sábado, 18 de maio de 2013

Desejo: Coleção "Tintin Pop-Hop"

Depois de completar uma coleção, é impossível não começar uma busca por itens relacionados. É o que acontece quando você já tem todos os álbuns de Tintim, e passa a descobrir edições especiais (e difíceis de encontrar!). Minha descoberta mais recente foi a antiga coleção "Pop-Hop", uma série de livros da Hallmark que conta histórias com os mesmos títulos dos álbuns originais, só que em forma de romance. O diferencial da série são as belas ilustrações que ocupam várias páginas, indo além de desenhos para se tornar cenas "animadas". Confira algumas imagens (encontradas na internet) e diga se não é irresistível...


A ideia da série partiu do então diretor da editora americana Hallmark, Waldo Hunt, conhecido como o "rei dos Pop-Ups". Depois de ver os primeiros desenhos de Hergé, em 1969, ele sinalizou para o artista belga o interesse em publicar suas criações no formato. Hergé não ficou muito satisfeito com o resultado dos dois primeiros álbuns "Explorando a Lua" e "O Templo do Sol", e não hesitou em enviar suas impressões à Hallmark. Para os próximos números, 'A Ilha Negra" e "O Tesouro de Rackham, o Terrível", o pai de Tintim criou ilustrações inéditas, e encarregou seus coloristas de realizar um trabalho o mais próximo possível da perfeição.

Clique nas imagens para ampliá-las.

A série, publicada em francês e holandês entre 1969 e 1971, contempla apenas seis dos argumentos originais de Hergé. Os títulos, publicados com selo "Rouge et Or", incluem "O Cetro de Ottokar" e "Voo 714 para Sydney".


Em 2008, a Éditions Moulinsart publicou três livros com uma proposta parecida, mas sem o mesmo efeito. Com apenas 12 páginas e imagens retiradas dos álbuns, os títulos escolhidos foram "O Segredo do Licorne", "O Tesouro de Rackham, o Terrível" e "O Caranguejo das Tenazes de Ouro" - coincidentemente ou não, os mesmos álbuns anunciados pouco tempo antes como inspirações para o filme de Steven Spielberg.

 Edições Moulinsart, 2008.

As imagens interativas são um atrativo e tanto para os mais novos, e não menos interessantes para os mais velhos. Nestes tempos de 3D, quem sabe esta aí não seria uma boa ideia para aproximar as crianças da obra de Hergé?

Dez desenhos inéditos de Hergé

Coincidentemente, enquanto realizava uma pesquisa sobre a coleção "Pop-Hop", descobri que alguns originais estarão à mostra em uma exposição na Europa, que inclui 10 desenhos de Hergé considerados inéditos, feitos na década de 1970 para a série, mas nunca publicados pela Hallmark.

Nos dias 18 e 19 de maio, das 10h30 às 14h00, em Bruxelas, a livraria Jeu de Bulles apresentá 10 desenhos inéditos criados por Hergé para a série Pop-Hop. A exposição temporária "Pop up" marca a inauguração de um espaço sobre quadrinhos na capital belga - localizado em frente ao Mercado de Pulgas de Bruxelas - e, entre outros itens, apresentará um desenho original em cores de Hergé (imagem acima) e nove ilustrações em preto e branco dos filmes de impressão da época - já que os originais desapareceram. Entre as cenas está uma visita especial - de mais de duas páginas - ao laboratório do Prof. Girassol, produzida para "O Tesouro de Rackham, o Terrível". Três outros desenhos coloridos (clique nas imagens abaixo para ampliá-las) serão apresentados em 8 de junho, em um leilão realizado pela Artcurial.


Clique aqui para ver o soberbo catálogo de itens a ser leiloados; veja mais algumas imagens abaixo (que não fazem parte das inéditas).



:: Um pouco de História: Depois dos primeiros títulos da série Pop-Hop, Hergé continuava interessado em melhorar a qualidade dos álbuns. Em parceria com Byron McKeown, novo diretor criativo da distribuidora, Hergé conseguiu um avanço considerável. Os dois desenvolveram uma amizade tão achegada que, em visita aos Estados Unidos em 1971, o cartunista conheceu a família de McKeown e, a partir daquele ano, incluiu o americano na lista de pessoas que receberiam os cartões especiais dos Studios Hergé, além de lhe enviar alguns álbuns autografados (em inglês). Anos depois, Hergé soube através do amigo que ele ainda possuía uma série aquarelas originais - nunca antes publicadas. Agora elas estão novamente na França, de onde serão apresentadas ao mundo através de um leilão da Artcurial.

