COLEÇÃO DE FIGURAS DE TINTIM FINALMENTE NO BRASIL

Todos os detalhes do lançamento da Planeta DeAgostini

ÁLBUNS DE TINTIM EM PRETO-E-BRANCO CHEGAM AO BRASIL

Globo Livros lança réplicas das versões originais de Tintim

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Série inédita baseada em "O Lótus Azul" é transmitida no rádio

PELA PRIMEIRA VEZ EM CORES

Veja a capa da nova edição de "No País dos Sovietes"

AS ATADURAS DE TINTIN

Infográfico reúne todas as pancadas que Tintim já levou

TPT ENTREVISTA ISAAC BARDAVID

Assista o bate-papo com o dublador do Capitão Haddock

TPT ENTREVISTA O PRIMEIRO TINTIM DO CINEMA

Jean-Pierre Talbot fala tudo sobre os únicos filmes de Tintim com atores reais

70 ANOS DO JOURNAL TINTIN

Publicações e eventos marcam o aniversário da revista

TPT ENTREVISTA O DUBLADOR DE TINTIM

Oberdan Jr conversa com o blog em vídeo de duas partes. Confira!

sábado, 28 de novembro de 2009

A Evolução da Alfa-Arte II

Está no ar a segunda parte do nosso especial, onde você vai poder conhecer um pouco mais sobre as adaptações e diferenças presentes nas principais versões do álbum Tintim e a Alfa-Arte...

Ramo Nash

Em 1988, um artista sob o pseudônimo Ramo Nash publicou sua própria versão de Tintim e a Alfa-Arte. Esta foi a primeira vez que alguém decidiu "completar" o álbum, e isso poucas semanas após a publicação dos esboços originais pela Casterman.

O álbum foi colocado à venda e, em algumas semanas, a versão básica se tornou um objeto raro de se encontrar. Uma edição de "luxo", numerada de 1 a 150, foi reservada para alguns privilegiados. Apesar de trazer papel de alta qualidade e capa em cores vivas, o conteúdo do livro não agradou. Além de gráficos mal feitos, a história decepcionou no quesito originalidade.

Yves Rodier

Em 1991, o desenhista Yves Rodier concluiu sua própria versão do álbum, depois de cinco anos de trabalho. Ele começou ainda jovem, aos 19 anos, mas procurou ser o mais fiel possível ao estilo de Hergé. Na imagem abaixo você confere a arte da primeira capa (e contra-capa) oficial, presentes em 9 exemplares do álbum, de 1992 - o artista substituiu o lema "Hommage" (Homenagem) por "Héritage" (Herança).

Diversas edições do pastiche de Rodier foram publicadas, em preto e branco. O trabalho daquele jovem canadense agradou tanto que ele foi aprovado pelos amigos e colaboradores de Hergé, Edgard P. Jacobs e Bob de Moor. Pouco antes de sua morte, De Moor ainda tentou fazer desta versão parte do cânon oficial de Tintim, e publicar o álbum como "Homenagem a Hergé". Seu desejo era ajustar o pastiche de Rodier, contando com a ajuda de Greg no aprimporamento do roteiro. Mas a ideia não foi aprovada pelos detentores dos direitos autorais de Hergé.

Em 1995, uma livraria belga colocou à venda 25 exemplares piratas do álbum de Rodier, com o selo das Editions Romméo - veja a capa à direita. Cinco anos depois, a versão pirata foi reeditada, contra a vontade de seu autor.

Há alguns anos, a versão de Yves Rodier foi colorida e traduzida para diversos idiomas, como inglês, francês e espanhol. Este é o mesmo álbum que o blog publica semanalmente, trazendo pela primeira vez para o Brasil uma versão recolorida e traduzida para a nossa língua. A nossa adaptação do álbum é feita com base nas versões em inglês e francês, disponíveis na internet.

Apesar de ser uma das melhores versões da Alfa-Arte, pra não dizer a melhor, nunca vamos ter certeza se é assim que Hergé queria que a história fosse, ou se ao menos ele aprovaria a adaptação.

ENSBA

Esta terceira versão é, certamente, a mais rara. Produzida entre 1988 e 1989 por estudantes de Belas Artes de Paris, é a mais avançada graficamente, e só está disponível em CD-ROM. As páginas foram feitas em pranchas de 30 x 25 e digitalizados a 360 dpi em escala de cinza.

