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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Série "As Aventuras de Tintim" estreia em breve no Netflix

Parece que os fãs de Tintim vão acabar com o jejum da série - bom, pelo menos os assinantes do Netflix.


Depois do filme "As Aventuras de Tintim" (2011), chegou a vez de novos conteúdos relacionados ao famoso repórter darem as caras no Netflix - do Brasil, porque lá fora isso já não é novidade. Nas próximas semanas, tanto a série de TV produzida pela Nelvana como os filmes da Belvision devem ser disponibilizados para os usuários do serviço.

Os longa-metragens de animação O Templo do Sol (1969), O Caso Girassol (1964) e O Lago dos Tubarões (1972) já foram lançados em DVD no Brasil pela PlayArte, com o retorno dos dubladores clássicos da série de TV.

A série The Adventures of Tintin, produzida no início dos anos 1990 pela Ellipse-Nelvana, teve grande êxito no Brasil em sua passagem pela TV Cultura. Baseada em 21 dos 24 álbuns de Hergé, o desenho animado foi um dos maiores responsáveis pela popularização de Tintim no país, tendo passado pelo horário nobre da emissora paulista. Os 39 episódios também foram exibidos em canais fechados, como HBO Family e Cartoon Network, além dos canais Futura e PlayTV. Recentemente, uma fã criou um abaixo-assinado pedindo o retorno da série à TV Cultura.


O TPT teve acesso à informação de que os filmes e episódios estão passando por um processo cuidadoso de tradução das legendas, e devem trazer também a opção de áudio dublado em português. De acordo com o blog Filmes Netflix - que sempre traz informações confiáveis sobre os lançamentos do serviço de streaming -, os títulos estarão disponíveis em breve, sem data definida - possivelmente daqui a mais de 30 dias. Inclusive, suas respectivas páginas de descrição em português já estão disponíveis no site do Netflix (clique nos títulos para ver).

Agradecimento ao tintinófilo Douglas Cunha.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Tintim: A amizade como arma e escudo - Parte Final

Finalmente chegamos à quarta e última parte do artigo escrito pela leitora Carmem Toledo, discutindo a amizade presente nos álbuns de Tintim à luz da Filosofia. Confira as partes anteriores aqui, e boa leitura!

Os melhores amigos de Tintim: a amizade como arma e escudo

O leitor percebeu que [até aqui] não foram mencionados outros personagens, como Dupond e Dupont, Professor Girassol, Bianca Castafiore e os vilões. Nossas atenções devem se voltar aos dois melhores amigos de Tintim, aqueles que mais estão presentes em sua vida: Milu, com sua inocência de animal irracional, trabalha com o instinto, auxiliando seu dono em todos os momentos, como já foi dito anteriormente. Capitão Haddock é a manifestação dos impulsos emocionais ditados pelo momento. Tintim é o raciocínio lógico, a ética em exercício. O encontro proporcionado pela amizade dos três representa a formação do herói, a totalidade da força, o poder possível reunido em três seres finitos e comuns.


Como decidi “me aventurar” e recorrer à Filosofia para explicar a ideia de amizade, acho justo citar alguns filósofos célebres para reforçar sua relação com os valores adotados em sociedade e refletidos nas obras artísticas e literárias. Não pretendo forçar ninguém a enxergar “As aventuras de Tintim” como uma obra filosófica! Desejo apenas fazer com que os admiradores de Tintim percebam o quanto e há quanto tempo a necessidade de companheirismo é pensada – antes mesmo que os tataravós de Sir Francis Haddock viessem a existir!

Para início de conversa, Cícero, nos tempos antigos, foi um dos principais filósofos a tratar da amizade, afirmando que esta é própria do ser humano e somente se pode encontrar entre os bons. Escrevia ele:
“Eu só posso aconselhar-vos a que a coloqueis sobre todas as conveniências da vida; porque nenhuma coisa tão conforme à natureza, nem tão a propósito para os casos favoráveis ou adversos. Mas em primeiro lugar sou de parecer que não pode haver amizade senão entre homens de bem”¹
A amizade, portanto, segue as leis da natureza e se faz presente nos momentos bons e maus. De fato, não é somente durante os perigos que Tintim se vê amparado pelos amigos, mas também nos momentos de descanso e de comemoração, como pode ser visto no final de “O tesouro de Rackham, o Terrível”, quando está com Professor Girassol no evento promovido por Capitão Haddock intitulado “O Salão do Mar”. Como bem diz a fala do Capitão, parafraseando Shakespeare, “tudo bem quando acaba bem”.

