domingo, 21 de setembro de 2008

Entenda por que a Universal saiu do projeto e como ele ficou

Por Marcelo Forlani, do Omelete.

Sim, até Steven Spielberg e Peter Jackson têm problemas para conseguir financiar seus projetos. Na semana passada noticiamos aqui que a Universal tinha pulado fora do grupo que iria co-produzir a trilogia Tintim, adaptação da obra criada pelo quadrinista belga Hergé. Agora surgem mais detalhes do que está realmente acontecendo.

Com apoio financeiro da Paramount, os dois diretores já gastaram 30 milhões de dólares em roteiro, design de personagens e testes iniciais de 3D. O problema é que, de acordo com o LA Times, o projeto ainda não recebeu o sinal verde. O verde que colore as notas de dólar, claro!

O orçamento apresentado por Spielberg e Jackson à Universal era de 130 milhões de dólares e foi essa soma que os afugentou. Segundo o estúdio, o projeto teria que conseguir mais de 425 milhões de dólares para conseguir "zerar" as contas - lembre-se que nem todo o dinheiro das bilheterias fica com o estúdio, já que os donos dos cinemas também levam a sua fatia. Levando em consideração que entre O Expresso Polar, A Lenda de Beowulf e A Casa Monstro, filmes feitos com a mesma tecnologia, os 277 milhões de dólares arrecadados ao redor do mundo pelo primeiro representam o melhor resultado, é fácil entender os motivos que fizeram a Universal sair de fininho. Isso sem contar o fato de os dois premiados cineastas pedirem 30% do que o estúdio ganhar nas vendas de ingressos, DVD, televisão, etc.

Outro ponto negativo, esse mais questionável, é que os livros escritos por Hergé não são tão conhecidos pelo público estadunidense quanto ao redor do mundo. Não que eu duvide que Tintim e Milu sejam mais famosos na Europa, por exemplo. O fato é que os nomes Steven Spielberg e Peter Jackson já garantiriam luzes suficientes para iluminar o projeto e chamar atenção do público médio do país.

Mas o mais bizarro de toda essa pendenga financeira é que a saída da Universal acontece bem na hora em que Spielberg se aproxima do estúdio e se distancia da Paramount, que vem bancando o projeto do Tintim. Recapitulando: há dois anos e meio, Spielberg e seus sócios Jeffrey Katzenberg e David Geffen venderam a DreamWorks para a Paramount. Acontece que o diretor está insatisfeito com os rumos da parceria e está negociando a mudança da sua empresa da Paramount para a Universal. Outra possibilidade, alardeada pelo Hollywood Reporter, é que a DreamWorks receba um aporte de 1 bilhão de dólares, sendo 500 milhões da Reliance Big Entertainment e a outra metade do JPMorgan, o que dariam ao estúdio independência financeira até mesmo para continuar o projeto sozinha.

Tudo isso para dizer que ninguém mais sabe o que vai acontecer com o projeto. No último mês, Spielberg e Jackson mostraram a um grupo de executivos da Paramount uma apresentação de 10 minutos de como o filme seria, material feito pela companhia de efeitos visuais de Jackson, a Weta Digital. Agora, a decisão está nas mãos da Paramount. Se eles decidirem que vão bancar o projeto sozinhos, as filmagens começam em outubro.

Spielberg dirigirá o primeiro filme e Jackson vai fazer o segundo. O primeiro filme deve ficar pronto em 2009. O diretor do terceiro ainda será anunciado.
>> É, tintinófilos! Será que poderemos continuar na esperança?! Espero que tudo corra bem e possamos ir ao cinema em 2009 - ou até em 2010, se for o caso - e ver nosso herói!
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