Os artistas envolvidos nesta versão decidiram não tentar terminar a história, mas finalizá-la no mesmo ponto onde Hergé parou, na cena em que Tintim é levado para a morte. Esta versão toma o cuidado de explicar que foi produzida por simples prazer, e não com o objetivo de ser mais uma publicação clandestina.

Uma nova edição oficial

Em 2004, a Casterman resolveu lançar uma nova edição do álbum, dessa vez mais caprichada. Com um layout totalmente novo, o álbum traz uma capa dourada e mistura eboços de Hergé com textos e desenhos ampliados para destacar partes da história. O formato é o mesmo dos álbuns tradicionais: um livro de capa dura, com sessenta e duas páginas. Esta versão foi publicada no Brasil em 2008 pela Companhia das Letras.

Uma das novidades da edição de 2004 foi a inclusão de nove páginas, apresentando ideias alternativas para a história. As mais significativas são as seguintes:

.: Uma mudança de estilo de vida para o Capitão Haddock. Apaixonado pela obra de Ramo Nash, ele muda seu estilo de vestir, transforma sua casa, planta maconha e estoca haxixe nos porões de Moulinsart. Tintim e Haddock são presos, sob acusação de tráfico de drogas, e uma investigação é iniciada em Amsterdã.

.: Pintura e narcóticos: Uma grande festa é realizada na embaixada de Sondenésia, com a presença de embaixadores de diversos países, incluindo San Teodoro, Bordúria e Syldavia. O Dr. Krollspell (veja Voo 714 para Sidney) faz uma aparição, como diretor de uma fábrica de açúcar mascavo.

.: O Capitão Haddock sofre de neurastenia, pois já não pode beber uísque. Nesse meio tempo, ele se apaixona pela obra de Ramo Nash. O Prof. Girassol inventa um produto que supostamente permitirá que Haddock volte a beber. Mas quando o remédio é testado, faz o Capitão perder todo o seu cabelo e ganhar manchas no rosto.

.: A possível verdadeira identidade de Endaddine Akass é revelada: Rastapopoulos. Não é algo confirmado, mas especula-se que Hergé realmente queria usar esta ideia.

.: Outra revelação presente nas páginas descobertas é que Endaddine está envolvido com o Emir Ben Kalish Ezab, o que também não fica muito claro.

.: Uma das páginas alternativas traz a imagem de Rastapopoulos - que apareceria entre as páginas 39 e 40.

.: Haddock é convidado para uma exposição de Ramo Nash. Uma série de velhos conhecidos participa, como Dawson (O Lótus Azul), os irmãos Pardal (O Segredo do Licorne) e Carreidas (Voo 714 para Sidney).

.: Uma das páginas mostra uma anotação de Hergé, na verdade uma dúvida, que poderia levar a história um feliz desfecho: 'Tintim só será salvo graças a... Milu? Haddock? Ao professor? A...?' - infelizmente ficamos sem a resposta...

Outras versões

Além das versões listadas acima, existem várias outras, algumas produzidas por fãs, outras por aproveitadores. Algumas delas chegaram a ser publicadas, e entre as mais populares podemos citar os pastiches de Hémo (um dos mais procurados - e caros - em feiras de quadrinhos europeias) e Régric (pseudônimo de Fréderic Legrain), de 1995. Assim como aconteceu com Yves Rodier, o trabalho de Régric agradou aos antigos colaboradores de Hergé, como Bob de Moor.

Veja abaixo algumas versões de Tintim e a Alfa-Arte através de uma vinheta presente na página 3 do álbum e compare com original de Hergé. Apesar de o estilo do criador ser mantido, é visível a diferença no traço de cada artista.

Até um rascunho do mestre supera as cópias finalizadas...

O artista anônimo decepcionou bastante em sua versão "improvisada" da Alfa-Arte.

Já o jovem Rodier conseguiu agradar, criando um final à altura da obra.

Este foi um dos artistas que soube copiar de forma mais precisa o traço de Hergé.

A versão de Hémo é uma das mais procuradas pelos tintinófilos na França e Bélgica.

Esta é a nossa versão, sobre o desenho de Rodier. Publicada aqui semanalmente.

E tem mais...