"O Tesouro de Rackham, o Terrível", página 62.

Em outras palavras, a filosofia apresenta o pensamento de que a natureza, com sua perfeição, fez com que os homens precisassem uns dos outros, independente das circunstâncias. Também é possível explicar isso recorrendo às palavras do filósofo Étienne De La Boétie:
“... a natureza, ministra de Deus e governante dos homens, fez-nos todos da mesma forma e, ao que parece, na mesma fôrma, para que entreconhecêssemos todos como companheiros, ou melhor, como irmãos. E se, fazendo as partilhas dos presentes que ela nos dava, cedeu alguma vantagem de seu bem ao corpo ou no espírito, a uns mais que aos outros, (...) é de se crer que, atribuindo assim as partes maiores a uns, aos outros as menores, queria fazer lugar ao afeto fraternal para que ele tivesse onde ser empregado, tendo uns o poderio de dar ajuda, os outros necessidade de recebê-la.”²
Assim sendo, a amizade é o elo que reúne esses três elementos essenciais que compõem o heroísmo: o instinto a ser seguido, o impulso vigoroso e a atividade refletida. Os amigos se completam. Esta é a arma e o escudo de Tintim. Não são necessários superpoderes, fórmulas mágicas, transformações irreais, imortalidade ou força bruta. A amizade ajuda Tintim a superar as dificuldades, sem se distanciar de sua essência puramente humana. Ela é o poder que faz com que o herói transcenda a dor, sem desejar a infinitude dos super-heróis irreais. Desta forma, aceita seus limites humanos e se distancia da miséria daquele que, desprezando sua humanidade, tenta se assemelhar aos deuses – o que o tornaria desfigurado e vulnerável a servir às forças malignas que se aproveitam da fraqueza moral da potência sem limites, tão duvidosa para o próprio super-herói, que o torna escravo da inconstância de sua identidade. Para confirmar essa tese, é justo citar, mais uma vez, La Boétie:
“E de resto, se essa boa mãe [a natureza] deu-nos a todos a terra inteira por morada, alojou-nos todos na mesma casa, figurou-nos todos no mesmo padrão, para que cada um pudesse mirar-se e quase reconhecer um no outro; (...) e se tratou por todos os meios de estreitar e apertar tão forte o nó de nossa aliança e sociedade; se em todas as coisas mostrou que ela não queria tanto fazer-nos todos unidos mas todos uns – não se deve duvidar de que sejamos todos naturalmente livres, pois somos todos companheiros; e não pode cair no entendimento de ninguém que a natureza tenha posto algum em servidão, tendo-nos posto todos em companhia.”³
Tal é a causa do vigor e da incessante esperança que sempre está na base de todas as aventuras do herói belga: Tintim é livre, pois é uma criatura da natureza, um ser comum, com qualidades e fraquezas, que possui companheiros que o complementam e fortalecem. Segundo o pensamento aristotélico, Tintim é feliz uma vez que, sem amizade, ninguém é feliz. São as diferenças existentes entre ele e seus amigos que os fazem tão semelhantes e virtuosos.
“A amizade também ajuda os jovens a afastar-se do erro, e aos mais velhos, atendendo-lhes às necessidades e suprindo as atividades que declinam por efeito dos anos. Aos que estão no vigor da idade ela estimula à prática de nobres ações, pois na companhia de amigos — 'dois que andam juntos' — os homens são mais capazes tanto de agir como de pensar.”
Nota-se a riqueza de uma “simples HQ” pelos valores transmitidos na base da construção de sua trama. Tintim, mais que um repórter aventureiro, é a cristalização dos pensamentos mais profundos daqueles que viveram muito antes de seu criador; o exemplo lúdico da ciência que questiona o mundo e os homens; a prova de que o maior ingrediente secreto para a criação de um herói está ao alcance de todos os mortais.

