inclusive sendo exposto junto com as demais obras assinadas por Hergé.

Com informações dos sites BBC Brasil e Times.
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5 comentários:

  1. Acredito que o correto seria mesmo continuar com a comercialização da obra, porém com o aviso de que o conteúdo pode ser ofensivo. Desta forma se mantém a liberdade de expressão e se atende o pedido dos que são contra a publicação "normal" do álbum.
    Ainda não li "Tintim no Congo", mas se o próprio Hergé admitiu que foi um "pecado da juventude que refletia os preconceitos da época", então devem haver mesmo expressões e atitudes racistas que devem ser atentadas no álbum.

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  2. Caro J. Junior,
    Leia "Tintim no Congo" e forme a sua opinião. Não vá no que os outros dizem. Veja bem, eu que o li, considero a pretensão desse cidadão congolês perfeitamente disparatada. Sustentar que a obra "faz as pessoas pensarem que os negros não evoluíram" é, no mínimo, passar atestado de estupidez aos leitores. Neste tempo e era em que todas as raças interagem não é um livro que nos leva a semelhante conclusão. "Tintin no Congo" pertence à sua época como todas as obras de arte. Atender este pedido levará a que "A Cabana do Pai Tomás" seja, no mínimo, interditada, "Os Miseráveis" queimado na praça pública. Começamos aqui e paramos onde ?

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  3. Caro Jorge Macieira,

    Antes de tudo quero dizer-lhe que não sou do tipo de pessoa que "vai pelo o que os outros dizem". Tenho opinião própria para dar meu ponto de vista sobre variados assuntos e argumentos suficientes para sustentá-los.
    Mesmo sem ter lido "Tintim no Congo" baseei minha opinião nas palavras do próprio autor da obra, o genial Hergé, que admitiu que a concepção do álbum foi "um pecado da juventude que refletia os preconceitos da época". Desta forma, você não acredita que deixarei de acreditar nas palavras dele para acreditar nas suas, não é mesmo?
    Creio que você não leu com atenção suficiente o meu comentário anterior. Mas não há problema. Posso perfeitamente repeti-lo. Eu argumentei que o melhor, na minha humilde opinião, seria continuar com a comercialização da obra, porém com o aviso de que o conteúdo da mesma pode ser ofensivo. Ou seja, trata-se de uma idéia particular e totalmente diferente de censura, pois "Tintim no Congo" NUNCA deixaria de ser vendida, apenas contaria com uma aviso pertinente aos leitores.
    É mais que sabido que inúmeros desenhos animados e álbuns de quadrinhos de variados personagens apresentam manifestações racistas no decorrer de sua trajetória histórica, sendo que nenhum deles fora proibido. Então, por qual motivo "Tintim no Congo" seria? Jamais!
    Como estudante de Comunicação Social - Jornalismo considero a censura algo nefasto e totalmente absurdo. Desta forma, nunca defenderia tal prática e considero um exagero desmesurado sua opinião de que "'A Cabana do Pai Tomás' seja, no mínimo, interditada e "Os Miseráveis" queimado na praça pública, caso 'Tintim no Congo'" seja proibido.
    Para concluir, acredito que o povo africano e negro já foi tão explorado e estereotipado neste planeta, que colocar um aviso numa obra não seria uma forma de censura, mas sim uma maneira de pelo menos reparar e minimizar os danos e injustiças já sofridas por eles por conta do racismo.

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  4. como se proibir uma historia pudesse resolver o problema do racismo no mundo

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  5. Não vejo sentido em proibir uma história do Tintin. Mas acho interessante a polêmica a respeito. Uma sugestão para as editoras que publicam as maravilhosas histórias de Tintin no mundo inteiro é a de acrescentar um adendo, explicando as barbaridades que Leopoldo II, da Bélgica, fez no Congo. Barbaridades que, segundo Vargas Llosa, é completamente ignorada no museu de Leopoldo, na Bélgica.

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Fique à vontade para soltar o verbo, marujo!

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