Na próxima parte do nosso especial, você confere uma entrevista exclusiva que o desenhista Yves Rodier concedeu ao blog. Fique ligado, pois a terceira parte vem mais cedo: é nesta quarta, no único blog brasileiro dedicado à obra de Hergé!

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Peter Jackson: 'O filme será o mais fiel à obra de Herge'

Peter Jackson esteve em Londres para o lançamento de seu novo filme Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones). No país da rainha, o diretor de The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn concedeu uma entrevista exclusiva ao jornalista Hugh Dayez, da TV belga RTBF. Um dos principais assuntos, é claro, foi a adaptação hollywoodiana das Aventuras de Tintim.

Jackson voltou a contar os motivos de, junto com Spielberg, ter escolhido a técnica de captura de movimentos (utilizada mais recentemente em Os Fantasmas de Scrooge, de Robert Zemeckis) para levar Tintim às telonas. Nessa técnica, o computador registra os movimentos dos atores e formam uma espécie de esqueleto do personagem, que depois é "vestido" em computação gráfica. É por isso que o filme levará tanto tempo para ficar pronto, já que a pós-produção envolve muito trabalho.

"Nosso filme sobre Tintin será o mais fiel à obra de Hergé"

Empolgado, Peter Jackson explicou: "A única alternativa possível para mim era um filme live-action [com atores reais em cena]. Mas eu percebi que, ver os atores interpretando Tintin e o Capitão Haddock, isso produziu uma impressão estranha, pouco convincente. Mas, com o 'motion capture', nós podemos desenvolver a nossa ideia: pegar os desenhos de Hergé e transportá-los a um mundo em três dimensões, mantendo a estética dos álbuns... É como se suas pranchas originais viéssem à vida! Cada rosto, cada elemento de decoração, cada carro, cada edifício é extraído de suas páginas de quadrinhos. É realmente muito fiel à sua arte!"

Jackson responde também como Tintim, cuja fama é considerada mais regional do que internacional, conseguiu atrair os famosos diretores de Hollywood. "É muito simples: quando eu era criança e lia esses álbuns, eu queria ser Tintin!" exclama. "Ele viveu todas as aventuras que eu poderia sonhar! E na fase adulta, esse sentimento nunca acabou! Isto que é incrível com Tintin: ainda hoje, quando leio um álbum, eu me sinto mal com ele, assim como quando eu tinha oito anos... Essa é realmente uma das peculiaridades da fascinante arte de Hergé!"

A matéria confirma que a gravação do longa está concluida. O processo durou apenas algumas semanas, visto que foi realizado sem figurinos ou cenários. Também é tirada uma dúvida que ainda pairava no ar: o filme será baseado não só em O Caranguejo das Tenazes de Ouro e O Segredo do Licorne, como também em O Tesouro de Rackham, o Terrível (bem que eu desconfiei!). Segundo o entrevistador, o cineasta neozelandês deu a entender que não esquecerá de Bruxelas, cidade natal de Hergé - e por que não dizer de Tintim, também?!

'As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne' tem estreia marcada para outubro de 2011. Não deixe de acompanhar todas as informações sobre o longa aqui, no único blog brasileiro dedicado à obra de Hergé.
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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

'Tintim está pronto', diz Peter Jackson


Mas calma, que ainda falta muito para ver nosso herói nas telonas! Na verdade, em recente entrevista, o diretor Peter Jackson falou sobre seu próximo trabalho, O Hobbit, e como não poderia deixar de ser, comentou também sobre o andamento da adaptação de Tintim para os cinemas: "Sim, o filme existe, de certa forma, mas num estado muito primário".

Apesar de estar 'pronto', o filme ainda vai levar quase dois anos em processo de pós-produção, pois o que Jackson tem em mãos é apenas a matéria-prima. Ou seja, as cenas gravadas em motion-capture já foram devidamente montadas, editadas - só falta passar pelo processo de renderização, que consiste em transformar uma captação de imagem em um frame do filme, um dos processos mais demorados de uma produção cinematográfica. Enquanto isso acontece, Jackson trabalha também na adaptação de "O Hobbit", que está em fase de pré-produção. O diretor e sua equipe atualmente procuram locações na Nova Zelândia, onde ocorrerão as filmagens.