Carmem Toledo
Fã de Tintim há 20 anos e, como ele, sedenta de boas histórias

Notas
1. CÍCERO, Diálogo sobre a Amizade, Cap. V, p. 27
2. LA BOÉTIE, Discurso da servidão voluntária, p. 17
3. Idem, ibidem.
4. ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco, p. 170

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Segundo filme de Tintim pode ter perdido roteirista

Parece que temos uma notícia quente sobre o segundo filme de Tintim. Mas, infelizmente, a novidade pode não ser das melhores.

Anthony Horowitz (foto), contratado para escrever o roteiro da sequência do filme "As Aventuras de Tintim" (2011), aparentemente não faz mais parte do projeto. "Ouvi dizer que a sequência de Tintim será filmada no ano que vem. Você ainda está escrevendo o filme?", perguntou um seguidor no Twitter. "Não. Acho que fui demitido", respondeu ele.


Isso pode ou não indicar sua saída do projeto, já que em ocasiões anteriores o roteirista negou saber a que pé andava a continuação. Mas será uma pena se acontecer. Anthony Horowitz já se declarou fã de Tintim desde a infância, além de ter assinado obras literárias aclamadas, como a série juvenil Alex Rider e os novos livos de James Bond e Sherlock Holmes, bem como episódios da série de TV "Agatha Christie's Poirot". Sem falar que, com sua saída, será necessário contratar novos roteiristas, atrasando ainda mais a produção.

A sequência do filme de 2011 já teve seu título ligado ao álbum "O Templo do Sol", que chegou a ser confirmado e logo depois desmentido pelo próprio Horowitz. Recentemente, o ator Jamie Bell também falou sobre a sequência, indicando que as gravações poderiam ocorrer em 2016. Porém, o próprio site de Tintim já havia noticiado que Peter Jackson não deve investir no projeto por agora, pois pretende se dedicar a filmes menores.


Jamie Bell conta que 'Tintim 2' pode ser rodado em 2016

Sabem mesmo o que eu acho? Talvez não falte vontade da parte de Steven Spielberg e Peter Jackson para dar continuidade à franquia, quem sabe até produzindo a tão sonhada sequência. O desinteresse certamente vem dos estúdios (Sony e Paramount), que enfrentaram problemas no início da produção do primeiro filme, investiram muito e arrecadaram pouco.

O que deve acontecer a seguir? Caso o filme não seja confirmado até 2017, os direitos voltam para a Moulinsart (saiba mais). Daí, ou não veremos uma sequência de Tintim em captura de movimentos, ou levaremos alguns anos até ver um reboot da franquia, talvez com atores reais. É esperar pra ver.

Fonte: A113.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Tintim por Tintim Entrevista Isaac Bardavid, a voz do Capitão Haddock


Foi no fim de uma manhã de segunda-feira que ele me recebeu em sua casa. Nascido em Niterói em 1931, este ativo senhor vive sozinho há duas décadas em um apartamento aconchegante de sua cidade natal, cercado de livros, discos e de referências aos seus personagens mais famosos, como Tigrão, Wolverine e, claro, o Capitão Haddock. Formado em Direito, Isaac Bardavid é casado há 54 anos, pai de três filhos e avô de cinco netos. Um deles, aliás, merece todo agradecimento por nos colocar em contato.Valeu mesmo, João! Foram 7 anos até que o Tintim por Tintim finalmente conseguiu realizar esta entrevista com a voz do Capitão Haddock.

Assista direto do YouTube ou pelo player mais abaixo.

Na conversa, Isaac revelou detalhes sobre o início de sua carreira de ator, contou qual foi seu primeiro personagem e fez uma estimativa da impressionante quantidade de trabalhos que realizou ao longo de 67 anos de carreira. Além de filmes, animações e séries, Isaac Bardavid dublou muitos jogos, locuções de documentários, entre outros. "É muita coisa... não dá pra você guardar", confessou. Como ator, já trabalhou em diversas emissoras de televisão do país, em novelas e minisséries, como a internacionalmente conhecida "Escrava Isaura".

