segunda-feira, 15 de junho de 2009

As Desventuras de Tintim na Rússia

A Rússia foi, provavelmente, o último país do mundo onde chegaram os álbuns de Tintim. Ironicamente, o herói dos quadrinhos belgas teve sua primeira aventura justamente no "País dos Sovietes", em 1929. O primeiro e, por enquanto, único livro de aventuras de Tintim chegou aos leitores russos apenas em 2004 e chama-se "Os Charutos do Faraó".

Os especialistas russos em história dos quadrinhos não têm dúvidas de que este enorme atraso na chegada das aventuras de Tintim à Rússia se deveu ao primeiro álbum de Hergé "Tintim no País dos Sovietes", obra que esteve proibida na União Soviética por ser considerada "anticomunista" e que pelo mesmo motivo continua a não chegar às mãos dos leitores chineses.

Georges Remi (Hergé) coloca os seus heróis, Tintim e Milú, no período revolucionário em que os comunistas instauravam o poder pela força, tendo-se baseado na obra "Moscou sans voiles", de Joseph Douillet, diplomata belga que viveu e trabalhou durante nove anos na Rússia soviética. Algumas cenas do primeiro álbum de Hergé são uma descrição exata de episódios narrados por Douillet, como "as eleições democráticas" na aldeia com uma pistola apontada à cabeça - veja a imagem abaixo.

Sendo o diplomata belga um anticomunista, os estudiosos russos de quadrinhos europeus consideram aí residir uma das causas da "falta de qualidade" dessa obra.

"Não obstante a abordagem extremamente pormenorizada [da situação na Rússia soviética], a primeira experiência falhou, pois deu origem a uma história em quadrinhos bastante primitiva que contém numerosos disparates", como a existência de um agente da polícia política soviétiva OGPU que adora bananas, considera Elena Bulakhtina. Mas apesar disso, ela reconhe que 'há partes engraçadas'.

Opinião semelhante tem Mikhail Khatchaturov, chamando a atenção para o fato de "Tintim no País dos Sovietes" ter sido "o único volume da série das Aventuras de Tintin que não foi posteriormente trabalhado e que, durante muito tempo, não foi reeditado". Khatchaturov ainda frisa que "só recentemente ele voltou a ser publicado, muitos anos após a morte do autor, e por isso agora surge orgulhosamente no catálogo da série como o número um".

Apesar de o comunismo ter caído na União Soviética/Rússia há quase 18 anos, Tintim continua a ser desconhecido entre o grande público russo, ao contrário de outros personagens das HQs, como Astérix. "Os Charutos do Faraó" foi a primeira e única das aventuras de Tintim a chegar à Rússia, com uma edição de cinco mil exemplares, o que é extremamente pouco para um mercado literário tão imenso como é o russo.

Tintim parece ter se atrasado na sua chegada à Rússia, mesmo sem a presença dos sovietes.

Com informações do blog O Tintinófilo.

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2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Muito interessante o post, Britto!
    É uma pena que os russos não tenham tido até hoje a oportunidade de conhecer a valiosa obra de Hergé.
    Mas nunca é tarde, né? Quem sabe um dia todos os álbuns não chegam lá?

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