Lembrando que a primeira imagem de Tintim será exibida em janeiro de 2010, num festival de quadrinhos na França.
Agradecimentos: Objectif Tintin. Editado em 29/11/09 com informações do site Cinema com Rapadura.
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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Você pergunta, o blog responde!


Vez por outra os leitores do blog mandam e-mails com críticas, sugestões e, principalmente, dúvidas sobre Tintim. E eu sempre faço questão de responder, mesmo que isso demore algum tempo. Agora decidi que vai ser assim: sempre que surgirem perguntas mais curiosas, sobre assuntos interessantes, é claro, não vou apenas enviar a resposta ao leitor, como também publicá-la aqui no blog.

Para começar, trago aqui as respostas à leitora Luciana, que está fazendo um trabalho sobre o álbum O Tesouro de Rackham, o Terrível. Ela perguntou se (1) o ator Gad Elmaleh fará o papel do vilão Rastapopoulos e (2) em que ano se passou a história, para poder saber o que estava acontecendo no mundo real e se o autor utilizou algum fato histórico para elaborar o roteiro.

Bom, respondendo às perguntas:

1. O ator marroquino Gad Elmaleh (foto) interpretará o vilão Omar Ben Salaad, e não Rastapopoulos, no longa The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn. Na verdade, este último nem mesmo está presente no álbum 'O Tesouro de Rackham'.

Além disso, os álbuns que estão sendo adaptados para o cinema, segundo divulgado, são O Caranguejo das Tenazes de Ouro (de onde provavelmente será retirada uma única cena, a do primeiro encontro entre Tintim e Haddock) e O Segredo do Licorne. Apesar dessa informação, eu creio que é bem provável que 'O Tesouro de Rackham' esteja no longa, já que outros títulos estão sendo especulados para o segundo filme da trilogia - como As 7 Bolas de Cristal e O Templo do Sol). Sem contar que a história do primeiro filme ficaria bem mais concreta se apresentasse início, meio e fim...

2. 'O Tesouro de Rackham', continuação de 'Licorne', foi concebido no ano de 1944. Na minha opinião, pelo menos, o contexto histórico não tem muito a ver com a aventura, que basicamente trata da busca de um tesouro pirata e mostra a mudança do Capitão Haddock para o Castelo de Moulinsart, que herdou de seu antepassado, Sir Francis, o Cavaleiro de Hadoque.

É bem provável que o personagem Rackham, o Terrivel, inimigo nº 1 do Cavaleiro de Hadoque, tenha sido baseado no pirata inglês John "Calico Jack" Rackham, que realmente existiu, no século XVIII.

Outra curiosidade relevante é que a história se passa por volta de 1942, época da ocupação nazista na Bélgica. Tintim e Haddock embarcam no navio "Sirius" rumo a uma ilha deseconhecida, supostamente localizada no Caribe, ao norte da República Dominicana (chega-se a essa conclusão levando em conta as coordenadas: 20º37'42" N - 70º52'15" O). Isso é digno de nota porque os americanos jamais deixariam uma embarcação estrangeira - movida a vapor, ainda por cima! - chegar tão perto de seu território em plena Segunda Guerra Mundial...

Espero ter ajudado a colega. Quem tiver mais curiosidades sobre o contexto histórico de "O Tesouro de Rackham, o Terrível", entre em contato.

.: E se você também tem dúvidas ou sugestões para o blog, envie uma mensagem para o email: contatobritto@hotmail.com. Ou siga-me no Twitter: @Britto_PH.
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sábado, 21 de novembro de 2009

A Evolução da Alfa-Arte I

Você vai conhecer, a partir de agora, as inspirações, as adaptações, as modificações e curiosidades - desde o começo até os dias atuais -, tudo que está por trás deste que seria o último álbum de Hergé, Tintim e a Alfa-Arte.

Como tudo começou...

Em 1976, poucos meses após a publicação do Tintim e os Tímpanos, Hergé contou ao jornalista e escritor Numa Sadoul que já estava planejando a próxima aventura de Tintim. A princípio, o cartunista belga desejava contar uma história inteira em um mesmo cenário: o saguão de um aeroporto. A ideia logo foi abandonada e, dois anos depois, ele decidiu criar uma aventura tendo como plano de fundo o mundo da arte moderna. Durante seus últimos anos, Hergé estava cada vez mais interessado em arte moderna, chegando a fazer disso um hobby, então não era de se espantar que escolhesse a arte de vanguarda para integrar sua nova história.