No dia da entrevista - realizada no final de março - ele estava a caminho do estúdio AudioNews, para fazer 7 horas de dublagem do personagem Robotnik (Sonic), o que ele faz normalmente na metade do tempo. Falando no assunto, Isaac revelou quanto ganha um dublador, e desconversou quando questionei quem foi (ou é) o maior dublador do Brasil. "É complicado", afirmou em off, depois de comentar sobre o trabalho de nomes como Guilherme Briggs. "É como você perguntar quem foi o maior ator do Brasil até hoje. Cada um na sua área... Eu conheci grandes dubladores, mas dizer qual foi o melhor é impossível."

O dublador também expressou sua opinião sobre a participação de famosos na dublagem, e comentou sobre um assunto que muito nos interessa: por que ele não dublou o Capitão Haddock no filme "As Aventuras de Tintim" (2011)?  Confira tudo isso e muito mais no vídeo a seguir.


Para mim, foi uma satisfação imensa realizar esta entrevista e prestar esta homenagem a este cara, que não foi apenas o dublador do Capitão Haddock, do Wolverine, do Esqueleto, do Robotnik, do Yao, do Freddy Krueger, do Pretorius, do Rei Harold, do tio Fester, do Horácio Slughorn, do Filoctetes, do Chefe Powhatan, do Capitão Gancho, da Super Máquina, do Sr. Castor, do Garganta Profunda, do Odin, do Gibbs, do Bilbo, do Jor-El, d Obi Wan... (ufa!) Foi - aliás, é - uma voz marcante em nossas vidas, que ficará sempre gravada em nossas memórias. Muito obrigado, Isaac!

P.S.: Muito obrigado pela carona, também! :)

domingo, 26 de julho de 2015

Álbuns de Tintim serão adaptados para o rádio

Enquanto não se escuta nenhuma notícia sobre o próximo filme baseado nas aventuras de Tintim, os fãs do repórter poderão ouvir, em breve, uma nova adaptação dos quadrinhos criados por Hergé. Sim, ouvir, porque os álbuns da série serão adaptados para a rádio France Culture, pela companhia de teatro da Comédie Française. A informação é do site oficial de Tintim.

O primeiro álbum, adaptado em cinco episódios no formato de radionovela, será "Os Charutos do Faraó". Sua continuação, "O Lótus Azul", já está confirmada. O elenco é formado por cerca de 20 atores, entre eles Noam Morgensztern (Tintim), Jéremy Lopez (Milu), Serge Bagdassarian e Christian Hecq (Dupond e Dupont), Eric Génovèse (Marajá de Rahwajpoutalh), Gilles David (Rastapopoulos), Didier Sandre (o Major e o Narrador) e Elliot Jenicot (Oliveira da Figueira). Benjamin Abitan assina a direção.

A trilha sonora fica a cargo da Orquestra Nacional da França, que já teve trechos de seu trabalho divulgado no Twitter da France Culture. Confira abaixo:


As Aventuras de Tintim já passaram pela rádio francesa entre 1959 e 1963. Na época, 19 álbuns foram transformados em episódios com as vozes de Maurice Sarfati (Tintim), Jacques Hilling (Haddock), Jacques Dufilho (Girassol), Henri Virlogeux (Nestor), Jean Carmet e Jean Bellanger (Dupond e Dupont). Na época, o público podia escutar os programas três vezes por semana, às 19 horas, na rádio France II, de Paris. A direção era de Jean-Jacques Vierne, responsável pelo primeiro filme de Tintim com atores, "O Mistério do Tosão de Ouro" (1961).

No site da France Culture, é possível ouvir episódios de 1959, baseados em "As 7 Bolas de Cristal". Clique aqui e escute - está em francês, mas vale a pena conferir e prestar atenção aos sons de fundo, muito detalhados e convincentes.

A data de estreia da nova série radiofônica ainda não foi divulgada.