Segundo Byron McKeown, vários desenhos eram, de fato, rejeitados pela Hallmark, não por razões de qualidade, mas apenas porque o modelo dos álbuns animados passava por mudanças frequentes até chegar ao resultado final. Como o número de páginas era muito limitado e as histórias um pouco longas, alguns cortes eram inevitáveis. Os desenhos originais desapareceram, exceto aqueles que foram conservados pelo amigo americano de Hergé. 

terça-feira, 7 de maio de 2013

Série "Young Reader" ganha novos títulos

A série de quadrinhos de Tintim 'para jovens leitores' ganha esse mês mais 8 títulos, publicados no Reino Unido pela editora Egmont. Originalmente lançada pela Little Brown nos Estados Unidos, a coleção apresenta as aventuras originais desenhadas por Hergé, além de 30 páginas de material extra, com os "bastidores" da produção de cada aventura. Os álbuns ganharam capas mais diferentes, justamente com a intenção de atrair os leitores mais novos.




Para ver mais de cada álbum (incluindo páginas do making of), clique nos links abaixo:
Para os brasileiros que têm interesse na coleção, dá pra folhear alguns exemplares - ou comprar, se preferir, nas Livrarias Cultura.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Le Soir publica novo álbum de Tintim

Mas calma, porque trata-se apenas de um álbum de figurinhas adesivas. Em parceria com a Moulinsart, o jornal belga Le Soir lançou no último dia 16 de abril um álbum ilustrado com os personagens de Hergé, passando não só pelas aventuras de Tintim, como também pelas séries "Quick et Flupke" e "Jo, Zette e Jocko". As últimas páginas são dedicadas ao Museu Hergé.


No total, são 209 figurinhas, vendidas em pacotes de cinco unidades por € 0,60. Para completar o álbum, sairão ainda mais 16 adesivos exclusivos, que poderão ser adquiridos na compra de um exemplar do jornal, nos dias 23 e 30 de abril e 07 e 14 de maio.

No site oficial da coleção há um fórum para negociação e troca de figurinhas repetidas. Se você mora na Bélgica ou tem interesse em colecionar, acesse: www.studioweb.lesoir.be/tintin.

sábado, 13 de abril de 2013

Além de Tintim: Segredo de Família

Um jovem ruivo em busca de antiguidades. Um mercado de pulgas localizado em uma cidade europeia. Uma história que se passa em meio à Segunda Guerra Mundial. Aliás, uma história em quadrinhos, desenhada no estilo conhecido como "linha clara".

Eu poderia estar falando de Tintim, mas não estou. A descrição acima refere-se ao álbum "Segredo de Família", do holandês Eric Heuvel, que narra os fatos que marcaram a Segunda Guerra sob a ótica de uma garota chamada Helena. Lançado no Brasil pela Companhia das Letras através do selo "Quadrinhos na Cia", a obra consegue dar um tom envolvente a acontecimentos reais daquele período deplorável da história humana.

Desde a ascensão de Hitler até a queda da Alemanha, acompanhamos a trajetória de Helena, uma jovem holandesa que presencia a perseguição aos judeus, a crise econômica que abala a Europa e a posição da Holanda no confronto internacional - inicialmente neutra mas, com o tempo, colaboracionista. A família de Helena é um retrato da realidade da época. Vemos ali a oposição natural aos nazistas, a solidariedade aos perseguidos, bem como a simpatia de alguns ao autoritário governo alemão. Entendemos também a posição de figuras como o chefe de família, que são obrigadas a colaborar para continuar tendo como sustentar a casa. Isso tudo sem julgar as atitudes e decisões dos personagens, mas revelando seus diferentes pontos de vista numa narrativa ágil e clara,  regada a algumas doses de drama e poucas de um humor sutil. 

A história de guerra gira em torno da amizade entre Helena e sua amiga, Esther, uma judia alemã que foge com dos nazistas com sua família. Todo o relato é narrado por Helena, agora avó de Jeroen, o menino da capa. O caso lembra a personagem da vida real Anne Frank, jovem alemã de origem judaica que escreveu um diário sobre os difíceis dias que antecederam sua morte. O livro, inclusive, é publicado em parceria com a Fundação Casa Anne Frank, e foi publicado com o objetivo de ajudar os jovens a conhecer o passado de seu país. Em vista da forma dinâmica e atrativa como a trama é apresentada, arrisco sugerir que ela seja utilizada por escolas em todo o mundo nas aulas de História, pois cumpre muito bem seu objetivo.

Quer comprar o livro? Clique aqui.

Sobre o autor: Eric Heuvel, nascido em Amsterdã em 1960, se interessa pelo tema Segunda Guerra Mundial desde os 10 anos de idade. Inspirado pelo trabalho de artistas como Hergé, criou várias HQs, entre elas as aventuras de January Jones, personagem feminina que tem traços de Tintim e Indiana Jones. Apesar de ter uma obra extensa, "Segredo de Família" é apenas a segunda criação de Heuvel a ser publicada no Brasil - a primeira foi "A Busca", que retrata o mesmo período histórico. Para saber mais, acesse a página oficial do artista, clicando aqui.
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