Inspirações

Seguindo o caminho de outras obras do autor, Tintim e a Alfa-Arte teve inspirações em alguns casos e pessoas reais. Para contar a história do suposto mago Endaddine Akass e seu comparsa, o falsificador Ramo Nash, Hergé se lembrou de um caso que ganhou destaque na década de 60: Fernand Legros (1931-1983), comerciante de arte, vendia as falsificações do artista húngaro Elmyr de Hory (1906-1976) a galerias do mundo inteiro. Para enriquecer a trama, o autor incorporou um segundo elemento: uma seita e um falso guru.

Martine Vandezande, a moça que trabalha na Galeria Fourcart, parece ter sido baseada na aparência da cantora grega Nana Mouskouri. Seu sobrenome parece ter sido retirado do nome de uma editora, "L'imprimeur Vandezande", que publicou um calendário de Tintim em 1946.

Como você já viu aqui, outra personagem que teve inspiração na vida real foi a Sra. Laijot, que aparece na página 21. A velha rabugenta que trabalha na contabilidade da Galeria Fourcart foi baseada numa colaboradora de Hergé de personalidade igualmente forte, a colorista Josette Baujot, falecida em agosto deste ano (saiba mais aqui).

O que revelam os esboços

Uma das ideias de Hergé para a nova aventura era trazer de volta o vilão Rastapopoulos (que fora abduzido por alienígenas em Voo 714 para Sidney), mas segundo Harry Thompson, ele desistiu da ideia em 1980, quando introduziu o elemento "alfa-arte" - a arte com o alfabeto. Ainda assim, existe uma suspeita de que o vilão Ramo Nash, ou seu cúmplice Endaddine Akass, possa ser Rastapopoulos em mais um de seus disfarces - vale lembrar que ele já havia feito isso, em Perdidos no Mar, quando usou o nome de Marquês de Gorgonzola.

Analisando os diferentes esboços, é possível ver que as cenas no Castelo de Moulinsart foram reduzidas, talvez em favor do equilíbrio da história. No manuscrito original, Tintim, Milu e Haddock não vão para Ischia até a página 31.

Outra característica interessante em Tintim e a Alfa-Arte é o destaque que se dá a Martine Vandezande. Ela é uma das poucas mulheres a ganhar mais espaço num álbum, e a única (além de Castafiore), a ter mais de 5 falas em toda a série de histórias de Tintim. Além disso, a cena que envolve a Sra. Laijot foi marcada para um possível corte - isso é indicado pela inscrição "20 bis" no manuscrito original, o que significa uma página 20 adicional.

Hergé trabalhava intensamente na criação de Tintim e a Alfa-Arte. Mesmo doente, não deixou de rabiscar, escrever e desenhar aquele que poderia ser o último álbum de seu mais célebre personagem. Hergé só conseguiu chegar até a página 42, e seu último quadrinho esboçado mostra Tintim sendo levado por um dos vilões, que diz: "Agora ande! Chegou a hora de transformá-lo num 'César'...".

Muitos acreditam que o objetivo de Hergé era literalmente colocar um ponto final em Tintim - o autor teria, aparentemente, brincado com um amigo a este respeito. Mas a julgar pela página onde acontece a cena (42), é fácil concluir que não era esse seu objetivo, ainda havia muita história para se desenrolar (já que os álbuns de Hergé têm em média 62 páginas). Vale lembrar também que inúmeras vezes o heroi esteve à beira da morte, mas sua sorte peculiar sempre aparecia nas horas certas. Endaddine Akass ser mais um disfarce Rastapopoulos, o eterno inimigo de Tintim, também é incerto. Não só por ele ter "sumido" na aventura anterior, mas também pela falta de qualquer semelhança física com o mago. Se Tintim e a Alfa-Arte seria realmente a última aventura de nosso destemido repórter, nós nunca vamos saber, porque esse segredo foi guardado até o fim por Hergé.

Hergé morre - o que fazer com o álbum inacabado?

Com a morte de Hergé, em março de 1983, surge a questão: o que fazer com o álbum, já que não foi finalizado pelo seu autor - deve ser concluído, publicado em sua forma atual, ou simplesmente esquecido?

Bob de Moor, principal assistente de Hergé, mostrou interesse em concluir o livro, bem como Edgard P. Jacobs, amigo do autor. Ambos haviam trabalhado com Hergé por mais de 20 anos. Desde 1951, De Moor era responsável pela direção dos estúdios Hergé em sua ausência. Ele esteve envolvido na adaptação do desenho animado Tintim e o Lago dos Tubarões para os quadrinhos, colaborou com Hergé na criação de seu último álbum, Tintim e os Tímpanos, e podia imitar o traço do mestre como ninguém. Assim, tanto a Casterman, editora de Tintim na França e na Bélgica, como Fanny Remi, viúva de Hergé, concordaram com a conclusão da obra. Como o roteiro precisava ser concluído, e sofrer alguns ajustes em determinadas partes, De Moor pensou em chamar Greg, que já estava familiarizado com o universo tintinesco.

Depois de alguns meses, porém a sra. Remi teria sido convencida por Benoît Peeters, um dos maiores conhecedores da obra de Hergé, que De Moor não seria a esolha correta para os trabalhos sobre o álbum. Além disso, havia o fato de o próprio Hergé, mesmo reconhecendo que seus colaboradores estavam ainda mais talentosos do que ele, declarou publicamente que só ele poderia dar vida ao personagem - "Tintin c'est moi!", exclamou. Por isso, Fanny Remi voltou atrás, deixando Bob de Moor frustrado.

A essa altura, os fãs de Tintim já sabiam sobre o álbum, e esperavam uma resposta. Apesar de não ter completado o álbum, Hergé deixou cerca de cento e cinquenta páginas de esboços a lápis. Foi aí que a Casterman decidiu publicar um livro contendo aqueles esboços.

Uma equipe de especialistas foi convocada para o trabalho de edição, dentre estes Michel Bareau, Jean-Manuel Duvivier e Benoît Peeters. Eles selecionaram as páginas que formavam uma narrativa mais coerente. Peeters decidiu deixar de lado a página que revelaria a verdadeira identidade do vilão Endaddine Akass - a fim de criar o mito que Hergé teria levado esse segredo para o túmulo.

Em 1986, o álbum foi lançado: o resultado era um livro de quarenta e duas páginas de esboços, acompanhado de um folheto com as falas dos personagens. Apenas as três primeiras páginas eram compreensíveis, já que foram as únicas a passar de um simples esboço a um rascunho mais elaborado.

Das páginas 4 a 42, era possível conferir desenhos num estado ainda muito primário, complicado para o leitor comum. A maioria dos fãs ficou desapontada com o resultado, primeiro por causa do preço muito mais elevado do que outros álbuns, e também pela qualidade do conteúdo - o roteiro era completamente inconsistente e o final frustrante.

Todos querem sua própria versão...

Com a decepção causada pela primeira versão oficial do álbum, várias pessoas decidiram fazer sua própria conclusão da história. Algumas apenas para ganhar dinheiro nas costas dos fãs frustrados, outras simplesmente pela paixão. Na segunda parte do nosso especial, você vai conhecer algumas dessas versões, além de outras curiosidades sobre a evolução da Alfa-Arte...
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Tintim e a Alfa-Arte 43

Pobre Tintim! Não é nada bom o destinto que lhe aguarda...

E na próxima postagem,a primeira parte do especial A Evolução da Alfa-Arte. Aguarde...


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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Nick Frost fala sobre 'Paul' e 'Tintim'


Nick Frost falou ao site ReelzChannel sobre seus futuros trabalhos no cinema. O ator, que já trabalhou ao lado de Simon Pegg em "Todo Mundo Quase Morto" (Shaun of the Dead) e "Chumbo Grosso" (Hot Fuzz), volta a dividir a cena com o amigo em "Paul", dessa vez também como co-roteirista do longa, onde dois nerds encontram um alienígena na Area 51.

Como você já sabe, a dupla também estará reunida em 'As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne', nos papéis de Dupond e Dupont, e eu não poderia deixar de destacar o que ele fala sobre o filme. O ex-garçom começou a atuar há oito anos, e volta a afirmar que foi assustador trabalhar com Steven Spielberg pela primeira vez: "Estar no set com ele e ele saber o seu nome, e quando ele está feliz com uma tomada ele fazer uma dancinha... é uma ótima forma de trabalhar".

Apesar de nunca ter utilizado a técnica de captura de movimentos, Frost diz que Spielberg aprendeu rápido: "Sua taxa de aprendizagem é muito diferente da de um ser humano normal". E completa: "Na maior parte do tempo, ele dirigiu como se fosse qualquer outro filme".

Paul tem lançamento previsto para meados de 2010, enquanto The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn estreia em outubro de 2011 em todo o mundo, e 23 de dezembro do mesmo ano nos EUA.
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Neste sábado, aqui no blog...

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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Tintim e a Alfa-Arte 42

Tintim está numa enrascada. O que será que vai acontecer com nosso destemido repórter?!

Corre, Milu! Você é nossa última esperança...

.: E na semana que vem, não perca: junto com a página 43, veja o especial A Evolução da Alfa-Arte.
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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Além de Tintim: Wallace & Gromit

Wallace & Gromit são dois personagens de animação em stop-motion (massa de modelar), criados pelo britânico Nick Park (foto). Wallace é um inventor atrapalhado, que faz qualquer coisa por um bom queijo. Gromit é seu cachorro, que apesar de não falar, tem uma personalidade e inteligência de dar inveja a qualquer humano, inclusive a seu dono.

Por que os fãs de Tintim devem se interessar? Bom, Nick Park, criador dos personagens, já declarou ter sido influenciado pelo cartunista belga Hergé na concepção de seus desenhos animados. O animador e diretor afirmou ao site Animation Art Conservation que os filmes de 'Wallace & Gromit' que fez sempre sofreram influências de outras obras de cinema e animação. Desde pequeno ele admira os filmes de Hitchcock, bem como os trabalhos de Chuck Jones (criador de Tom & Jerry) e Walt Disney.

Além do cinema, os livros também influenciaram sua obra, em especial os quadrinhos, como ele mesmo disse na entrevista: "Nos anos 70 e 80 eu li álbuns em quadrinhos, como As Aventuras de Tintim, de Hergé, e os livros ilustrados de Raymmond Briggs", ambos muito populares no Reino Unido, onde nasceu.

Mas não é a primeira vez que o diretor dá esse tipo de declaração. Nos comentários de um DVD de curtas de 'Wallace e Gromit', Park fala sobre sua inspiração para "Dia de Folga" (A Grand Day Out, 1989 - foto à direita), curta-metragem onde a dupla de personagens constrói um foguete espacial (veja aqui):
"Eu fui inspirado em Tintim ... e a forma como eles foram à Lua naquele foguete, e o modo como Hergé estava tão por dentro da estrutura técnica das coisas, e tudo tinha que ter uma forma bonita, sabe, completamente anti-tecnologia morderna, em alguns aspectos".

"Wallace & Gromit", principal criação de Nick Park (responsável também por A Fuga das Galinhas), é sucesso no Reino Unido e em vários países do mundo. Em 2005, ano desta entrevista, foi lançado pela Aardman, em parceria com a DreamWorks, o primeiro longa estrelado pelos personagens: Wallace & Gromit e a Batalha dos Vegetais. O filme ganhou um Oscar de Melhor Filme de Animação, sendo o terceiro conquistado pela dupla.
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Tintim e a Alfa-Arte 41

A baixa qualidade da página 41 atrasou um pouco a edição, mas eis aqui a continuação da nossa aventura... Uma das páginas mais importantes de Tintim e a Alfa-Arte. Muitos mistérios estão sendo revelados!

A tensão aumenta. Qual será o destino de Tintim?! Não perca as emoções da próxima página...

Curiosidades

.: O escultor César, citado nesta página, realmente existiu. César Baldaccini (1921-1998), francês de Marselha, é considerado um dos maiores escultores do século 20. Seu trabalho caracteriza-se em grande parte pelas "compressões", realizadas em automóveis e objetos variados - todos passados pela prensa. Também trabalhou com plásticos e poliuretano. Entre suas obras mais conhecidas está o gigantesco polegar de La Défense (Le Pouce), de 1965, que aparece na foto ao lado.

.: E não esqueça: Faltam apenas duas páginas para a publicação do especial A Evolução da Alfa-Arte. Você não perde por esperar!
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Veja também

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Site oficial de Tintim

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